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Morre Claudia Savaget, grande voz grave da MPB

Artista deixa cinco álbuns marcados pela voz grave e repertório refinado

Claudia Savaget na capa do disco "Mordida ou Beijo", de 1979 (Reprodução)

Claudia Savaget na capa do disco "Mordida ou Beijo", de 1979 (Reprodução)

Claudia Savaget, cantora conhecida pela voz grave e pela interpretação elegante de clássicos da MPB, morreu na segunda-feira (13), aos 78 anos. A informação foi confirmada pelo marido da artista, o violonista Luiz Otávio Braga, em comunicado publicado nas redes sociais. A causa da morte não foi divulgada.

Nascida em Petrópolis (RJ), em 1º de julho de 1948, Claudia Savaget Fiani iniciou a carreira artística cantando na boate Clube 85. Ao longo de três décadas, construiu uma discografia enxuta, mas respeitada, formada por cinco álbuns lançados entre 1974 e 2004.

Discografia valorizou grandes compositores da MPB

A estreia aconteceu com “Impacto”, lançado de forma independente em 1974. O álbum já apresentava uma característica que acompanharia toda a carreira da cantora: a escolha de obras de alguns dos principais compositores da música brasileira, como Chico Buarque, Edu Lobo e Torquato Neto.

Quatro anos depois, ela lançou “Samambaias”, trabalho que voltou a destacar composições de Chico Buarque, além de incluir músicas de Dorival Caymmi e a faixa-título assinada por Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho.

Uma das gravações mais marcantes do disco é “Maninha”, composta por Chico Buarque. Claudia registrou a canção como homenagem à irmã, que havia sido presa durante a ditadura militar.

Em 1979, chegou “Mordida ou Beijo”, título inspirado em um verso de “Sofrer”, parceria de Paulinho da Viola com José Carlos Capinan.

Já em 1985, a cantora lançou o álbum homônimo “Claudia Savaget”, no qual interpretou “Eu Te Amo”, parceria de Chico Buarque com Antonio Carlos Jobim, além de “O Que É Feito de Você”, de Cartola.

Cartola admirava sua voz

Durante a década de 1970, Cartola era um dos admiradores declarados da cantora e, segundo relatos da época, fazia elogios públicos ao timbre e à interpretação de Claudia Savaget.

Apesar do reconhecimento artístico, a cantora enfrentou dificuldades para manter espaço na indústria fonográfica a partir dos anos 1980. Desencantada com o mercado, reduziu as atividades musicais e permaneceu afastada por um longo período.

O retorno aconteceu apenas em 2004, com o lançamento de “Caminhando”, seu último álbum de estúdio. No disco, Claudia registrou uma interpretação de “Até Pensei”, de Chico Buarque, que sintetiza o estilo intimista e a profundidade vocal que marcaram sua trajetória.

Com cinco discos lançados ao longo de 30 anos, Claudia Savaget deixa um legado discreto, porém relevante, para a história da MPB, reconhecido pela elegância das interpretações e pela valorização do cancioneiro brasileiro.

Ouça Claudia Savaget