
"Festa", de Ivete Sangalo, embalou a conquista de 2002 e cantora foi a musa da delegação do Brasil (Reprodução/Instagram)
Copa da Música: lembre músicas que marcaram os 5 títulos mundiais do Brasil
Relembre canções que ajudaram a contar as conquistas da seleção brasileira
A história do Brasil na Copa do Mundo também pode ser contada pela música. Em cada um dos cinco títulos mundiais da seleção brasileira, pelo menos uma canção ajudou a traduzir o clima do país, seja como hino de torcida, jingle de TV, samba de comemoração ou trilha repetida no vestiário.
O repertório vai de marchinhas e sambas feitos sob medida para celebrar os primeiros títulos a músicas que já existiam e foram adotadas pelo público ou pelos jogadores. Algumas viraram símbolos diretos da conquista. Outras ajudam a entender o contexto cultural e político em que o Brasil levantou a taça.
De Aldir Blanc a Zeca Pagodinho, a Billboard Brasil reuniu abaixo sete músicas ligadas aos cinco títulos mundiais da seleção brasileira: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. No tri e no penta, entram duas faixas, porque as conquistas tiveram mais de uma trilha forte no imaginário popular.
“A Taça do Mundo É Nossa” (1958)
O primeiro título mundial do Brasil, conquistado na Suécia, ganhou uma trilha que se tornou uma espécie de marco zero das músicas brasileiras de Copa. “A Taça do Mundo É Nossa”, gravada pelos Titulares do Ritmo, celebrou a vitória de uma seleção que tinha Pelé, Garrincha, Didi, Vavá e Zagallo. A canção nasceu com cara de hino popular: simples, direta e feita para ser repetida. Mais do que registrar a conquista, ajudou a fixar a imagem de um Brasil que passava a se reconhecer como potência no futebol mundial.
“Frevo do Bi” (1962)
Quatro anos depois, no Chile, o Brasil confirmou o bicampeonato e ganhou outra música de celebração direta: “Frevo do Bi”, na voz de Jackson do Pandeiro. A faixa tem o mérito de olhar para a seleção de 1962 com nomes próprios e ritmo brasileiro, citando o futebol de Mané Garrincha, Didi, Vavá e Pelé. Mesmo com Pelé lesionado durante a campanha, o Brasil manteve o título, e a música capturou o espírito de uma equipe que já não era surpresa: era a campeã do mundo defendendo sua coroa.
“Pra Frente, Brasil” (1970)
“Pra Frente, Brasil”, de Miguel Gustavo, é a música de Copa mais associada à seleção brasileira. A canção marcou o tricampeonato no México, quando o time de Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivellino, Gérson e Carlos Alberto Torres venceu a Itália na final e ficou no imaginário como uma das maiores equipes da história. A faixa também carrega um contexto inevitável: foi usada no ambiente ufanista da ditadura militar, o que faz dela, ao mesmo tempo, hino esportivo e documento de época no Brasil.
“Eu Te Amo Meu Brasil” (1970)
Também lançada em 1970, “Eu Te Amo Meu Brasil”, de Dom e Ravel, ficou conhecida na interpretação de Os Incríveis e se conectou ao mesmo clima nacionalista do tricampeonato. Ela não substitui “Pra Frente, Brasil” como música central daquele Mundial, mas funciona como uma segunda trilha do período. A canção ajuda a entender como a vitória da seleção foi absorvida por uma linguagem patriótica, otimista e alinhada à propaganda oficial da época.
“Coração Verde-Amarelo” (1994)
O tetracampeonato nos Estados Unidos teve em “Coração Verde-Amarelo” sua música mais lembrada no Brasil. A canção, de Tavito e Aldir Blanc, foi usada pela TV Globo na programação da Copa de 1994 e grudou no público durante a campanha de Romário, Bebeto, Dunga, Taffarel e companhia. Depois de 24 anos sem título mundial, o Brasil reencontrou a taça nos pênaltis contra a Itália, e o jingle virou parte da memória afetiva daquela Copa.
“Deixa a Vida Me Levar” (2002)
O pentacampeonato de 2002 teve uma música que parecia resumir a recuperação da seleção após uma classificação turbulenta: “Deixa a Vida Me Levar”, de Zeca Pagodinho. O samba, lançado naquele ano, foi adotado dentro da campanha e se tornou hino informal do título conquistado no Japão e na Coreia do Sul. A seleção de Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e Roberto Carlos venceu sete jogos em sete partidas, e a música traduziu o tom de alívio e confiança que cercou a conquista. É a canção mais forte do penta porque esteve ligada ao vestiário, aos jogadores e à narrativa da retomada.
“Festa” (2002)
Se “Deixa a Vida Me Levar” foi o hino de bastidor do penta, “Festa”, de Ivete Sangalo, foi a trilha da comemoração. A música cresceu a cada vitória do Brasil e virou som de celebração popular durante a Copa de 2002. Felipão também usava a faixa para animar os jogadores, e Ivete acabou ligada diretamente à trajetória da seleção do Brasil naquele Mundial.