Black Eyed Peas: Papatinho revela detalhes de álbum e clipe
Produtor brasileiro contou que trabalhou em músicas com will.i.am em Los Angeles

Papatinho posa em Los Angeles com integrantes do Black Eyed Peas (Reprodução/Facebook)
Papatinho deu novos detalhes, durante o Rio2C sobre a colaboração que vem desenvolvendo com will.i.am para um projeto do Black Eyed Peas inspirado no Brasil. No evento realizado no Rio de Janeiro, o produtor brasileiro contou que esteve em Los Angeles em três oportunidades diferentes este ano para trabalhar em músicas com o artista americano. Revelou também que uma das faixas já ganhou um clipe produzido com recursos de inteligência artificial.
A aproximação entre os dois começou depois de um encontro em Las Vegas, durante a CES 2026, feira de tecnologia realizada em janeiro. Na ocasião, will.i.am participava de ações ligadas à linha de caixas de som xboom, desenvolvida em parceria com a LG, e convidou Papatinho para uma entrevista no podcast “The Lab”. Foi ali que o músico falou pela primeira vez sobre a ideia de fazer um álbum do Black Eyed Peas voltado ao Carnaval do Rio, com a possibilidade de reunir novamente Fergie, apl.de.ap, Taboo e o próprio will.i.am.
“Ele falou: ‘Meu sonho era voltar o Black Eyed Peas com a Fergie e produzir um álbum para o Brasil, para lançar no Carnaval’. Aí cortaram esse pedaço, começaram a postar e cobrar isso” disse Papatinho, durante o painel.
Papatinho diz que repercussão no Brasil animou will.i.am
Segundo o produtor, a repercussão fez o assunto ganhar velocidade. Ele afirmou que, depois da entrevista, foi procurado por representantes ligados ao Carnaval e que mostrou a will.i.am a mobilização em torno da ideia. Um mês depois, os dois voltaram a se encontrar em Los Angeles.
“A gente produziu algumas músicas. Eu não sei em que pé está isso, mas a gente produziu. Depois eu voltei de novo e a gente fez até um clipe”, contou.
Em entrevista exclusiva à Billboard Brasil após o painel, Papatinho afirmou que a sonoridade das faixas passa por uma mistura de funk, samba e produção pop americana. Ele disse que will.i.am abriu mais de 30 faixas para que ele trabalhasse em cima do material já existente.
“Tem elementos de funk, tem um pouquinho de pegada de produção americana, claro, porque ele também está produzindo junto comigo. A gente está construindo ainda”, afirmou.
Novo clipe com Inteligência Artifical
O produtor explicou que algumas músicas já tinham vozes gravadas quando chegaram às suas mãos. A função dele, segundo o próprio, foi adicionar camadas brasileiras à produção.
“Tem música que já tinha voz, que já tinha sido escrita, e eu produzi em cima do que já tinha”, disse.
Uma dessas faixas ganhou registro em vídeo no espaço de will.i.am em Hollywood, descrito por Papatinho como um galpão com estúdio e estrutura para gravações. A filmagem, segundo ele, foi simples: cerca de dez minutos com uma MPC diante de um fundo verde. Quando voltou aos Estados Unidos, porém, encontrou o clipe finalizado com ambientação brasileira criada por inteligência artificial.
“Eu assisti ao clipe pronto. Só que tudo feito pela inteligência artificial: ele no Brasil, ele na favela, cantando. Fiquei impressionado. Ele usou os elementos da minha produção junto com os dele. Ficou uma mistura maneira” contou.
Álbum ainda não tem data de lançamento
O projeto ainda não tem confirmação oficial de lançamento, repertório ou participação de Fergie. Papatinho evitou cravar prazo e disse que will.i.am é “muito imprevisível”.
“Eu queria saber também o que vai acontecer. Ele tem várias ideias o tempo todo. Mas o importante é que ele está trabalhando com música nova”, afirmou.
O interesse em uma reunião do Black Eyed Peas ganhou novo combustível nesta semana, após Fergie aparecer ao lado de will.i.am, apl.de.ap e Taboo no American Music Awards 2026, em Las Vegas. O grupo recebeu o prêmio de melhor música nostálgica por “Rock That Body”, faixa lançada em 2010, e voltou a aparecer junto publicamente depois de anos.
A formação atual do Black Eyed Peas não inclui Fergie, que se afastou do grupo na década passada. Desde então, J. Rey Soul passou a integrar apresentações e projetos recentes da banda, que lançou álbuns como “Translation”, em 2020, e “Elevation”, em 2022.
No Rio2C, Papatinho tratou a participação brasileira como parte de uma busca mais ampla da indústria global por sonoridades fora do eixo anglófono. “O Brasil funciona muito como complemento do que eles podem apresentar nos Estados Unidos, na Europa e no mundo todo. Todo mundo está procurando o Brasil”, disse.
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