15 anos sem Amy Winehouse: sua influência segue moldando o pop
O legado da cantora britânica inspira artistas de diferentes gerações

Amy Winehouse no festival Glastonbury em 2007 (Reuters)
Quinze anos após sua morte, Amy Winehouse permanece como uma das artistas mais influentes da música deste século. Com apenas dois álbuns de estúdio lançados em vida, a cantora britânica redefiniu o soul contemporâneo, levou a vulnerabilidade emocional ao centro do pop e abriu caminho para uma geração inteira de compositoras que encontraram na honestidade uma marca estética.
Amy morreu em 23 de julho de 2011, aos 27 anos, no auge de uma trajetória que teve apenas dois álbuns de estúdio, “Frank” (2003) e “Back to Black” (2006). Ainda assim, sua obra permanece como referência para músicos de diferentes estilos e gerações, consolidando um legado que vai além das vendas, dos prêmios e dos recordes.
O início com “Frank”
Quando lançou “Frank”, em 2003, Amy chamou atenção por unir referências de jazz, soul e hip hop a letras confessionais e uma interpretação vocal pouco comum para a música pop da época. O álbum nasceu após uma amiga entregar uma fita demo da cantora a um executivo da indústria fonográfica, o que levou à assinatura de contrato com a Island Records em 2002. Produzido por Salaam Remi, “Frank” foi um sucesso comercial no Reino Unido, recebeu elogios da crítica pela maturidade de suas composições e pela forte influência do jazz, além de render a Amy seu primeiro Ivor Novello Award com o single “Stronger Than Me”.
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“Back to Black” mudou o rumo do pop
Mas foi com “Back to Black” que ela alcançou projeção mundial. Produzido por Mark Ronson e Salaam Remi, o disco resgatou elementos da soul music dos anos 1960 sem soar totalmente nostálgico. Canções como “Rehab”, “You Know I’m No Good”, “Love Is a Losing Game”, “Tears Dry on Their Own” e a faixa-título apresentaram ao grande público uma artista que escrevia sobre relacionamentos, dependência emocional e autodestruição com uma honestidade rara.
O álbum transformou Amy em um fenômeno mundial. Na cerimônia do Grammy de 2008, a cantora venceu cinco categorias, igualando o recorde de maior número de estatuetas conquistadas por uma artista em uma única noite e tornando-se a primeira britânica a alcançar esse feito. Entre os prêmios estavam três das quatro principais categorias da premiação: Artista Revelação, Gravação do Ano e Canção do Ano, as duas últimas por “Rehab”, além de Melhor Álbum Vocal Pop.
O sucesso de “Back to Black” também abriu espaço para uma nova geração de artistas influenciados pelo soul, que passaram a conquistar espaço nas paradas internacionais durante os anos seguintes. Mais do que recuperar uma sonoridade clássica da Motown, Amy mostrou que era possível unir sofisticação musical e apelo comercial sem abrir mão da própria identidade.
Olivia Dean representa uma geração influenciada por Amy
Amy Winehouse é uma das referências mais frequentemente associadas à trajetória de Olivia Dean. Desde seus primeiros lançamentos, a cantora britânica passou a ser comparada à autora de “Back to Black” por sua voz, pelas influências de soul e jazz e pela forma intimista de escrever suas canções.
A admiração também aparece fora dos palcos. Em 2020, Olivia compartilhou nas redes sociais um vídeo caseiro em que toca violão e interpreta “Our Day Will Come”, canção eternizada por Amy na compilação “Lioness: Hidden Treasures” (2011).
A própria Olivia Dean já reconheceu a importância de Amy para sua geração. Em diferentes entrevistas, ela destacou que a cantora abriu caminhos para mulheres britânicas explorarem sonoridades diversas sem precisarem se enquadrar em um único padrão comercial. Ao mesmo tempo, Dean costuma dizer que prefere enxergar essas comparações como um reconhecimento da influência de Amy sobre toda uma geração, e não como uma tentativa de reproduzir seu trabalho.
De Adele a Billie Eilish
O impacto de Amy também aparece em artistas de diferentes países e estilos musicais.
Adele já afirmou que dificilmente teria seguido carreira da mesma forma sem ouvir “Frank”.Segundo a cantora, foi o primeiro álbum que a fez acreditar que havia espaço para artistas que priorizavam personalidade e interpretação em vez de seguir fórmulas do pop.
Já Lady Gaga afirmou que ficou devastada ao receber a notícia da morte de Amy. “Não consegui falar por 48 horas seguidas, de tão triste que estava. Tudo que eu sabia sobre ela era que era uma mulher muito simpática e gentil”, disse. Para Gaga, a intensidade artística de Amy estava diretamente ligada à vulnerabilidade que marcava sua vida. “É uma vida muito solitária, mas era o que a gente amava nela. Não dá para ter alguém cantando a respeito de corações partidos e tristeza sem estar de coração partido”, refletiu.
Billie Eilish é outra artista que já citou Amy como uma referência importante. Embora siga uma proposta estética diferente, Billie reconhece que Amy Winehouse mudou toda uma geração da música, destacando sua autenticidade crua e o fato de que ela não fazia arte por fama ou atenção.
Entre outros nomes que também reconheceram sua importância estão Dua Lipa, Raye, Laufey e Sabrina Carpenter, mostrando que sua influência atravessa gêneros e gerações.
Mais do que uma voz marcante
O legado de Amy não se resume à música. Seu estilo visual, marcado pelo penteado beehive, delineador carregado e referências ao universo retrô, tornou-se uma das imagens mais reconhecidas da cultura pop dos anos 2000.
Sua forma de compor também mudou expectativas sobre o papel dos artistas pop. Em vez de construir personagens idealizados, Amy escrevia sobre suas próprias experiências, expondo fragilidades, contradições e erros sem buscar amenizá-los.
Essa abordagem ajudou a consolidar um movimento que hoje parece natural, mas que era menos comum no início dos anos 2000: o de transformar a experiência pessoal em matéria-prima para grandes sucessos comerciais.
Uma influência que segue viva
Quinze anos após sua morte, Amy Winehouse continua sendo descoberta por novos ouvintes por meio das plataformas de streaming e das redes sociais. Suas músicas seguem presentes em trilhas sonoras, programas de televisão e apresentações de artistas que cresceram ouvindo sua obra. Neste ano, seu repertório voltou aos holofotes quando os Rolling Stones regravaram “You Know I’m No Good” para o álbum “Foreign Tongues”, mostrando como canções lançadas há duas décadas continuam despertando interesse de artistas de diferentes gerações.
Poucos artistas conseguem alterar o curso da música popular com uma discografia tão pequena. Amy Winehouse fez isso em apenas dois álbuns. Sua influência já não está apenas entre quem a ouviu diretamente, mas também em quem cresceu acompanhando artistas moldados por seu legado. Sua obra deixou de ser apenas um capítulo da história do pop para se tornar parte de sua linguagem.
Ouça Amy Winehouse
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