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Leci Brandão e Rappin’ Hood: show inédito no Doce Maravilha

Parceiros desde os anos 1990 dividem um espetáculo inteiro pela primeira vez

Leci Brandão e Rappin' Hood: show inédito no Doce Maravilha (Divulgação)

Leci Brandão e Rappin' Hood: show inédito no Doce Maravilha (Divulgação)

Leci Brandão e Rappin’ Hood vão levar ao Doce Maravilha 2026 algo que a parceria de décadas entre sambista e rapper ainda não tinha produzido: um show inteiro dividido pelos dois. O encontro está marcado para sábado, 8 de agosto, no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, dentro da quarta edição do festival.

Os dois já se encontraram muitas vezes em gravações, programas de TV, shows e participações especiais. O marco mais conhecido dessa relação é “Sou Negrão”, faixa de Rappin’ Hood com participação de Leci Brandão, lançada no álbum “Sujeito Homem”, de 2001. Mas, segundo o rapper, o formato preparado para o Doce Maravilha é diferente.

“Eu nunca tive essa oportunidade de fazer um show juntamente com ela. Já fizemos muitos tipos de parceria: no meu show ela de convidada, no show dela eu de convidado. Mas dividir um show realmente é algo que a gente nunca fez”, diz Rappin’ Hood à Billboard Brasil.

A apresentação entra na proposta do Doce Maravilha de criar encontros inéditos e projetos pensados para o festival. Em 2026, a programação também terá Caetano Veloso convidando Emicida, Paulinho da Viola convidando Maria Bethânia.

“Foi como se ela assinasse meu diploma”, diz Rappin’ Hood

A relação de Rappin’ Hood com Leci começou em 1999, quando os dois eram artistas da gravadora Trama. Para ele, cantar com a sambista foi um ponto de virada na carreira.

“Cantar com a Leci, para mim, foi o início de tudo. Eu já fazia rap antes e já fazia rap com samba também. Mas, quando eu cantei com ela, foi como se ela assinasse o meu diploma de graduação, como se autenticasse a minha identidade”, afirma o rapper.

Rappin’ Hood também diz que a parceria teve impacto fora do palco. “Ela me ajudou muito num momento difícil da minha vida, de muita luta, muita perseverança. Ela me deu essa colher de chá de gravar com ela, de poder trabalhar com ela.”

Leci retribui a admiração. Para a artista, o vínculo com Rappin’ Hood passa pela música, mas também pela trajetória pessoal e política do rapper.

“Para mim é sempre um prazer, todas as vezes que tenho a oportunidade de cantar ou dividir palcos com ele. Mas é a questão da pessoa. Ele vem de uma origem humilde, mas é um compositor que tem noção exatamente da vida das pessoas com quem convive, de onde nasceu e do que construiu”, diz Leci.

Samba e rap sem fronteira

A dupla chega ao Doce Maravilha num momento em que as fronteiras entre gêneros parecem menos rígidas na música brasileira. O próprio festival coloca no mesmo cartaz encontros entre samba, rap, MPB, axé, rock, forró e música orquestral. Para Leci, essa mistura não é uma concessão recente, mas um princípio.

“É muito ruim quando você começa a separar a cultura assim: essa cultura aqui é do povo preto, essa aqui é do povo branco, essa aqui é da favela, a outra é da praia. Não é por aí”, afirma. “À proporção que o mundo vai caminhando, você vê que são mais braços abertos para abraçar outras pessoas. Se a gente não tiver essa comunhão de ideias, as coisas ficam mais difíceis.”

Rappin’ Hood vê a parceria com Leci como parte de um caminho aberto por artistas que aproximaram rap, samba e música popular brasileira antes de essa conversa virar regra no mainstream.

“Alguém teve que tomar essas pedradas. Alguém teve que abrir esse caminho”, diz. “A gente com certeza tomou algumas pedradas por ter iniciado essas junções do hip-hop, do rap, com o samba, com a música popular brasileira. Hoje eu percebo que acabou virando uma tendência.”

“Sou Negrão” e uma parceria que segue atual

“Sou Negrão” deve ser um dos pontos centrais do show. A música, lançada no início dos anos 2000, virou uma síntese da aproximação entre rap e samba na obra de Rappin’ Hood. Para Leci, a faixa continua atual porque não trata apenas de estilo musical.

“É uma letra que não fala só da questão da cultura, mas principalmente das pessoas. O valor cultural de cada pessoa que ele cita nessa letra é muito importante. Conta a história da música popular brasileira, do samba e também do hip-hop”, diz a artista.

A sambista também vê no rap uma continuidade de temas que sempre atravessaram sua obra: periferia, racismo, educação, violência policial, desigualdade e dignidade. “Essa turma do rap, do hip-hop, tem uma coisa de que eu gosto muito: eles têm opinião definida, falam da realidade da sua comunidade, da luta que o pobre tem que enfrentar, da falta de oportunidade.”

Leci resume sua própria forma de compor de maneira direta: “Eu escrevo muito a vida. E essa vida pode ser a vida da rua, pode ser a vida da favela, pode ser a vida da prisão”.

Como será o show de Leci Brandão e Rappin’ Hood no Doce Maravilha?

O repertório final ainda está em montagem, mas a ideia é que os dois dividam uma banda em comum. Rappin’ Hood diz que o processo tem sido natural pela convivência antiga entre os artistas e os músicos.

“Vai ser realmente uma banda em comum. A gente está montando esse repertório. Mas uma coisa legal é que está sendo bem fácil, pela nossa amizade, pela parceria. Os músicos dela também são meus amigos, assim como a minha rapaziada também é amiga dela e dos músicos dela”, conta.

Leci diz que o entrosamento dispensa muita explicação. “Com o Rappin’ Hood eu não preciso nem ensaiar, porque a gente já se conhece. Ele conhece o meu repertório, eu conheço o repertório dele.”

O encontro pode render também uma nova etapa em estúdio. Segundo Rappin’ Hood, os dois têm uma música inédita para gravar.

Para ele, o show no Rio pode ser o começo de uma circulação maior da parceria. “Estou na expectativa de ver como vai ser a recepção desse show. Acredito que pode dar super certo e, de repente, a gente fazer mais vezes. Quem estiver lá vai ter a oportunidade de ver uma parceria já de longa data, um show que pode surpreender.”

Serviço: Doce Maravilha 2026

Quando: 7, 8 e 9 de agosto de 2026
Show de Leci Brandão & Rappin’ Hood: sábado, 8 de agosto
Onde: Jockey Club Brasileiro, Rio de Janeiro
Endereço: Praça Santos Dumont, 31, Gávea, Rio de Janeiro
Vendas: Ingresse