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Brasil no Tomorrowland 2026: Vintage Culture e fãs tomam conta do Mainstage

Galera de verde e amarelo compareceu em peso ao festival

Vintage Culture no Tomorrowland (Reprodução)

Vintage Culture no Tomorrowland (Reprodução)

Antes mesmo de começar, já dava para saber que aquele não seria um set qualquer no Tomorrowland. Com 1h30 de duração, a apresentação de Vintage Culture no Mainstage foi a responsável por abrir oficialmente os trabalhos do festival, sendo também o primeiro set do line-up a ganhar transmissão ao vivo. O resultado: uma enchente verde e amarela tomando conta do front, com brasileiros lotando a frente do palco para acompanhar, de perto, um dos seus representantes mais celebrados na cena eletrônica mundial.

A Billboard Brasil circulou pelo público durante a apresentação para entender o que levou tanta gente a atravessar o Atlântico, acampar e enfrentar toda a logística europeia só para dançar ao som de um brasileiro tocando no maior festival de música eletrônica do planeta.

‘Foi a realização de um sonho’

Pamela Guimarães, 31, veio de São José dos Campos, em São Paulo, e vive, pela primeira vez, a experiência Tomorrowland. Para ela, chegar até ali não foi simples: entre a corrida pelos ingressos e a organização da viagem, o processo foi longo. “Foi a realização de um sonho, na verdade. Faz tempo que eu queria vir, não conseguia vir. Então consegui planejar, foi um planejamento difícil”, contou, cercada por mais três amigos que fizeram a viagem com ela.

O grupo aproveitou para acampar dentro da estrutura do festival, e a diretora de teste de dados, que nunca tinha vivido a experiência nem no Brasil, se derreteu com o esquema montado pelos organizadores. “No Brasil eu não acampei, para vir acampar aqui. Mas foi uma experiência muito legal. É muito bacana começar o dia ali. Muito legal o pessoal, a energia. E a organização é muito bacana também”, disse, destacando a praticidade de dormir a poucos passos das arenas: “Você sai do festival e você pode dormir, entendeu? É muito rápido, você já tá aqui dentro, é muito melhor.”

Sobre o momento do set, a opinião era unânime entre o grupo: ver Vintage Culture abrindo a programação do Mainstage foi um dos pontos altos da viagem. “Foi muito bacana ele abrir. Para a gente foi muito legal estar aqui.”

Pamela Guimarães no Tomorrowland 2026
Pamela Guimarães no Tomorrowland 2026

De vizinhas de barraca a amigas para a vida

Em outro canto do camping, um grupo de brasileiros, muitos deles em sua primeira viagem à Bélgica, resumiu bem o espírito de coletividade que costuma tomar conta da comunidade brasileira no festival. A organização da viagem, segundo eles, exige planejamento quase militar: entre garantir o pacote de acesso antecipado, o transporte e o alojamento, cada detalhe é decidido com meses de antecedência. “Você tem que pensar bem o que você tem que fazer antes, porque eles têm todas umas estratégias para conseguir a viagem”, explicou Adriene Magalhães, 29.

Mas o que mais chamou atenção foi como o grupo se formou: várias deles não se conheciam antes de pisar no camping. “A gente veio separadas, e aí encontramos outros brasileiros aqui, e fizemos amizade. Já somos amigas, e a gente está curtindo tudo junto agora”, contou Franciele Scheffer, 33, que resumiu o clima com uma frase que virou piada interna do grupo: “Hoje eu estava comentando pro pessoal que um dia aqui equivale a um ano, porque a gente parece que já se conhece há muito tempo.”

O grupo revelou que é muito fácil fazer amizades novas em plena Bélgica. “A gente viu outros que brasileiros que não se conheciam. Aí a gente já começou a conversar “, contaram, sem esconder a satisfação de ver o improviso dar tão certo.

Enquanto isso, Weslei Silva, 33, brasileiro que mora na Irlanda, gritava para Vintage Culture: “Vai, paizão!”.

Nicolas Bolzan (à esquerda), Weslei Silva, Matheus Griebler, Franciele Scheffer e Adriene Magalhães (à direita)

‘Um sonho estar aqui’

Se para muitos essa é a primeira vez no festival, para Larissa Cruz, 26, a emoção também veio em dose dupla. Apesar de morar em Itu (SP) e já ter visitado o Tomorrowland Brasil, pisar no evento original, na Bélgica, teve um peso diferente. “Primeira vez que eu vi o palco, a emoção foi muito grande. Não tenho o que dizer, é um sonho estar aqui”, declarou.

Larissa veio ao festival com um grupo de cinco amigos do Brasil – número que, como em tantos outros relatos brasileiros por ali, multiplicou rapidamente depois de conhecerem outros compatriotas no local. “A gente veio em cinco do Brasil e encontrou mais gente aqui. Agora somos umas dez”, contou, rindo.

Acampada pela primeira vez fora do Brasil, ela descreveu o festival como uma imersão total,mesmo que isso signifique uma caminhada e tanto até o palco principal. “Da minha barraca até aqui deu mais ou menos 45 minutos caminhando. Mas é bom, porque levo mais tempo pra chegar lá na minha casa no Brasil”, comparou.

Larissa Cruz no Tomorrowland 2026
Larissa Cruz no Tomorrowland 2026

Um mainstage (quase) brasileiro

Entre acampamentos lotados, amizades formadas em tempo recorde e histórias de quem atravessou o mundo por um sonho antigo, o público brasileiro deu o tom logo na abertura do Tomorrowland 2026. Com Vintage Culture no comando do primeiro set transmitido ao vivo do festival, o mainstage de Boom ganhou, por 1h30, uma atmosfera que lembrava o Brasil em plena Bélgica.