50 anos não são 50 dias: Fundo de Quintal celebra ser referência no samba para nova geração
Em entrevista no ARVO Festival, grupo avaliou mudanças na formação

Fundo de Quintal no ARVO Festival 2026 (Divulgação/Toia Oliveira)
Cinquenta anos não são 50 dias. No caso do Fundo de Quintal, a conta pesa ainda mais porque envolve uma instituição do samba brasileiro. Surgido nas rodas do Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, o grupo ajudou a dar forma ao pagode como linguagem própria, com o uso de instrumentos como tantã, repique de mão e banjo com braço de cavaquinho.
Em 2026, o Fundo de Quintal segue a celebração das cinco décadas de trajetória e levou essa história ao ARVO Festival, em Florianópolis, no dia 16 de maio. A apresentação reuniu clássicos, roda, coro do público e a formação atual, com Sereno, Ademir Batera, Júnior Itaguay, Márcio Alexandre e Tiago Testa.
Mesmo com mudanças na formação ao longo dos anos, o Fundo de Quintal mantém uma sonoridade imediatamente reconhecível. Para o grupo, a resposta está em respeitar uma construção coletiva. “Quem se atreve a mexer em receita que deu certo, né? É a soma da qualidade de cada integrante. Cada um chega com a sua contribuição, mas respeitando essa história. É isso que mantém a pegada do Fundo de Quintal”, disse Sereno à Billboard Brasil.
Fundo de Quintal e o pagode como referência
A influência do Fundo de Quintal vai além do repertório. O grupo está ligado à consolidação de uma estética que marcou o samba das rodas suburbanas e abriu caminho para boa parte do pagode que veio depois. O Dicionário Cravo Albin classifica o conjunto como um dos criadores de um estilo que influenciou praticamente todas as bandas de pagode posteriores.
No ARVO, essa herança apareceu também como ponte geracional. Em um festival de line-up diverso, com nomes como João Gomes, BaianaSystem, Gilsons, Duquesa e Carol Biazin, o Fundo de Quintal ocupou o palco como o “decano” da programação. Perguntado sobre o lugar de referência para artistas mais jovens, o grupo tratou a posição como responsabilidade, mas sem discurso solene demais.
“O agradecimento é muito grande ao homem lá de cima, que nos deu essa força e mantém essa pegada que a gente costuma fazer para agradar o público. É uma responsabilidade, mas também uma alegria ver essa história continuar e chegar em outras gerações”.
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