‘Eu não tenho pressa, preciso que a arte mature’, diz Emanuelle Araújo
Cantora e compositora lança 3º álbum solo, chamado 'Corra Para o Mar'

Emanuelle Araújo (foto Mari França)
Um novo capítulo na carreira musical de Emanuelle Araújo é marcado pelo lançamento de “Corra para o Mar”, seu terceiro álbum solo, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (10).
Com dez faixas, o disco reúne inéditas, como a canção que dá nome ao projeto, composta em parceria com Capinan, além de regravações que funcionam como homenagens. Entre elas estão “Minha História”, hit da Timbalada, composta por Xexéu em parceria com Luizinho SP, e “Ijexá”, em tributo a Clara Nunes.
A produção é assinada por Kassin, com mixagem do premiado Michael Brauer. O álbum também conta com participações de nomes como Tatau, Ilê Aiyê e Davi Moraes.
No trabalho, Emanuelle resgata a musicalidade afro-brasileira, que atravessa todo o álbum e tem a percussão como elemento central. O lançamento acontece enquanto a artista também se destaca no elenco da novela “A Nobreza do Amor”.
A Billboard Brasil conversou com a cantora, atriz e compositora sobre o atual momento de sua carreira.
“Corra para o Mar” mostra muito da sua história e da sua relação com a Bahia. Ele é seu seu terceiro disco solo. O que diferencia esse trabalho dos anteriores em termos de maturidade artística e posicionamento de carreira?
Eu tenho falado sobre esses álbuns porque, para mim, eles são uma trilogia. Há quem diga que não têm relação, mas, para mim, têm tudo a ver. De fato, são álbuns com estilos diferentes. O meu primeiro disco solo, “O Problema é a Velocidade’”, alguns consideram tardio, porque normalmente existe uma ansiedade de lançar um trabalho solo. Eu não tinha isso. Talvez pela minha vivência no teatro, eu sempre gostei de coletivo, de trabalhar em grupo. Sempre estive envolvida com bandas, tanto as que fui convidada quanto as que formei. Fui conhecida nacionalmente na banda Eva, depois montei o Moinho, com a Lan Lan e o Toni Costa, e também tenho trabalhos com a Orquestra Imperial. Eu já colocava toda a minha criatividade nesses projetos.
Mas, aos 40 anos, surgiu uma vontade muito grande de fazer algo que fosse só meu, com as minhas ideias e meu pensamento. Assim nasceu “O Problema é a Velocidade”, muito ligado a esse meu DNA baiano-carioca, já influenciado pela minha vivência no Rio de Janeiro.
No segundo álbum, “Quero Viver Sem Grilo”, eu quis apresentar meu mestre intelectual, Jards Macalé. Foi uma homenagem em vida. Eu fiz questão de lançar esse trabalho com ele vivo. Foi uma experiência muito importante para mim.
Já “Corra para o Mar” é o disco mais essencial, mais “Emanuelle raiz”. Ele é quase biográfico. E só existe porque eu passei pelos outros dois. Talvez as pessoas achem que deveria ter sido o primeiro, mas não. Ele precisava acontecer agora, depois de toda essa vivência de anos no Rio, das minhas experimentações e encontros musicais. É um disco que fala de trajetória, que homenageia minha raiz mais profunda. A influência afro-baiana está em tudo o que faço, inclusive nos trabalhos anteriores. Aqui, ela ganha ainda mais força. Por isso, digo que é uma trilogia. Esse álbum fecha esse ciclo. O que vem depois, eu ainda não sei.
O disco traz composições próprias, parcerias e homenagens, como . Como foi o processo de pesquisa e construção da tracklist?
Para um disco que fala de história, ele precisa ter história. Eu fui construindo esse projeto ao longo dos anos. Mesmo com singles já lançados, o disco chega agora como um todo. Ouvir as músicas separadamente é uma coisa. Dentro do álbum, elas contam uma narrativa.
Quando os singles foram lançados com clipes, já estavam construindo essa história que desemboca no mar. O mar, para mim, é a nossa ancestralidade. Quando você olha a Terra de cima, vê o azul. É o oceano que rege tudo.
Eu sou uma artista muito intuitiva, emocional e apaixonada, mas também muito técnica. Eu estudo muito. Esse disco é resultado de muita pesquisa. Por isso, eu não tenho pressa. Entendo que o trabalho precisa maturar. Tenho um compromisso com a minha arte que não está preso à urgência do mercado. Claro que penso no público, mas, justamente por respeitá-lo, preciso entregar algo verdadeiro. Mesmo que seja para uma única pessoa que dê play.
Eu tive um parceiro fundamental nesse processo, o Kassin. A gente construiu esse disco juntos. Foi um processo de ouvir músicas, entrar em contato com compositores, selecionar, descartar e reconstruir. Cada faixa tem uma história própria. É um trabalho com muitas camadas. E, ao mesmo tempo, chega de forma simples para quem ouve. Isso não significa simplicidade, mas sim profundidade. E tem um ponto essencial: é um álbum que reverencia a ancestralidade. Por isso, a percussão é protagonista e os ritmos afro-baianos conduzem tudo.
Você falou muito sobre o mar. Ele até está no título. Qual é a sua relação pessoal com ele?
São muitas histórias. Eu precisaria de horas para contar. Histórias engraçadas, místicas, emocionais. Acho que nós, brasileiros, especialmente nordestinos e baianos, temos uma relação muito forte com o mar. Ele está na minha infância, na minha fé e na minha casa. Eu tenho uma casa em frente ao mar. É onde me sinto mais confortável, plena, onde relaxo, me inspiro. É onde lavo minhas dores e celebro minhas conquistas. O mar é minha festa, minha proteção.
E é curioso porque mesmo quem não vive perto sente isso. Meu marido é de Minas Gerais, e vejo o quanto a família dele ama o mar. Mesmo sem proximidade física, ele já existe dentro das pessoas. Existe uma força energética.
Você disse: “O que vem depois, eu ainda não sei”. Mas o presente é que está rolando o lançamento do álbum enquanto você atua na novela. Como você equilibra suas carreiras de cantora e atriz?
As pessoas perguntam muito isso, e eu entendo. São duas carreiras mesmo, que envolvem gestão, decisões e escolhas. Dá trabalho. Eu tenho minha carreira de cantora e minha carreira de atriz. Mas, artisticamente, elas não estão separadas. Uma alimenta a outra. Claro que, na prática, existem gestões diferentes, e isso ajuda a aprofundar cada uma. Existem momentos em que uma demanda mais. Agora, por exemplo, estou gravando uma novela e lançando um álbum ao mesmo tempo. E isso faz sentido, porque estou em um projeto que fala de afro-brasilidade, enquanto meu disco também mergulha nessa ancestralidade. Mas é desafiador. Eu não consigo fazer muitos shows agora. E tudo bem. Eu sigo minha carreira com verdade. Às vezes há frustrações, mas são saudáveis, porque vêm de escolhas coerentes. Eu não sou rígida. Eu me adapto, sigo o fluxo.
Mas vale perguntar: existe a possibilidade de uma turnê desse álbum?
Vai acontecer. Eu já tenho um show muito em breve no Rio de Janeiro, apresentando essas músicas com banda. O público já vai sentir o disco ali. O que não consigo agora é montar uma turnê completa, com cenário, luz e conceito mais elaborado. Isso deve acontecer depois da novela.
A ideia é lançar o vinil depois desse período e, junto com o formato físico, sair em turnê. Acho importante dar tempo para as pessoas ouvirem e absorverem o trabalho.
Concordo. A escuta muda a cada vez que a gente dá o play em álbum disco. Sua percepção sobre o álbum também muda com o tempo?
Com certeza. Toda vez que escuto, entendo algo diferente. Isso é a arte. Depende do momento, do que você está sentindo. Por isso, gosto da ideia de lançar o físico depois. A capa, por exemplo, foi criada com a Mari França e tem um conceito muito forte. Também faço questão de valorizar os créditos. Cada músico, cada faixa tem sua história. E isso faz parte da obra.
Ouça ‘Corra Para o Mar’, de Emanuelle Araújo
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