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Livro de integrante do Buraka Som Sistema será adaptado para o cinema

Músico angolano toca no Coala Festival no dia 12 de setembro

Kalaf Epalanga (Divulgação)

Kalaf Epalanga (Divulgação)

O escritor e músico angolano Kalaf Epalanga, integrante e cofundador do Buraka Som Sistema, terá o romance “Também os Brancos Sabem Dançar” adaptado para o cinema. Publicado originalmente em Portugal em 2017 e lançado no Brasil pela editora Todavia no ano seguinte, o livro será levado às telas pela produtora portuguesa Wonder Maria Filmes, com roteiro assinado pelo próprio autor em parceria com a cineasta Fernanda Polacow. A produção está prevista para 2028.

A adaptação cinematográfica chega em um momento de retomada da trajetória musical de Kalaf. Em setembro, ele volta ao Brasil com o Buraka Som Sistema para uma apresentação no Coala Festival, no Memorial da América Latina, em São Paulo, no dia 12 de setembro. O show integra a atual turnê do grupo, que retomou as atividades em 2026 após uma década de pausa.

+Leia mais: Coala Festival revela programação paralela com Rubel e Tom Zé

 

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Formado em Lisboa em 2006, o Buraka Som Sistema ajudou a projetar o kuduro e outras sonoridades afro-eletrônicas para além de Angola e Portugal. A formação original reúne Kalaf, Branko, Blaya, Conductor e Riot, que voltaram aos palcos neste ano. A apresentação no Coala será a única da turnê atual na América do Sul.

A história do grupo também está no centro de “Também os Brancos Sabem Dançar”. O romance acompanha um músico angolano em Lisboa e percorre temas como migração, identidade, memória e transformação cultural, tendo a cena musical da capital portuguesa como parte fundamental da narrativa.

Entre Angola, Portugal e Brasil

A relação de Kalaf com a música começou antes da literatura ocupar espaço central em sua produção. Com o Buraka Som Sistema, ele participou de uma experiência que aproximou o kuduro angolano da música eletrônica, do dancehall e de outras linguagens das pistas, ajudando a criar uma sonoridade associada ao chamado kuduro progressivo.

O grupo lançou três discos: “From Buraka to World” (2006), “Black Diamond” (2008), “Komba” (2011) e “Buraka” (2014). Em 2008, venceu o MTV Europe Music Awards na categoria Best Portuguese Act, reconhecimento que ajudou a consolidar sua presença no circuito internacional.

A experiência musical de Kalaf, no entanto, não se limita ao palco. Ele é cofundador da Enchufada, editora criada em Lisboa em 2006, e também atua na produção executiva de trabalhos de artistas como Dino d’Santiago e Toty Sa’Med.

A literatura surgiu como outra forma de investigar as mesmas questões que atravessam sua trajetória musical. Em “Também os Brancos Sabem Dançar”, Kalaf parte de uma experiência ligada à vida de um músico angolano em Portugal para construir uma narrativa sobre deslocamento, pertencimento e os encontros provocados pelas migrações.

No Brasil, também publicou “Minha Pátria É a Língua Pretuguesa: Crônicas”, lançado pela Todavia em 2023. A obra parte do conceito de “pretuguês”, neologismo criado pela intelectual brasileira Lélia Gonzalez, para refletir sobre linguagem, identidade negra e produção cultural.

Um escritor em trânsito

Kalaf também é autor de “O Angolano que Comprou Lisboa (por Metade do Preço)” (2014) e “Estórias de Amor para Meninos de Cor” (2011), publicados em Portugal. Sua produção literária mantém uma relação direta com questões de território, memória e diáspora africana.

Radicado em Berlim, o escritor e músico ampliou essa atuação para a curadoria e a pesquisa cultural. Ao lado de Nástio Mosquito, é cofundador do Kizomba Design Museum, plataforma dedicada à preservação e à reinterpretação da kizomba como fenômeno social, político e estético.

Kalaf também desenvolve projetos de curadoria em eventos como o Coala Portugal, o Berlin African Book Festival e o Africa Writes, em Londres. Seu trabalho passou a ocupar um espaço entre diferentes campos, da música à literatura, passando pelas artes visuais e pela pesquisa sobre cultura africana.

É nesse trânsito entre Angola, Portugal, Brasil e outros territórios da diáspora que sua obra se organiza. A música abriu caminho para uma investigação que hoje também passa pelos livros, pela curadoria e pelo cinema. Em 2028, “Também os Brancos Sabem Dançar” acrescentará mais uma linguagem à trajetória de Kalaf Epalanga.

Ouça Buraka Som Sistema