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Coluna: A Madonna virou ícone da Gen Z? Entenda

Rodrigo Lampreia analisa dados atuais da Rainha do Pop

Madonna

Madonna (Divulgação)

Será que Madonna virou um ícone da Gen Z? É o que diz uma matéria da “Chartmetric”.

Madonna tem 68 anos, e uma parte enorme das pessoas que estão a ouvindo hoje nem tinha nascido quando “Vogue” foi lançada. Mesmo assim, em 2026, ela vive mais um momento de crescimento. Segundo dados do “Chartmetric”, Madonna chegou a cerca de 55 milhões de ouvintes mensais no Spotify, um crescimento de mais de 30% desde fevereiro deste ano.

Os picos de audiência coincidem com momentos importantes: o Coachella ao lado de Sabrina Carpenter, o lançamento de “Confessions II” e o halftime show da Copa do Mundo. Mas o mais interessante não é o tamanho dessa audiência, e sim quem está ouvindo. Segundo os dados de audiência do “Chartmetric”, cerca de 66% desse público nasceu depois de 1990. Já a faixa entre 45 e 64 anos, que viveu a primeira era da artista, representa apenas 9%. Ou seja, para muita gente, Madonna não é nostalgia, é descoberta.

Madonna e Sabrina Carpenter no Coachella 2026 (Reprodução YouTube)
Madonna e Sabrina Carpenter no Coachella 2026 (Reprodução YouTube)

“Like a Prayer”, por exemplo, voltou a circular fortemente no TikTok: foram 564 mil vídeos usando a música depois do Coachella, um crescimento de 319% em um ano.

Mas tem um detalhe nos dados da “Chartmetric” que achei ainda mais interessante. As playlists editoriais tendem a colocar Madonna em categorias como “anos 80”, “clássicos” ou “nostalgia”. Já os próprios usuários colocam as músicas dela em playlists ligadas a momentos, comportamentos e sentimentos atuais. Ou seja, eles não estão ouvindo Madonna simplesmente como uma artista do passado: estão incorporando Madonna à cultura deles.

Madonna com Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo na Copa do Mundo 2026
Madonna com Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo na Copa do Mundo 2026 (Grosby Group)

Isso diz muito sobre como a gente descobre música hoje. Durante décadas, a indústria trabalhou com uma lógica relativamente simples: música nova de um lado, catálogo do outro. Só que essa fronteira está desaparecendo. Uma música lançada há 20, 30 ou 40 anos pode chegar hoje, pela primeira vez, a alguém de 18 anos. Para essa pessoa, aquela música não é velha, é nova. TikTok, séries, filmes, games, artistas atuais e os próprios algoritmos transformam o catálogo em uma enorme fonte de descoberta.

E a gente vê isso o tempo todo nas plataformas de engajamento. Artistas como Fleetwood Mac, Tim Maia, Sade, Cazuza, Kate Bush, A-ha, Bobby Caldwell e Jorge Ben Jor, entre outros, tiveram seus repertórios descobertos e usados em conteúdos de jovens. Madonna é um dos maiores exemplos disso, porque existe uma coisa que atravessa todas essas plataformas e gerações: repertório. Quando a música é realmente forte, ela pode ganhar novos contextos, novos significados e novos públicos.

Madonna e Martin Garrix (reprodução Instagram @martingarrix)
Madonna e Martin Garrix (reprodução Instagram @martingarrix)

Os próprios usuários ressignificam essas canções através de expressões próprias e singulares, com conteúdo gerado por eles mesmos, o chamado UGC (user generated content). E Madonna pode estar mostrando uma coisa importante para toda a indústria: na era do streaming, música velha não existe mais. Existe música que você já conhece e música que você ainda não descobriu. E quando existe um bom repertório, sempre pode existir uma próxima geração pronta para descobrir.

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