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Feyjão fala sobre suas raízes na música preta brasileira e exalta Djavan

Artista carioca fala sobre influências e o álbum 'Passageiro do Bem'

Feyjão (divulgação)

Feyjão (divulgação)

“Para existir o novo, alguém precisou começar, alguém precisou construir essa base.” A frase resume a forma como Feyjão enxerga sua própria música. Nascido e criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o artista constrói uma obra apoiada na tradição da música preta brasileira e reforça, em entrevista, a importância de honrar quem veio antes dele.

“Eu acredito muito em respeitar quem veio antes, em reconhecer quem abriu caminho para que a gente pudesse estar aqui hoje fazendo música. A gente carrega essas histórias, essas sonoridades, essa ancestralidade, e isso precisa ser honrado dentro do que a gente faz hoje”, afirma Feyjão.

A sonoridade do artista transita entre MPB, R&B, reggae, samba, ijexá e pop. Mais do que uma mistura de estilos, essa construção reflete um processo criativo guiado pela escuta e pela vivência de Feyjão. “Minhas referências são muitas, são múltiplas, e passam por muitos lugares, mas têm uma base muito forte na música preta brasileira”, conta.

Entre os nomes que ele cita como influência estão Tim Maia, Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Cartola, Martinho da Vila, Jorge Aragão, Milton Nascimento e Luiz Melodia. Feyjão também escuta artistas contemporâneos, como Seu Jorge, Raça Negra e Thiaguinho, além de nomes da nova geração, como Marina Sena e Luedji Luna. “Tudo isso vai formando o meu repertório e a minha forma de criar”, diz.

Feyjão e Gilberto Gil (divulgação)
Feyjão e Gilberto Gil (divulgação)

Entre todas essas referências, uma se destaca para Feyjão: Djavan. “O Djavan é a minha maior referência, sem dúvida. Eu admiro muito essa liberdade que ele tem de não se prender a um gênero, de fazer uma música que nasce de várias inspirações ao mesmo tempo. Cada canção dele parece vir de um lugar diferente, e isso me inspira muito a não me limitar”, afirma o artista.

Essa forma de pensar aparece diretamente nas canções de Feyjão, que abordam amor, resistência e espiritualidade sem abrir mão de uma identidade sonora própria. Mais do que seguir tendências, o artista constrói uma linguagem ao longo do tempo, resultado do acúmulo de referências e experiências que atravessam gerações.

Recentemente, Feyjão lançou o álbum “Passageiro do Bem”, dividido em duas partes. O lado A traz participações de nomes importantes do samba, como Zeca Pagodinho, Xande de Pilares e Mart’nália, reforçando a conexão de Feyjão com o gênero. Já o lado B mostra outra faceta do artista, que mistura diferentes estilos da música brasileira.

Ouça os maiores sucessos de Feyjão