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‘Eu amo a energia do caos’: Ebony e a diss que abalou o frágil mundinho do rap BR

Música feita pela MC critica fãs. E ela adianta que não vai parar.

Ebony

Ebony (Divulgação/Felipe Gomes)

“Acho que você não tem noção do impacto que isso aqui vai gerar”. Foi esse o aviso que a rapper Ebony recebeu da produtora LARINHX ao terminar a faixa “Espero Que Entendam“.

Lançada na última quarta-feira (15), a diss provocou o caos no mundinho do rap nacional. E, quem tinha que entender, entendeu.

Na cultura hip hop, diss é um termo usado para canções feitas com o propósito de atingir uma outra pessoa ou grupo.

“Eu queria atingir esses caras [fãs] que só estão olhando para homem. Vi na minha atitude uma forma de olharem para mim. E falar dos homens gerou esse resultado porque eles parecem intocáveis”, disse Ebony, em entrevista para Billboard Brasil.


A MC acredita que a repercussão é uma prova que o objetivo foi atingido com sucesso. Inclusive com a demonstração de passividade dos seus colegas.

Depois de uma canção tão forte, é comum que a resposta venha por meio de uma música ainda mais ácida. Porém, nomes como Djonga, L7NNON e Filipe Ret foram só elogios.

“Sei que a resposta na caneta faz parte, mas eles entenderam que não foi pessoal, não estava falando de um deles em específico. Minha parada é sobre a cena. Não tem o porquê responderem, ficou algo que quem acompanha entendeu, gerou uma reflexão. Mas se quiser responder também, só vem. Eu faço a minha resposta depois, está tudo certo”.

Da lama ao caos

No dia 13 de novembro, Ebony foi ao Twitter (agora X) e afirmou que iria “matar” alguns MCs homens na caneta.

As respostas para sua postagem deram a certeza para a MC de que aquela ideia deveria virar música. Ela então correu pro estúdio da LARINHX, pegou um beat e fez parte da composição de freestyle.

“É no mínimo respeito o que quero. Ódio vou receber de qualquer forma, então decidi tirar o melhor para minha carreira. Foi daí que decidi fazer essa diss“.

A escolha dos MCs citados tem a ver com o seu histórico na cena, pessoas que ela admira o trabalho e um outro fator que a MC preferiu não revelar.

No fim das contas, ela queria era colocar o dedo na ferida e bagunçar a p*** toda.

“Eu gosto muito da energia do caos, porque depois dela você precisa se reorganizar”.

Rimo igual Nick

2023 foi um ano onde MCs como Duquesa, Slipmami, N.I.N.A., MC Luanna e outras tantas conseguiram destaque por trabalhos que fogem do marasmo, além de números expressivos, o que também é importante.

Porém, isso não foi suficiente para chamar a atenção de grandes nomes masculinos da cena. Entre os homens, as parcerias são abundantes. Mas na hora de chamar uma mina…

“Só de estarmos falando sobre isso já é um absurdo. Pensa: isso deveria ser algo natural, não tinha que ter cobrança. Mas esses caras vivem juntos, só no mundinho deles. Parece que quando um vai no banheiro o outro que segura”.

A missão de Ebony era produzir uma diss que atingisse o público, não os artistas. Era algo que levantasse a discussão do baixo engajamento dos fãs com as MCs mulheres.

Para isso, a cantora fez um paralelo com o cenário norte-americano. “A Nick Minaj, por exemplo, fez uma diss para os caras da mesma época dela. Acho que a gente faz muita coisa aqui no Brasil depois que deu certo lá [EUA]. Se eu não fizesse, outra MC faria. Era uma oportunidade meio evidente”.

“Uh, mata ele”

A frase acima faz parte das batalhas de rima, e costuma ser gritada pelo público para provocar animosidade entre MCs. A troca de ofensas, com certo padrão de civilidade, é algo normal no rap.

Ebony reforça que sua intensão não era ofender nenhum de seus colegas. Para isso, ela usa o exemplo de L7NNON. Na sua canção, ela diz:

E o L7 que me espere porque, porra, mano / Ainda nem me decidi se tu é preto ou branco

Os dois são amigos de longa data e o que está na canção foi tema de conversa anterior entre eles.

“Estávamos numa festa na Barra [da Tijuca, bairro do Rio de Janeiro] e começamos a conversar sobre essa questão de raça. Eu perguntei como ele se identifica e ele ainda brincou, perguntou o que eu achava que ele era. Foi exatamente o que está na letra”.

De onde eu venho tem mais

Ebony não quer ser levada tão a sério. Seus ataques são direcionados aos fãs da manutenção de um mercado machista. E sua música faz parte de um jogo de cena em prol da revolução.

No “game”, como alguns rappers denominam o mercado do rap, você tem que estar preparado para atacar e se atacado nas rimas. A diferença está em quem produz os melhores versos.

Mas se engana que pensa que a caneta da MC está guardada.

“É o sonho de todas nós [mulheres] fazer uma música chutando o balde, falando que fulano não paga pensão, meter o louco mesmo. Eu não vou dar sossego. Se depender de mim, vou colocar todo mundo para trabalhar. Eles vão ter que rimar como uma garota, sem nenhuma linha mediana”.