Deep Purple se reúne com Ritchie Blackmore após 33 anos; veja aqui
Guitarrista tocou 'Smoke On The Water' com o grupo em Nova York

Deep Purple se reúne com Ritchie Blackmore (Reprodução YouTube)
Ritchie Blackmore voltou a dividir o palco com o Deep Purple pela primeira vez em 33 anos. O guitarrista, um dos fundadores da banda britânica, participou do show realizado na quarta-feira (12), no Northwell at Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York, e tocou o clássico “Smoke On The Water”, lançado pelo grupo no álbum “Machine Head” em 1972.
A participação foi anunciada pelo próprio Blackmore um dia antes do show, durante uma transmissão ao vivo no Instagram ao lado de sua esposa, Candice Night. O músico contou que procurou o vocalista Ian Gillan para sugerir uma aparição durante o bis.
“Eu disse: ‘Como você se sentiria se eu subisse no palco para um bis? Apenas uma música. Não quero me intrometer’. E disse: ‘Sem pressão, apenas pelos velhos tempos’. Tenho 81 anos agora. Ele pareceu gostar da ideia, levou para a banda e recebeu sinal verde”, afirmou. Veja a apresentação abaixo:
Blackmore tem um histórico de idas e vindas com o Deep Purple, marcado por conflitos internos. O guitarrista deixou o grupo definitivamente em 1993. A possibilidade de reconciliação se tornou cada vez mais improvável depois da ausência do guitarrista na cerimônia de entrada da banda no Rock & Roll Hall of Fame, em 2016.
Blackmore fala sobre retorno ao rock
O retorno aos palcos com uma guitarra elétrica representou um desafio para Blackmore, que passou as últimas décadas dedicado a tocar um repertório acústico e medieval de seu projeto com a esposa, o Blackmore’s Night.
“Eu não toco rock há 25 anos”, disse o guitarrista antes da apresentação. “Tenho tocado violão há 25 anos. No começo, eu ficava muito desconfortável tocando guitarra elétrica, mas me acostumei e agora estou mais habituado ao acústico do que à elétrica.”
Blackmore também revelou que precisou de uma injeção na região lombar para conseguir permanecer de pé durante a apresentação. O músico afirmou ter quatro hérnias de disco e disse que deixou um banco à disposição no palco caso precisasse se sentar.
“É uma injeção especial que me permite ficar parado em um lugar, porque tenho dificuldade quando toco uma [guitarra] Stratocaster. Tenho quatro discos herniados”, afirmou.
Ao fim de “Smoke On The Water”, Gillan fez questão de celebrar o reencontro. “Foi um absoluto prazer ter de volta ao palco o membro fundador, a grande lenda, o imortal Ritchie Blackmore”, disse o vocalista diante do público.
Uma relação marcada por afastamentos
Blackmore é responsável por alguns dos riffs mais conhecidos da história do Deep Purple e participou de sua formação clássica durante os anos 70. Após sua saída definitiva, o guitarrista retomou o Rainbow, banda que havia criado anteriormente, e lançou com o grupo o álbum “Stranger In Us All”, de 1995.
Em 1997, o Rainbow encerrou suas atividades e Blackmore passou a concentrar sua carreira no Blackmore’s Night, projeto dedicado a sonoridades renascentistas e medievais. Em 2016, ele voltou temporariamente ao rock para realizar shows com uma nova formação do Rainbow.
A relação com o Deep Purple permaneceu distante durante esse período. Blackmore não compareceu à cerimônia de entrada da banda no Rock & Roll Hall of Fame – apesar de ter sido mencionado nos discursos dos integrantes.
Na ocasião, Lars Ulrich, baterista do Metallica e responsável por apresentar o Deep Purple no evento, destacou a importância de Blackmore para a história do grupo e para a guitarra, especialmente por seu trabalho em “Smoke On The Water”.
Abaixo, você confere o Deep Purple com Blackmore em seus tempos áureos de malabarismos guitarrísticos, com “Speed King”.
Deep Purple inicia turnê mundial
O reencontro desta semana acontece enquanto o Deep Purple se prepara para uma extensa turnê mundial. A banda tem 86 apresentações previstas para este ano, incluindo um show no dia 5 de dezembro (sábado), na Suhai Music Hall, em São Paulo.
+Leia mais: Deep Purple anuncia show único no Brasil em dezembro; veja os preços
Gillan, por sua vez, também enfrenta limitações relacionadas à idade. No ano passado, o vocalista revelou que estava perdendo a visão e afirmou ter apenas 30% da capacidade visual. Na ocasião, disse que a aposentadoria poderia estar próxima, embora continuasse adaptando sua rotina para seguir trabalhando.
O reencontro em Nova York, portanto, encerra um dos capítulos mais improváveis da longa história do Deep Purple. Por uma única música, Blackmore voltou a tocar ao lado dos antigos companheiros e revisitou, aos 81 anos, um dos riffs que ajudaram a definir o rock clássico.

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