Dia do Rap: Rock in Rio se reafirma como vitrine do gênero
Billboard Brasil conversa com rappers que estarão no festival em 2026

GBZ7N, Major RD, Caio Luccas e Criolo representam o rap no Rock in Rio (Divulgação)
No dia 6 de agosto, é celebrado o Dia Nacional do Rap. O objetivo é reconhecer a importância do gênero como expressão artística, cultural e social, valorizando sua contribuição para a cultura brasileira, especialmente nas periferias urbanas. E é justamente com esse mesmo objetivo que o Espaço Favela, um dos palcos principais do Rock in Rio, foi criado.
Ao longo dos anos, o rap se consolidou no Brasil e no mundo como uma ferramenta de denúncia, resistência e afirmação de identidades, abordando temas como desigualdade social, racismo, violência, educação e direitos humanos.
São essas pautas que serão levadas ao festival que começa no próximo dia 4 de setembro, com rappers como GBZ7N, Caio Luccas, Criolo e Major RD na linha de frente, como representantes de diferentes gerações e vertentes do rap.
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‘Muita visibilidade, graças a Deus’
GBZ7N é estreante no festival. O carioca, que representa um novo momento do trap nacional, se apresenta no primeiro dia de Rock in Rio, em 4 de setembro. Ele foi descoberto por Zé Ricardo durante uma apresentação despretensiosa, e agora celebra poder estar em um dos principais palcos do mundo.
Para o rapaz, há muito o que se celebrar com o rap em 2026. Ele acredita que o gênero está vivendo uma expansão cada vez maior, integrando outros ritmos (como o trap que ele mesmo representa) e novos nomes.
“Está todo mundo com muita visibilidade, graças a Deus, sabe? Estão aparecendo muitas oportunidades para todos”, disse ele, em conversa com a Billboard Brasil.
Mas, segundo ele, essa visibilidade também exige cuidado com o que se comunica. Sendo uma pessoa pública, GBZ7N acredita que sua vida tem de ser uma vitrine para os mais jovens.
“Hoje um artista consegue impactar tão grande na vida dos jovens, na minha vida, na vida das crianças, na vida da comunidade. Eu acho que só a galera tem que ter mais responsabilidade, sabe? Saber o que está falando e passar uma visão, ter atitudes melhores” – GBZ7N
Caio Luccas, assim como GBZ7N, vê um novo momento para o rap em 2026. Ele tem se aventurado em outros estilos musicais com o passar do tempo, inclusive o pagode.
Para o Rock in Rio, ele vai fazer um show com uma banda completa no Espaço Favela, no dia 11 de setembro, e com um repertório em que ele se arrisca em piscar num território novo: o do romance.
“É importante ter um espaço em que a gente possa soltar a nossa voz”, comemora o cantor que, depois de engatar um relacionamento, se viu com um desejo de cantar sobre o amor com mais frequência.
“Chega a ser lindo, né, mano? A gente tá tendo o nosso espaço, a gente tá podendo mostrar nossa música que nem sempre fala só de crime, que também fala de amor… Que o nosso trap também fala das nossas vivências, da rua, que até uma pessoa de 60, 70 anos pode se identificar” – Caio Luccas
Um rap cada vez mais plural
Na lista de rappers que vão estar no Rock in Rio em 2026, Criolo é um dos veteranos. Com meio século de vida e uma estrada de quase quatro décadas na música, ele chega ao festival provando o ponto da nova safra do gênero.
Ele se apresenta no dia 12 de setembro em um show colaborativo com o pianista pernambucano Amaro Freitas e o cantor cabo-verdiano Dino D’Santiago, em que explora facetas novas de performar. É um show num formato diferente, com outros dois colegas de profissão ao lado, algo novo até para um artista com tantos anos de estrada.
+Leia mais: ‘O Som Entre Nós’: Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago lançam documentário
Ao ser perguntado como se vê dentro do hall de nomes que ajudaram o gênero a dialogar com outros estilos musicais, ele respondeu com humildade: “Me enxergo no lugar de uma pessoa que tá numa travessia. Ainda não sou um representante [do rap], espero um dia conquistar esse lugar, mas tô numa travessia.”
Segundo ele, mesmo depois de décadas de estrada, ainda há muito a aprender: “Não me vejo ainda descolado, e acredito que ainda tenho coisa pra apresentar, pra produzir, pra somar dentro dessa coisa magnífica que é o rap.”
Essa pluralidade, que mantém o rap vivo mesmo depois de tantos anos de existência, conversa diretamente com o que ele acredita ser o fundamento do gênero.
“O rap sempre te provoca mudança […] Ele se torna íntimo porque a gente acaba falando de coisas sensíveis para nós. E nesse lugar não dá pra emular sentimento, senão não vai.” – Criolo
Nessa mesma toada, Major RD chega ao Rock in Rio 2026 no dia 5 de setembro, o tradicional Dia do Rock –em que a programação é formada, em sua maioria, por bandas do gênero.
O carioca será a atração principal do Espaço Favela e promete entregar um show que conversa diretamente com o rock.
No álbum, ele tem uma música em homenagem ao baterista brasileiro Eloy Casagrande e deixa evidente seu amor pelo rock, estilo que escuta desde criança e vem flertando há alguns anos: Major colaborou com os Titãs e o Planet Hemp.
“Quando eu trabalhei com esses caras, eu falei: ‘Caralho, é isso. Eu consigo fazer isso’. E eles me deram o aval para fazer. Eu não estou migrando [de estilo musical’. Eu fui convidado (…) Sinto que ganhei um aval”.
Com seu show no festival, ele pretende deixar essa mistura mais forte para o público. Major vai para o palco com banda completa, muita guitarra e um repertório inédito, formado em boa parte por seu novo disco, “ALFA”. “O rock e o rap sempre caminharam muito próximos um do outro”.
Espaço Favela
Criado em 2019, o Espaço Favela é um dos palcos temáticos do Rock in Rio dedicado a valorizar a produção artística e cultural das periferias brasileiras, com destaque para artistas oriundos de comunidades. Inspirado na arquitetura das favelas cariocas, o espaço reúne uma cenografia que remete diretamente às comunidades e reúne, além do rap, gêneros como funk, pagode, samba, trap, hip-hop e música urbana, sem deixar de lado apresentações de dança, slam, circo e poesia.
Por ali já passaram nomes como MC Carol, Djonga, Xamã, L7nnon, Orochi, MC Cabelinho e Malia, consolidando o espaço como um dos ambientes mais populares da Cidade do Rock e uma vitrine para encontros entre artistas consagrados e nomes em ascensão.
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