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Veja desfiles marcantes de Neguinho da Beija-Flor, que se aposenta em 2025

Maior vencedor da Sapucaí, intérprete eternizou sambas

Neguinho da Beija-Flor

Neguinho da Beija-Flor em ensaio para a Billboard Brasil (Diego Padilha/Billboard Brasil)

“Olha a Beija-Florrrrrr aí, gente!”. Dono do grito de guerra mais inconfundível do carnaval carioca e maior campeão da Marquês de Sapucaí, Neguinho da Beija-Flor anunciou que fará o seu último desfile em 2025. Ele esteve à frente do carro de som da escola desde 1976, antes mesmo da criação do Sambódromo. Este ano, defenderá um enredo especial, dedicado a Laíla, diretor histórico da agremiação que esteve ao lado do cantor em muitas conquistas da azul e branco. 

 

Além dos 14 títulos vencidos com a escola de Nilópolis, Neguinho já recebeu cinco Estandartes de Ouro de melhor intérprete. Além disso, é autor de alguns sucessos que transcenderam a avenida mais famosa do carnaval. Para celebrar esse legado de cinco décadas de folia, a Billboard Brasil listou os grandes desfiles e sambas-enredos eternizados pela voz marcante do sambista. 

 

“Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia” (1989)

 

O carnaval da Beija-Flor de 1989 é um forte candidato ao primeiro lugar na lista dos maiores desfiles da história. Mesmo sem levar o título, aquela apresentação marcou o apogeu criativo do carnavalesco Joãosinho Trinta, que levou mendigos à avenida e uma alegoria censurada pela igreja católica. A imagem de um Cristo Redentor, escondido por um grande plástico, com o cartaz “Mesmo proibido, rogai por nós!” entrou para a iconografia do carnaval carioca. E lá estava também Neguinho da Beija-Flor embalando a multidão com uma performance energética. 

 

“Sonhar Com Rei, Dá Leão” (1976)

 

Para conquistar o sucesso, é preciso ter muito talento e… sorte. E Neguinho da Beija-Flor é definitivamente pé-quente. Ele fez barba, cabelo e bigode em 1976: estreou no Grupo Especial com um samba de sua autoria, ganhou seu primeiro título e, de quebra, deu o troféu inédito de campeão para a Beija-Flor de Nilópolis. Era a formação de um trio poderoso. Neguinho no carro de som, Laíla na direção de carnaval e Joãosinho como carnavalesco. Assim, a escola viria a se tornar uma potência da avenida nos anos seguintes. Em conversa com a Billboard em 2024, ele relembrou esse momento especial de 1976: “Quebramos o tabu das grandes escolas”.

 

“A Lapa de Adão e Eva” (1985) 

 

Neguinho levou quase uma década na elite do carnaval até vencer o prestigioso prêmio Estandarte de Ouro na categoria de Melhor Intérprete. Aos 36 anos, ele foi escolhido o melhor cantor do desfile em que a Beija-Flor amargou o vice-campeonato.  O enredo de Joãosinho brincava com a adaptação do mito da criação para mundo da malandragem do Rio de Janeiro. O samba-enredo composto por Neguinho ia no mesmo sentido, cheio de malícia: “Coração de serpente não se engana/ Fez Adão provar a maçã/ E Eva comer a banana”.

 

“O Povo conta a sua história: saco vazio não para em pé, a mão que faz a guerra, faz a paz” (2003)

 

Após cinco anos de jejum (e quatro vices seguidos), a Beija-Flor voltou ao lugar mais alto do pódio com O Povo conta a sua história: saco vazio não para em pé, a mão que faz a guerra, faz a paz.. Por sua vez, Neguinho levou mais um Estandarte de Ouro para casa, o segundo consecutivo. Com discurso pacifista, o desfile mostrou a já conhecida garra do “chão” nilopolitano, que passou pela avenida disposto a não deixar o título escapar mais uma vez. 

 

“Amigo fiel – Do cavalo do amanhecer ao Mangalarga Marchador” (2013)

No auge da era dos enredos patrocinados, Neguinho da Beija-Flor deixou sua marca cantando a história dos cavalos em um samba-enredo “chiclete”, que grudou na cabeça de muitos fãs do carnaval: Sou Manga Larga Marchador!/ Um vencedor, meu limite é o céu!/ Eu vim brilhar com a Beija-Flor…/ Valente guerreiro, amigo fiel”. Não à toa, ele foi mais uma vez premiado pelo Estandarte de Ouro, seu troféu mais recente no “Oscar do Samba”.