Gol de Viola. E surge a maior market place de camisa de futebol do mundo
Conheça a Alambrado, empresa que conta com 7263 peças raras em seu acervo

As camisetas da seleção brasileira de 1994, usada na capa de Billboard Brasil (Felipe Alberto)
No dia 31 de julho de 1988, o Corinthians tornou-se campeão paulista ao derrotar a equipe do Guarani no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas. Foi uma vitória milagrosa – a equipe do interior tinha um elenco muito superior – e que acabou transformando o então franzino Viola no herói da partida. Na Vila Albertina, zona norte da capital, Cássio Brandão, pirralho de 6 anos de idade, acompanhou o desenrolar da decisão, na qual torceu desesperadamente. Mal desconfiava ele que essa paixão se tornaria o seu meio de vida.
Brandão é proprietário da Alambrado Futebol e Cultura, maior marketplace de camisas de futebol do mundo. São mais de 7.263 mil peças, sendo que 1.700 apenas do Corinthians. Aliás, os mantos usados por Zeca Pagodinho, Romário e Bebeto no ensaio dessa edição da Billboard Brasil são da Alambrado. “Não são os mesmos utilizados por Romário e Bebeto, mas pertencem ao uniforme da seleção naquele período” , diz Brandão, em entrevista exclusiva à revista.
Brandão, que também lançou “Manto Alvinegro”, livro que documenta as cem camisas mais importantes da história do Corinthians, ressalta que um dos objetivos da empresa é justamente preservar a memória esportiva do país. “A gente quer contar a história do futebol do país através desses acervos”, comenta. Uma das estratégias de divulgação da Alambrado está justamente no empréstimo de peças da coleção para personalidades. Por exemplo, em 2023 ele emprestou um agasalho da seleção brasileira de 1994 para o piloto automobilístico Lewis Hamilton (o material foi o eleito em meio a ofertas que incluíram uma camisa usada por Pelé em 1970 e até o uniforme de Ronaldo Giovanelli, ex-arqueiro do Corinthians). “Lembro que as pessoas até iniciaram uma campanha para dar um passaporte brasileiro ao Hamilton”, diz Brandão, sem esconder a satisfação.
Em fevereiro deste ano, a Alambrado marcou outro golaço ao emprestar a Bad Bunny o agasalho da seleção brasileira de 1966, de uma coleção que pertenceu a Pelé. A ideia surgiu por conta da canção “Monaco”, na qual o rapper tem o verso “é como meter um gol depois de Messi e Maradona”. No Brasil, Messi foi trocado por Pelé. “Um produtor de moda me procurou e numa cocriação muito cuidadosa com a história do futebol, tivemos essa conexão”, diz Brandão, que enviou outras pérolas para a escolha do astro. “Dois itens eram do Rei, o de 1958 e o de 1966, e a camisa reserva da seleção da Copa de 1978.”
O empresário possui uma rede de colaboradores formada por ex-roupeiros e funcionários dos clubes, além de atletas que por uma ou outra razão querem se desfazer de itens da sua história. Brandão não fala em valores, mas comenta que chegaram a pagar milhões de libras num leilão (a despesa não foi dele, que fique bem claro) por uma camiseta de Maradona.
A ideia da Alambrado é procurar novos sócios, que entendam as necessidades da empresa, mas também tenham um amor legítimo pelo futebol. E, nesse caso, há emoções que não há dinheiro no mundo que dê jeito. Tempos atrás, Brandão mostrou a Basílio, o “pé de anjo”, aquele que fez o gol do título do campeonato paulista de 1977 para o seu Corinthians, a camisa que vestiu naquela noite. “Ele chorou copiosamente”, comenta o menino de Vila Albertina. Situações como essa, a exemplo do anúncio daquela marca de cartão de crédito, “não têm preço”.
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