Como Slayyyter, RAYE e Kehlani ampliaram públicos em 2026
Agente de booking revela como as três atingiram o auge de suas carreiras

As cantoras Slayyyter, RAYE e Kehlani (Reprodução)
Eli Gelernter, da THE•TEAM, é o agente de booking por trás de três artistas que despontaram neste ano, ajudando cada uma delas a conquistar posições de destaque em festivais e datas em arenas.
Este ano, três artistas que produzem música e se apresentam há cerca de uma década viveram os momentos mais bem-sucedidos de suas carreiras. Slayyyter ganhou impulso com seu álbum mais recente, “WOR$T GIRL IN AMERICA”, que alcançou o primeiro lugar na parada Top Dance Albums da Billboard, permaneceu por 18 semanas no ranking e estreou na 22ª posição da Billboard 200.
O álbum mais recente de RAYE, “This Music May Contain Hope”, chegou ao 11º lugar da Billboard 200 e gerou um single que entrou no top 20 da Billboard Hot 100, “WHERE IS MY HUSBAND!”.
Já o single “Folded”, de Kehlani, marcou seu primeiro top 10 na Hot 100 no último verão, chegando à sexta posição. A música antecipou o álbum homônimo da cantora, lançado em abril, que alcançou o quarto lugar da Billboard 200.
O sucesso nas paradas levou as três artistas às maiores audiências de suas respectivas carreiras até o momento.
Slayyyter passou o ano no circuito de festivais e, mais recentemente, se apresentou no Lollapalooza no último fim de semana. Após o sucesso de “WOR$T GIRL IN AMERICA”, o festival promoveu a cantora para um show no palco principal. Ela iniciou sua passagem por Chicago com um aftershow no The Salt Shed na quinta-feira (30), antes de subir ao palco principal do festival na sexta-feira (31).

A recente turnê de RAYE, “This Tour May Contain New Music”, passou por arenas na Europa e teatros na América do Norte. Entre as apresentações estiveram duas noites no Radio City Music Hall, em Nova York, em 15 e 16 de abril, e dois shows no Greek Theatre, em Los Angeles, em 12 e 13 de maio.
Kehlani também viveu um ano de grande destaque ao retornar às suas raízes e assumir uma versão mais autêntica de si mesma. A cantora de R&B enfrentou cancelamentos de shows por causa de comentários sobre Gaza no ano passado. A Cornell University e o Central Park SummerStage, em Nova York, retiraram apresentações da agenda.
Na quinta-feira (6), porém, Kehlani deu início à “The Kehlani World Tour” no The Armory, em Minneapolis. A turnê inclui apresentações em anfiteatros e arenas pela América do Norte até 4 de outubro, quando a cantora, nascida na região da Bay Area, encerrará a excursão com dois shows no Shoreline Amphitheatre, em Mountainview, na Califórnia.
Por trás das turnês das três artistas está Eli Gelernter, da THE•TEAM, agente responsável pelo booking das cantoras. O trabalho rendeu a ele o título de Executivo da Semana da Billboard.
Gelernter passou o último fim de semana no Lollapalooza, onde cinco de seus clientes se apresentaram: Slayyyter, Wet Leg, Destin Conrad, Asha Banks e SUNSHINE BENZI.
+Leia mais: Lollapalooza Chicago tem Charli xcx a Slayyyter; saiba como assistir hoje
O Wet Leg se apresentou primeiro no The Vic Theatre, em Chicago, na quarta-feira (30), antes de participar do primeiro dia do Lollapalooza na quinta-feira. Conrad também realizou um aftershow no sábado (1º), antes de sua apresentação no festival no domingo (2). Asha Banks e SUNSHINE BENZI se apresentaram no festival na quinta-feira.
A seguir, Gelernter fala sobre o Lollapalooza, sobre acompanhar o desenvolvimento da visão artística de um músico durante anos antes de sua grande virada e sobre como constrói e amplia as audiências dos artistas ao vivo.

Slayyyter está na cena há quase uma década, mas realmente despontou neste ano com seu álbum mais recente. Como isso influencia sua estratégia de booking para ela?
Zac Bluestone, Marty Diamond e eu temos muito orgulho da estratégia que construímos para Slayyyter ao longo dos anos. Ela sempre teve uma base de fãs extremamente dedicada, e sabíamos que precisávamos atender esse público da maneira adequada em cada campanha, mesmo antes de “WOR$T GIRL IN AMERICA”.
Os shows ao vivo sempre foram um dos principais motores de sua carreira, desde sua mixtape de estreia, autointitulada, em 2019. Embora Slayyyter tenha alcançado um público ainda maior com o projeto “WGIA”, ela sempre teve um show ao vivo incrível.
Queríamos aproveitar os festivais, preparando o terreno para as turnês como atração principal, incluindo Coachella, Governors Ball e Lollapalooza. A ideia era dar a ela a oportunidade de mostrar ao público em geral o quanto sua performance é extraordinária, além da própria música.
Você trabalha com RAYE desde o início. Como descobriu a artista e o que fez você querer trabalhar com ela?
Marty, que é meu parceiro no projeto e alguém com quem trabalho há uma década, contratou RAYE quando ela tinha 17 anos. Durante anos, trabalhei com RAYE como administrador e vi o potencial que ainda não havia sido explorado. Também percebi a importância que ela tinha dentro da comunidade queer depois da campanha de “Euphoric Sad Songs”. Eu sabia que havia um mercado real para ela nos Estados Unidos.
Para atender plenamente seu público existente antes de “My 21st Century Blues”, seu álbum de estreia que marcou sua virada, os primeiros shows de RAYE nos Estados Unidos foram uma série de apresentações durante eventos de Orgulho LGBTQI+, que a posicionaram como uma atração de destaque. Continuamos investindo fortemente nesse público, que ainda hoje tem uma presença extremamente significativa em sua base de fãs.
Tudo em RAYE me fez querer trabalhar com ela. Musicalmente, ela consegue transitar por praticamente todos os gêneros, seja jazz, pop, R&B, música eletrônica ou dance. Desde cedo, isso mostrou que um fã de RAYE poderia ser qualquer pessoa e não seria definido por gênero musical, raça, idade ou qualquer outra categoria demográfica.
Ela tem uma personalidade e presença contagiantes, uma ética de trabalho e uma visão incomparáveis, além de um nível de talento que está além do que as palavras conseguem descrever.
Kehlani também está vivendo um ano de destaque com o lançamento de seu álbum homônimo. Como vocês se prepararam para a turnê atual?
Sabíamos que teríamos uma campanha de turnê bastante empolgante neste ciclo e montamos a rota de acordo com isso, ao mesmo tempo em que preservamos seu valor e seu posicionamento nos principais mercados.
Isso permite que ela mantenha uma demanda forte no circuito global de festivais no próximo ano, prolongue a campanha do álbum e garanta que a presença de Kehlani nos palcos tenha a mesma longevidade que o próprio álbum.
No último fim de semana, no Lollapalooza, você teve cinco clientes se apresentando: Slayyyter, Wet Leg, Destin Conrad, Asha Banks e SUNSHINE BENZI. Como ajudou seus clientes a conquistar esses espaços?
Tenho um histórico sólido de apresentações bem-sucedidas ao longo dos anos. Essa média de acertos dá aos contratantes mais confiança sobre aquilo que um projeto pode se tornar, em vez de fazer com que eles olhem apenas para o valor que ele tem no momento em que os festivais estão sendo contratados.
É um equilíbrio entre convencer os contratantes sobre onde você acredita que seu cliente estará daqui a um ano e deixá-los empolgados o suficiente para que também passem a acreditar no projeto da mesma maneira que você, como agente, acredita.
Do lado da agência, também considero muito importante ser alguém agradável de conversar e conhecido como uma pessoa fácil de trabalhar. Sou grato pelas relações que construí com nossos parceiros promotores da C3 Presents, que acreditam em mim como agente.
Como você compara a contratação de apresentações em festivais com a de turnês como atração principal?
Os festivais podem cumprir diferentes funções para os artistas, dependendo do momento de suas carreiras. Para um artista em ascensão, eles podem oferecer credibilidade. Para um nome em processo de explosão, podem criar um momento de grande impacto. Para um artista que teve uma grande ascensão nos últimos meses, podem representar uma declaração de força que consolida sua posição como atração secundária de destaque ou headliner, com potencial de longo prazo.
Vários de seus clientes trabalham com você desde os primeiros estágios de suas carreiras. O que você procura em um artista em desenvolvimento e o que significa para você poder ajudá-lo a crescer?
Contratar artistas no início de suas carreiras e ajudá-los a crescer sempre foi uma das partes mais gratificantes do meu trabalho como agente. Isso exige olhar além de onde está o negócio daquele artista naquele momento e entender no que ele pode se transformar com a equipe, a estratégia e as oportunidades certas ao seu redor.
Tive a sorte de viver esse processo com artistas como Tyla, FLO, Elyanna e Natanya. Todos são extremamente diferentes, mas cada um tinha uma identidade clara, um talento inegável e a ambição de construir algo capaz de gerar identificação.
Meu papel é acreditar nessa visão desde cedo, defendê-la quando o mercado mais amplo ainda não consegue enxergá-la e ajudar a criar uma estratégia de shows que cresça junto com o artista, em vez de se antecipar a ele.
Natasha Bedingfield tem um significado especialmente importante para mim por ter sido uma das minhas primeiras clientes. Ela acreditou em mim em um momento decisivo da minha própria carreira, quando eu ainda estava tentando me provar como agente. Sempre serei grato por essa confiança.
Isso me ensinou a importância de construir relações que vão além de uma campanha específica ou de uma turnê. A melhor parte deste trabalho é crescer junto, celebrar as conquistas e continuar encontrando novas oportunidades para os artistas em todas as etapas de suas carreiras.
[Este conteúdo foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui].
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