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Desculpa se te julguei, Primavera Sound 2023 — eu estava errada

Apesar das mudanças para a edição deste ano, festival segue sendo diferenciado

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Segunda edição do Primavera Sound manteve o nível do festival (Lais Moss/Divulgação)

Pergunte a qualquer pessoa que tenha ido ao Primavera Sound 2022: o festival foi um dos pontos altos daquele ano. Novidade, line up diverso e com nomes bem diferentes do que os reunidos por outros eventos de música no Brasil. Com a mudança de local para a edição deste ano, me questionei se eles conseguiriam se manter no mesmo nível.

A viagem do Anhembi para o Autódromo de Interlagos, no entanto, foi um acerto. O festival se manteve em metade do local, o que deixou a circulação fluída e o trajeto entre um palco e outro facilitado.

Muita dessa facilidade vem da ausência de grandes ativações publicitárias (algo de que tanto o The Town como o Lollapalooza usam e abusam). Sem grandes estandes espalhados pelo autódromo, a visão para os palcos ficou mais livre, além de eliminar as longas filas e o acúmulo de pessoas atrás de ganhar brindes.

Apesar das altas temperaturas durante o festival, a T4F parece ter aprendido a lição com a passagem de Taylor Swift pelo Brasil. A organização posicionou diversos pontos de distribuição gratuita de água. Ainda assim, é verdade que parte do público, em relatos à Billboard Brasil, teve dificuldade em encontrá-los. Talvez investir em sinalização para o próximo ano possa ajudar.

Protetor solar também estava sendo oferecido ao público por uma ação de marca, o que foi uma boa sacada. Mas a desvantagem do autódromo é a ausência de espaços com sombra para se proteger do sol.

O clima, de maneira geral, era de total entrega à música. Era possível –principalmente ao fim da tarde, com as temperaturas mais amenas e o sol dando um tão merecido intervalo– estender cangas e curtir os shows tão esperados, ou até descansar enquanto descobria uma nova banda para se apaixonar.

A não lotação do espaço também possibilitava que os fãs pudessem dançar sem problemas, sempre acompanhados de amigos e familiares, em uma vibe que o Primavera Sound, desde sua concepção, valoriza muito: vivência agradável e boas memórias. Os poucos intervalos entre um show e outro também deram um dinamismo para a experiência, perfeito para quem gosta de aproveitar cada segundo de um evento como esse.

Mas como nem tudo são flores –nem mesmo na primavera–, a edição deste ano pecou pela diversidade. Nenhuma mulher foi headliner do festival, diferentemente do ano passado, em que Lorde e Bjork tinham esse papel. Em 2022, também houve uma variedade notável de estilos, com direito às gêmeas japonesas do Chai até o reggaeton industrial da venezuelana Arca.

Desta vez, o público mais ligado ao indie e ao rock foi agraciado, com algumas raras exceções que se aproximavam do funk e do pop.

Para 2024, ano em que a terceira edição do festival já está confirmada, espero que as medidas de segurança relacionadas ao calor sejam mantidas. E isso, obviamente, vale não apenas para o Primavera Sound. Que a programação se aproxime mais da ideia inicial, com nomes diversos no line up, seja musicalmente, seja em termos de origem, seja na questão de gênero. Ver clássicos é bom demais, mas conhecer um som novo é ainda melhor.

Até 2024, ano em que sabemos que a primavera vai florir de novo.