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Copa da Música: na França, o rap veste a camisa 10

Os Bleus estreiam terça contra Senegal e a parada francesa mostra quem comanda

Aya Nakamura se apresenta na cerimônia de abertura das Olimpíadas na França (Reprodução/Globoplay)

Aya Nakamura se apresenta na cerimônia de abertura das Olimpíadas na França (Reprodução/Globoplay)

A França entra em campo nesta terça-feira (16) contra Senegal, no MetLife Stadium, em busca do tricampeonato depois dos títulos de 1998 e 2018 e do vice em 2022. A música francesa chega à Copa em com a mesma badalação de favorita: o país é hoje a segunda maior potência do rap no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

E a estreia carrega uma simetria que vai além do gramado: boa parte dos nomes que dominam a parada francesa nesta semana tem raízes no Senegal, no Mali e no Congo. A diáspora que veste a camisa dos Bleus também assina a trilha sonora do país.

A linhagem é conhecida e obrigatória: Édith Piaf e Serge Gainsbourg definiram a chanson como patrimônio, e o Daft Punk levou o french touch para as pistas do planeta inteiro. É o repertório que o mundo associa à França há décadas… E que segue como porta de entrada. Mas parar nele seria assistir só ao primeiro tempo.

Porque o que lota estádios, domina o Top Singles do SNEP e bate recordes de certificação hoje é o rap em francês, um fenômeno doméstico de proporções industriais. A comparação mais efetiva para o leitor brasileiro é o funk: um som nascido na periferia que virou a música pop nacional, gigante no próprio idioma e cada vez mais exportável. 

A música que domina streams na França

Aya Nakamura

A artista francófona mais ouvida do mundo é o nome do momento na França. “Sexy Nana”, parceria com o rapper La Rvfleuze, está no topo do Top Singles do SNEP desde o fim de maio e segue em primeiro na semana da estreia dos Bleus. Nascida em Bamako, no Mali, e criada na periferia de Paris (diáspora), Aya transformou o afropop em francês num idioma global com “Djadja” e “Copines” e cantou na cerimônia de abertura da Olimpíada de Paris 2024. 

La Rvfleuze

A revelação da temporada 2025/26 tem enredo de filme. Seny Bengaly, parisiense de origem senegalesa, jogou futebol nas categorias de base antes de trocar as chuteiras pelo drill. Revelado pela série de freestyles “Serrure” e por uma apresentação no COLORS com “Argent Sale”, lançou em março o álbum de estreia, “Numéro d’écrou”, que passou semanas no topo do Top Albums francês. Em novembro, faz seu primeiro show solo no Zénith de Paris. O feat com Aya Nakamura em “Sexy Nana” coroou a ascensão mais rápida do rap francês recente.

PLK

Dono do single mais resistente do ano: “Pocahontas” revezou-se no número 1 do Top Singles ao longo de 2026 e segue no alto da parada meses depois. A sigla PLK vem de “Polak”, referência à origem polonesa da família, emplacou também o álbum “Grand garçon” direto no topo em março. 

Theodora

Se há um rosto novo constante no chart francês, é o dela. “Melodrama”, parceria com o veterano Disiz, abriu 2026 em primeiro lugar e soma mais de 30 semanas de parada. Theodora ainda emplacou “Spa”, com Gims, no top 10. Seu pop-rap teatral e bem-humorado é a aposta da nova geração para furar a bolha do rap de rua.

Gims

Ex-líder do Sexion d’Assaut, nascido em Kinshasa, na República Democrática do Congo, Gims abriu o ano com o álbum “Le Nord se souvient: L’Odyssée” no topo do Top Albums e segue na parada com “Soleil” e “Spa”. Há mais de uma década ele é a ponte entre o rap francês e o grande público pop.

Jul

Marselha em pessoa. O rapper mais prolífico e mais certificado da história da música francesa lançou em maio o álbum “Oubliez-moi”, direto no número 1. Jul é o retrato do rap como fenômeno popular de massa na França: pouco badalado pela crítica internacional, imbatível em casa. Para o torcedor, a conexão é imediata: sua cidade respira futebol como poucas na Europa.

RNBOI

A nova geração melódica em estado puro. O artista mantém dois hits simultâneos no top 10 do SNEP nesta semana: “Mon bébé”, que acumula quase 30 semanas de parada com pico em segundo lugar, e “Elle voulait”. Seu R&B de rua, cantado e sintético, mostra para onde caminha o pós-rap francês: menos punchline, mais melodia, feito sob medida para o streaming.