Calor extremo cancela Defqon.1 na Holanda; veja relato de brasileiro
Festival foi cancelado pela primeira vez em mais de duas décadas de história

Defqon.1 (reprodução Instagram @defqon1)
O maior festival de hardstyle do mundo precisou cancelar uma edição pela primeira vez ao longo dos seus mais de 20 anos de história. O Defqon.1, que acontece anualmente na Holanda desde 2003, publicou um comunicado nas redes sociais e no site oficial informando que o evento estava sendo cancelado devido a uma onda de calor extremo no país.
Marcado para ocorrer entre 25 e 28 de junho, o Defqon.1 já estava com toda a estrutura montada e pronto para receber milhares de fãs de hardstyle de todo o planeta, que rapidamente esgotaram os ingressos. O festival chegou a abrir as portas para quem estava acampado e a realizar a The Gathering, festa exclusiva para os que já estavam no camping. Mas, devido ao alerta das autoridades holandesas, a organização se pronunciou e confirmou o cancelamento das atividades e dos shows durante todo o fim de semana.
Ver essa foto no Instagram
No comunicado oficial, a organização explicou que o Instituto Meteorológico Real dos Países Baixos (KNMI) emitiu um aviso inédito de código vermelho devido a temperaturas extremas previstas para as 24 horas seguintes — a primeira vez na história que o país acionou esse nível de alerta por calor. Diante do risco à saúde pública, a organização se viu forçada a fechar os portões dos chamados “Campos Sagrados” (Holy Grounds).
“Pedir para que voltem para casa é o pior cenário possível, especialmente com o festival totalmente operacional e com tudo pronto para recebê-los”, lamentou a produção, que prometeu reembolsar todos os ingressos. A equipe ainda liberou alimentação gratuita e suporte financeiro para quem precisasse de hotel.
O drama dos ‘Weekend Warriors’ brasileiros do Defqon.1 no calor europeu
A Billboard Brasil entrou em contato com os brasileiros no Defqon.1 e de acordo com Victor Saldanha Silveira, 27, que viajou para o festival, a notícia caiu como uma bomba entre o público, especialmente na comunidade de brasileiros presente, que contava com um grupo de cerca de 50 pessoas.
Segundo Victor, os primeiros sinais de crise começaram ainda na quarta-feira (25), quando a organização anunciou que os portadores de ingressos diários de sexta e sábado (day ticket) não poderiam entrar no festival com a justificativa de evitar aglomerações e grande acúmulo de público devido ao calor previsto para os próximos dias. Na quinta-feira (26), durante a festa de abertura, a temperatura já estava alta, culminando em um encerramento abrupto.
“Se não me engano, tinham cinco palcos abertos. Estava um dia muito, muito quente. A programação principal terminava por volta das 23h, e depois aconteceria um after. Mas cortaram o som à meia-noite. Não teve anúncio nem nada dentro do festival. E no Instagram soltaram o post falando sobre o cancelamento para todo mundo. Em 26 anos de evento, nunca foi cancelado, tirando a época da Covid. Não tem o que fazer, mas foi a primeira vez que foi realmente cancelado devido à questão de clima”, comentaVictor.
Ao retornar para sua barraca, ele foi informado do cancelamento pelos vizinhos de acampamento. O impacto foi imediato e devastador.
“Quando entrei na minha barraca, meus amigos chegaram e falaram: ‘A Defqon foi cancelada’. A gente não acreditou, eu fui checar. Na hora que vimos, o pessoal começou a chorar. Pessoas que estavam juntando dinheiro há três, quatro anos para virem e terem a primeira experiência aqui. A reação foi muito triste. É muito mais complicado para os latinos em si, porque a gente acaba gastando muito mais dinheiro para chegar, enquanto os europeus têm um acesso mais fácil”, desabafa.
A realidade do cancelamento também expôs um lado caótico do público no camping, com a revolta por parte de alguns frequentadores. No entanto, teve quem preferiu aproveitar os últimos momentos do festival.
“Teve muita gente que estava causando problema. Invadiram os palcos onde a gente não poderia adentrar, que eram fechados ainda e só seriam abertos na sexta-feira. Pessoas avisavam em grupos do WhatsApp para não irmos para a saída, por conta das brigas. Infelizmente, muitos ficaram com raiva e acabaram descontando no festival, destruindo algumas partes. Estava muito complicado”, conta o brasileiro. “Porém, por outra parte, tinham pessoas ali tentando se divertir. Criaram a própria festa com caixas de som e ficaram tocando dentro do próprio festival até o amanhecer.”

Por fim, o esforço da produção do Defqon.1 buscou mitigar os danos e acolher o público.
“Dentro do acampamento, eles liberaram todas as barracas de comida que tinham na área de convivência para ser de graça. A gente podia comer qualquer comida, pegar bebida de graça e ir no mercado pegar coisas de graça também. E eles soltaram que estariam ajudando pessoas em situação complicada de hotel. Algumas foram enviadas para hotéis até segunda-feira e com 100 euros para gastar nesses dias, o que dá para comer bem tranquilo”, explica.
Esta seria a segunda participação de Victor no Defqon.1, e mesmo com a promessa de reembolso integral ainda sem prazos definidos, o que ele define como uma “imagem cinzenta” por falta de informações, o designer gráfico e alguns amigos vão continuar a saga dos festivais, seguindo rumo a outros eventos no verão europeu, sem receio de próximos cancelamentos.
“Vou ficar aqui até o início de setembro porque vou para mais alguns festivais. Alguns amigos meus vão comigo para a Croácia para o DropZone, que seria a Ibiza do Hardstyle”, conta. “Não tenho medo da questão de [outro festival] vir a ser cancelado. A gente já está acostumado com essa temperatura um pouco mais alta na Croácia. E o Decibel Outdoor, que é outro festival que vou aqui na Holanda, acaba sendo no final do verão, então as temperaturas são bem mais amenas. Eu já participei ano passado e durante a noite faz 13°C ou 14°C, e durante o dia não passou de 24°C ou 25°C, então é mais tranquilo”, pondera.
TRENDING
- ATEEZ: grupo anuncia novo filme nos cinemas em agosto 25/06/2026
- Veja a agenda de shows de Natanzinho Lima 15/06/2026
- Corpo de Oliver Tree chega aos EUA, e família revela ‘último desejo’ 22/06/2026
- A música e o futebol têm tudo a ver, e nós podemos provar 24/06/2026
- Rumo às Eliminatórias: Superbet une música, moda e emoção na 1ª fase da Copa 26/06/2026