‘Odeio que sintam pena de mim’, diz Jão sobre o período de luto
Popstar paulista supera a perda do pai e lança 'Memórias Póstumas'

O cantor Jão (Hudson Rennan)
No início de 2025, Jão anunciou que daria uma pausa na carreira. A justificativa, segundo ele, é que desde 2018, quando estreou no mercado com “Lobos”, que não tinha tempo para si. Mas o destino foi cruel com este cantor e compositor, nascido há 31 anos em Américo Brasiliense (São Paulo). No dia 03 de junho de 2025, Carlos Alberto Balbino, pai de Jão, morreu vítima de uma arritmia cardíaca. “É bem complicado porque a gente não sabe exatamente como e por que aconteceu. É um assunto muito delicado para todos nós”, diz o cantor, em entrevista exclusiva à Billboard Brasil.
A temporada de descanso foi sucedida por um período de reclusão, no qual Jão foi impiedosamente fotografado barbudo e fora de forma. O que pensou sobre esse assunto, justamente ele que sempre agiu de modo discreto? “A coisa que mais senti é que odeio que sintam pena de mim. Eu tenho um grande pavor sobre isso, sim. Deve ser algum lugar da infância que eu tive que provar minha coragem ou iria conseguir fazer as coisas… Quando essas fotos saíram, eu realmente li muito pouco assim, eu realmente não quis saber”, prossegue.
O pai de Jão, de certa maneira, funciona como arco narrativo de “Memórias Póstumas”, novo trabalho do popstar, que chegou às plataformas de streaming na noite de domingo e foi precedido por uma badalada audição no Vale do Anhangabaú, disputando espaço e decibéis com a ópera “Tristão e Isolda”, do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), encenada no Theatro Municipal –e por alguns instantes, o pancadão dos beats do disco se intrometeu no meio do conto de amor dos personagens da ópera.
Balbino surge como citação em na canção de abertura, “Catedral”, e na faixa que dá título ao disco, onde inclusive escuta-se a voz do pai de Jão – recurso que também se faz presente em “No Começo de um Amor”. “Nunca mais vou ouvir essas músicas. O que me soou e é engraçado porque quando eu decidi colocar esses áudios instaurou-se um clima na produção do disco. Sempre que a gente ia mexer nessa música todo mundo falava: ‘Ó, fica tranquilo, a gente tirou os áudios para mexer na música, mas depois vamos recolocá-los.’ Foi uma maneira que encontrei para honrar meu pai, que era meu maior incentivador”, comenta.
“Memórias Póstumas” é um trabalho de catorze canções, sendo que treze foram compostas por Jão e seu parceiro de trabalho e de vida, Pedro Tófani. “O disco traz muito da nossa vida, nasceu para ser um registro da nossa vida. Não tinha como outra pessoa escrever junto com a gente”, explica o cantor. “Deixei que o Pedro entrasse num espaço do disco que eu não deixaria mais absolutamente ninguém permanecer. Pela nossa confiança, história, pelo quanto eu sou grato ao nosso trabalho juntos e quanto a gente se entende e quanto o que nós temos é muito raro assim.
Tófani, por sua vez, assina sozinho “João”, uma música que é praticamente uma declaração de amor.
“Ela foi mostrada num pedaço de papel e o que você escuta sou eu tentando criar uma melodia que se encaixasse na letra. E foi isso. Nunca mais nos falamos sobre essa música. É um quase um combinado não verbal nosso de o que está ali na música, a gente conversa na música. Depois a gente não se pergunta mais nada que é uma maneira de preservar os nossos outros assuntos”, diz.
Como letrista, Jão compartilha muito do cotidiano com sua base de fãs –sempre fez isso, claro, mas em “Memórias Póstumas” isso acontece de um modo mais explícito. “Acho mais beleza no detalhe, no cotidiano, no dia-a-dia. Se estou comendo pão, falo sobre o pão, se estou bebendo leite, falo sobre o leite. Porque isso já é bonito por si só. A palavra pão é bonita, a palavra padaria é bonita, a palavra casamento é bonita, a palavra nariz é bonita. Eu não tenho o que dizer nariz falando os orifícios do meu rosto que cheiram. Amo fazer isso também, amo encontrar novas formas de falar sobre coisas cotidianas”, explica.
“Mas neste álbum eu estava obcecado em falar as coisas como elas realmente são, o que refletiu bastante nas letras. Era um compromisso meu de poder ser honesto e cru nas letras que eu sempre deixei claro para meus fãs que eu seria e que essa seria a minha forma de me expor. Acabou acontecendo e eu respeitei que isso acontecesse”, conclui.
Musicalmente, é um trabalho diversificado, que traz desde composições inspiradas na música indiana e até um mellotron, instrumento muito utilizado no rock progressivo. “Eu gosto de desafios”, diz Jão, que além de Zebu trabalhou com a dupla de produtores Janlusca e Gabriel Duarte (colaboradores de “Coisas Naturais”, de Marina Sena), e até Marco Mazzola, conhecido por, entre outros, trabalhos ao lado de Simone e Elis Regina. “Tenho a sorte de trabalhar com essas pessoas que se importam absolutamente muito com tudo. Senão eu enlouqueceria”, complementa o cantor.
O próximo passo de Jão é o retorno aos palcos. No dia 25 de setembro ele se apresenta no Nubank Parque, um dos terrenos que o viu tocar o repertório de “Superturnê”. “Teremos um palco de 360 graus no meio do estádio, que era uma coisa que eu queria muito fazer desde a turnê passada. É um novo desafio para mim”, encerra o cantor.

Ouça ‘Memórias Póstumas’, de Jão
TRENDING
- Veja a agenda de shows internacionais no Brasil em 2026 18/07/2026
- Gigantes do K-pop anunciam festival de 11 dias na Coreia do Sul 27/07/2026
- YOUNITE anuncia turnê por oito cidades do Brasil em setembro 27/07/2026
- ‘Meu Nome é Preta’: 2º episódio revela maternidade e transição para a música 27/07/2026
- Stray Kids planeja lançar 17 músicas inéditas antes do Rock in Rio 27/07/2026