Beyoncé volta a ser processada por sample de ‘Renaissance’
Nova ação tenta reabrir disputa pelos direitos de 'Moonraker', faixa de 1998

Beyoncé (Instagram)
Beyoncé voltou a ser alvo de uma disputa judicial envolvendo “Alien Superstar”, faixa de “Renaissance”. A Hirose Enterprises LLC e Shuji Hirose entraram com uma nova ação por violação de direitos autorais na Justiça federal da Califórnia na segunda-feira (10). Além da cantora, o processo cita como réus John Holiday, Parkwood Entertainment, Sony Music Entertainment, Sony Music Publishing e W Chappell Music Corp.
A controvérsia envolve o trecho falado que abre “Alien Superstar”. Os autores da ação afirmam deter direitos sobre “Moonraker”, gravação lançada em 1998 por John Holiday, também conhecido pelo projeto Foremost Poets, da qual a introdução foi sampleada.
Segundo a acusação, Holiday já havia transferido seus direitos sobre a obra e, portanto, não poderia ter autorizado sozinho seu uso por Beyoncé e sua equipe.
Há um ponto importante na cronologia. “Renaissance” foi lançado em 29 de julho de 2022, enquanto um acordo escrito entre a Parkwood, Holiday e empresas ligadas ao músico para o uso de “Moonraker” foi assinado em 6 de setembro de 2022, cerca de cinco semanas depois. Documentos do processo anterior mostram que o contrato concedia à Parkwood uma licença não exclusiva para utilizar tanto a gravação quanto a composição em “Alien Superstar”.
De acordo com informações reveladas anteriormente pela Billboard, Holiday recebeu US$ 10 mil e participação de 0,5% nos royalties de “Alien Superstar”. A Hirose sustenta, porém, que a autorização foi negociada com a parte errada porque os direitos já teriam sido transferidos décadas antes. Na nova ação, os autores pedem indenização em valor não especificado e uma liminar contra a continuidade da exploração que consideram infratora.
‘Alien Superstar’, de Beyoncé, já havia sido alvo de processo
A discussão já havia chegado aos tribunais em 2025. A Hirose Enterprises entrou com uma ação em 29 de julho daquele ano, também sustentando ser a verdadeira proprietária dos direitos de “Moonraker”. Em março de 2026, a juíza Maame Ewusi-Mensah Frimpong rejeitou aquela versão da reclamação, mas permitiu que ela fosse reformulada. Entre os problemas apontados estava a falta de documentação suficiente para demonstrar a cadeia de transferências de direitos alegada pela empresa.
O caso acabou encerrado em 26 de junho de 2026 por outro motivo. O juiz Mark C. Scarsi concluiu que a Hirose Enterprises não tinha legitimidade para ter iniciado a ação porque a companhia só havia sido formalmente constituída na Flórida em 6 de agosto de 2025, oito dias depois do protocolo do processo.
A decisão foi tomada sem que o tribunal analisasse quem efetivamente controla os direitos de “Moonraker” ou se o sample usado por Beyoncé configura violação. A extinção ocorreu sem prejuízo, o que permitia a apresentação de uma nova ação.
A nova investida parece buscar justamente contornar parte desse problema. Shuji Hirose agora aparece pessoalmente entre os autores, enquanto Beyoncé, que não era ré no processo anterior, foi incluída diretamente na ação.
“Alien Superstar” chegou à 19ª posição da Billboard Hot 100 após o lançamento de “Renaissance”. O álbum estreou no topo da Billboard 200 e venceu o Grammy de Melhor Álbum Dance/Eletrônico em 2023, prêmio que, naquele momento, deu a Beyoncé seu 32º Grammy e a tornou a artista com mais vitórias na história da premiação.
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