Os Paralamas do Sucesso no Doce Maravilha: a importância de ‘Selvagem?’
Disco completa 40 anos e consolidou a banda entre os gigantes do rock brasileiro

Paralamas do Sucesso Divulgação)
Quando Os Paralamas do Sucesso subirem ao palco do Doce Maravilha, às 19h do dia 9 de agosto, o público também celebrará os 40 anos de “Selvagem?”. Lançado em 1986, o terceiro álbum de estúdio do trio é considerado um divisor de águas na história do rock brasileiro e ajudou a consolidar Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone entre os principais nomes da música nacional.
Mais do que reunir hits, “Selvagem?” marcou uma mudança profunda no caminho para a nova identidade que a banda passaria a solidificar nos próximos anos. O disco ampliou os limites do rock nacional ao incorporar reggae, dub, ska, ritmos afro-brasileiros e influências latino-americanas em uma sonoridade que ainda hoje permanece atual.
+Leia mais: Doce Maravilha 2026: horários, portões e como chegar
O disco que reinventou os Paralamas
Depois do sucesso de “Cinema Mudo” (1983) e “O Passo do Lui” (1984), que levaram a banda ao primeiro Rock in Rio em 1985 e transformaram “Óculos” em um hino dos anos 1980, o trio optou por não repetir a fórmula.
Em vez de seguir o caminho mais seguro, os Paralamas decidiram experimentar novas referências musicais. A parceria com o produtor Liminha foi determinante para essa transformação, aproximando a banda da música negra produzida no Brasil, no Caribe e na África.
Durante meses de ensaios antes das gravações, Herbert, Bi e João buscaram uma linguagem própria, deixando para trás a influência predominante da new wave britânica para construir uma identidade muito mais brasileira.
Um retrato do Brasil em transformação
As mudanças aconteceram também nas letras. Na casa dos vinte anos, os integrantes passaram a olhar com mais atenção para o país que encontravam durante as turnês nacionais.
As viagens pelo Norte e Nordeste ampliaram a percepção sobre as desigualdades brasileiras, refletidas em composições que abordam violência, racismo, pobreza, autoritarismo e identidade nacional sem abrir mão do apelo popular.
Lançado durante a redemocratização do Brasil, “Selvagem?” dialoga diretamente com o país do período pós-ditadura. Quatro décadas depois, muitas das questões levantadas pelo disco continuam atuais.
“Alagados” tornou-se um marco da música brasileira
A transformação da banda encontra sua síntese em “Alagados”. Musicalmente, a faixa aproxima referências da música africana, do reggae e de ritmos brasileiros como o carimbó. Na letra, Herbert Vianna troca os conflitos pessoais por um retrato contundente da desigualdade social.
Inspirada em autores como Gonzaguinha, Aldir Blanc e João Bosco, a composição se tornou um dos maiores sucessos da carreira do grupo e um dos principais retratos sociais da música brasileira dos anos 1980.
Outra faixa emblemática é “A Novidade”, parceria com Gilberto Gil, cuja letra contrapõe a festa e a fome em uma reflexão sobre as desigualdades do país.
Um álbum que abriu novos caminhos para o rock
Além dos sucessos radiofônicos, “Selvagem?” influenciou toda uma geração de artistas ao mostrar que era possível aproximar o rock da música brasileira sem perder força comercial.
A combinação entre dub jamaicano, ska, pop africano, MPB e rock criou um modelo que ampliou as possibilidades estéticas do gênero no Brasil.
O disco rompeu barreiras entre gêneros e antecipou movimentos que, anos depois, seriam explorados por cenas como o Manguebeat pernambucano e por diversas bandas interessadas em misturar rock, reggae, ritmos afro-brasileiros e música regional.
Clássicos que seguem nos shows
Boa parte das músicas que definem a trajetória dos Paralamas nasceu em “Selvagem?”. “Alagados”, “A Novidade”, “Melô do Marinheiro”, “Teerã”, “Selvagem”, “A Dama e o Vagabundo” e a releitura de “Você”, de Tim Maia, permanecem entre as canções mais lembradas do repertório da banda.
O show no Doce Maravilha será dedicado ao álbum, então é esperado que vários desses clássicos estejam no setlist, com a possibilidade de outros sucessos de diferentes fases da carreira.
Line-up do Doce Maravilha no domingo, 9 de agosto
Palco Corona
- 15h: Facchinetti
- 16h50: Falamansa convida Ruan Vitor Vaqueirinho
- 17h55: TropiCals
- 19h: Os Paralamas do Sucesso apresentam “Selvagem?” na íntegra, em celebração aos 40 anos do álbum
- 20h15: Nelson Motta e Lou Cascudo apresentam “Noites Tropicais DJ Set”
- 20h50: Caetano Veloso convida Emicida
Palco Bradesco
- 14h35: Nova Orquestra apresenta “Bloco do Eu Sozinho”
- 15h45: Academia da Berlinda celebra os dez anos de “Nada Sem Ela”, com participação de Louise
- 17h55: Sandra Sá comemora os 40 anos do álbum “Sandra Sá”, de 1986
Palco Deezer
- 16h: Rafa Canholato B2B Babi
- 18h30: Bia Marques
- 22h: Yasmin Vilhena
Data: 9 de agosto de 2026
Local: Jockey Club Brasileiro
Endereço: Praça Santos Dumont, 31, Gávea, Rio de Janeiro
Abertura dos portões: 14h
Classificação: 16 anos
Ingressos: Ingresse
Ouça Paralamas do Sucesso
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