‘Existe vida além dos algoritmos’, diz criador do festival Rec-Beat
O evento, que comemora 30 anos em 2026, revela talentos do universo pop

Chico Chico, atração da edição 2026 do Rec-Beat (Hannah Carvalho/ Divulgação)
O Rec-Beat é uma jóia cercada de Carnaval por todos os lados. Criado pelo agitador cultural Antonio Gutierrez, o Gutie (que este que vos digita conheceu como empresário do mundo livre s/a, da primeira geração do manguebit, e depois à frente do Cordel do Fogo Encantado), o evento tem se notabilizado por trazer nomes que não circulam tanto pela mídia, que tocam para uma platéia atenta e participativa. Muitos deles, aliás, saem dali para grandes públicos. O Rec-Beat bancou, por exemplo, as apresentações de Liniker e Karina Buhr, que mais tarde se tornaram referência do showbiz nacional.
O ano de 2026 marca o aniversário de 30 anos do festival, que é gratuito e sai do papel graças ao empenho de Gutie. O Cais da Alfândega, palco do Rec-Beat, recebeu desde o folk/blues/MPB de Chico Chico (um canditado natural ao estrelato) ao brega erótico de Johnny Hooker, que comemorou duas décadas de trajetória musical. A escalação conta ainda com nomes internacionais, completamente fora do óbvio, que são saudados pelo público –caso do Moma Maiga Quartet, do Senegal, que traz um combinação de música africana e jazz, e o DJ FAIZAL MOSTRIXX, de Uganda, mestre nos experimentos eletrônicos.
Gutie deu uma entrevista para a Billboard Brasil, na qual fala de seus critérios de curador e dos desafios que enfrenta ano a ano para fazer um Rec Beat de qualidade (cujo último dia traz Zé Ibarra, Felipe Cordeiro e o grupo colombiano Ghetto Kumbé).
Como é manter um festival por 30 anos? Como lida com as questões das verbas e patrocínios em si?
O maior desafio do Rec-Beat é manter a gratuidade. Ela é um aspecto muito importante do Festival, porque o torna um evento mais inclusivo. Percebemos que muitas pessoas que vêm assistir às atrações do Rec-Beat não teriam acesso a elas de outra forma; não teriam como comprar um ingresso, por exemplo. Manter a gratuidade é, portanto, um desafio no sentido de preservar um festival democrático, aberto e inclusivo, como ele sempre foi desde o início.
No que diz respeito ao patrocínio, passamos o ano inteiro trabalhando nisso; é uma preocupação constante. Nos últimos anos, profissionalizamos bastante o nosso processo de captação, mas é sempre muito difícil. A dificuldade enfrentada por eventos independentes é bem conhecida, e conosco não é diferente. No entanto, temos conseguido avançar. Contamos com o patrocínio master da Prefeitura do Recife, além da Fundarpe e do governo do estado de Pernambuco. Este ano, temos a Uninassau e o Banco do Nordeste, ambos via Lei Rouanet. Também contamos com instituições internacionais, como o apoio do Ibermúsicas e da Funarte, que viabiliza a vinda de artistas internacionais, e parcerias com consulados, como o da Alemanha no Recife. É essa malha e essa rede de apoios que construímos para viabilizar o festival.

Quais os critérios de seleção dos artistas do lineup?
O critério de seleção do Rec-Beat não difere muito do que construímos desde o início. O que mudou ligeiramente é que, no começo da década de 1990, tínhamos um foco muito forte na cena local de Pernambuco, o manguebeat. Com o tempo, passamos a olhar para outras regiões do Brasil e logo expandimos para a América Latina e África. Hoje, nossa programação reflete essa pesquisa: buscamos o que acontece no Brasil e suas tendências, mas também olhamos para os nossos vizinhos latino-americanos e para a África, com quem temos uma imensa influência cultural, mas para quem ainda olhamos pouco. O Rec-Beat é esse recorte: Brasil, América Latina e África, sempre surpreendendo o público com algo transformador. O festival é uma plataforma para os artistas ampliarem seu público e para que o público amplie seu repertório. Oferecemos uma experiência única, que traz frescor à programação e resulta na renovação constante da nossa audiência.
Qual a mensagem que o Festival quer passar às futuras gerações? O público do Rec-Beat está mudando?
A mensagem que queremos passar é que existe vida e conteúdo além dos algoritmos. Existem produções originais que merecem ser conhecidas e absorvidas. Sobre o nosso público, percebo que temos uma grande capacidade de renovação. Hoje, a faixa etária do Rec-Beat é muito jovem, o que mostra que o conceito da curadoria está dialogando com as novas gerações. Isso é fundamental, pois essas gerações trazem outras referências e vêm de outros lugares. O Rec-Beat continua abrindo esse diálogo, o que garante ainda mais a longevidade do projeto. Chegamos aos 30 anos de festival com essa característica e, por isso, acredito que ainda temos muitos anos pela frente.

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