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Selvagens à Procura de Lei apostam em rock visceral para o novo álbum

Banda cearense lança o single 'Dia de Rua' e prepara o terreno para 'Pivete'

Selvagens à Procura de Lei (foto Igor Melo)

Selvagens à Procura de Lei (foto Igor Melo)

Os Selvagens à Procura de Lei estão de volta com novidades e iniciam a fase mais ambiciosa da carreira com o lançamento do single triplo “Dia de Rua”. A faixa-título traz a participação do ativista Leo Suricate e chega acompanhada por “Guerra”, música que conta com a presença do líder indígena Ailton Krenak, e pela canção “Cascadura”. O combo serve como o primeiro cartão de visitas de “Pivete”, o novo álbum de estúdio do quarteto cearense, que tem lançamento confirmado para agosto.

Ao contrário das produções milimetricamente polidas que ditam as regras do mercado digital, Selvagens à Procura de Lei aposta em um retorno visceral às raízes do rock pé no chão. Para a concepção física da capa e gravação das faixas do novo álbum, os músicos abriram mão de inteligência artificial ou colagens. O single propõe um manifesto social e musical sobre a urgência de trocar a anestesia das redes sociais pela organização real nas ruas.

“O disco tem uma linha narrativa sobre um personagem marginal: o seu nascer, viver e morrer. É livre, espontâneo e analógico. Vamos contra as ideias estabelecidas: se a música pede mais de 3 minutos ou se o projeto precisa de 20 faixas, nós fazemos. É pelo desafio de criar algo com as próprias mãos”, explica o guitarrista e vocalista Gabriel Aragão.

A presença de Leo Suricate em “Dia de Rua” nasceu de forma orgânica, após a Selvagens à Procura de Lei dividir o palco com o ativista em uma manifestação popular em Fortaleza. “O Léo estava tímido no estúdio, mas como já tínhamos visto ele inúmeras vezes inflamando a multidão em cima de um carro de som, nós o instigamos e conseguimos extrair toda a raiva que o texto pedia. Ele arrepiou!”, relembra o baterista Matheus Brasil. Ele complementa sobre o conceito lírico: “A faixa traz a indignação de ver que, desde quando a gente era pivete, somos metralhados por notícias trágicas na TV na hora do almoço. É um grito de protesto contra a normalização disso”.

O baixista Jonas Rio destaca que o público pode esperar um trabalho profundamente sincero e explosivo para este novo álbum, moldado tanto pela vivência recente na estrada quanto pelas influências de infância de cada integrante: “Esse primeiro single é um grito engasgado para explodir e falar o que precisa ser dito, convocar para o que precisa ser feito. São músicas para bater cabeça no palco, mas também para refletir entre o individual e o coletivo”.

Para o guitarrista Plínio Câmara, o projeto ganha um significado ainda mais íntimo por ser o primeiro registro de estúdio a carregar a identidade completa da atual formação da Selvagens à Procura de Lei, consolidando o entrosamento do quarteto após um ano de estrada juntos.

“Essa música fala sobre uma camada muito presente na vida de todo mundo. Não é o tipo de composição que me dá prazer em fazer, eu também queria achar que a vida é só céu azul e flores no jardim, mas o planeta vem sentindo as consequências de tanto desmantelo. A urgência é outra e, como diz a letra, todo dia a gente tem que escolher. Para mim, a única escolha possível agora é ir para a rua, de galera. E ter o Leleo junto fortalece o rolê, porque ele é meu cumpade, é família.”, conta Plínio.

Formado por Gabriel Aragão, Plínio Câmara, Matheus Brasil e Jonas Rio, Selvagens à Procura de Lei prepara o terreno para o lançamento de “Pivete” como um projeto coletivo. Ao unir o peso do rock alternativo à força de vozes de resistência, a Selvagens à Procura de Lei reafirma que a música de contestação continua com potência máxima no cenário nacional.

Ouça Selvagens à Procura de Lei