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SXSW 2026: Como a IA redefine o futuro dos negócios da música

Paulo Portela analisa a sustentabilidade entre negócios e IA

IA na música (Feito por IA da Meta)

IA na música (Feito por IA da Meta)

Ao longo dos seis dias de imersão no SXSW 2026 em Austin, Texas, ficou evidente que a inteligência artificial não apenas mantém seu protagonismo, como se consolida como uma das principais forças de transformação da atualidade. A diferença em relação aos últimos anos está na maturidade do debate.

IA e seres humanos juntos

A IA deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar uma responsabilidade estratégica. A discussão evoluiu e a pergunta já não se limita ao que a tecnologia pode fazer, mas passa a considerar como, onde e sob quais critérios ela deve ser aplicada.

Nesse novo contexto, emerge com força a ideia de coprotagonismo entre inteligência artificial e ser humano. Trata-se de uma relação em que acelerar a tecnologia é fundamental, desde que acompanhada de direção, intenção e responsabilidade.

Em diferentes trilhas do evento, da tecnologia à saúde e da cultura às cidades, uma mensagem se repetiu: o valor da IA cresce exponencialmente quando há liderança humana ativa no processo. Isso implica uma mudança relevante dentro das organizações.

A inteligência artificial deixa de ser um tema restrito ao departamento de tecnologia e passa a ocupar o centro das decisões estratégicas, exigindo envolvimento direto do C-level. Cabe aos líderes definir, com agilidade e clareza, onde a IA deve ser aplicada.

O objetivo é gerar impacto positivo para consumidores, cidadãos ou para a sociedade como um todo. Mais do que adotar a tecnologia, torna-se essencial conduzi-la. A aceleração da IA é desejável e necessária, mas precisa de governança e critério.

Comunidade e “mattering”

Outro ponto de destaque no evento foi a crescente relevância de temas como pertencimento, comunidade e o conceito de “mattering”, a sensação de ser visto e valorizado. Em um ambiente mediado por tecnologia, essas dimensões ganham ainda mais peso.

A percepção é clara: nem toda conexão gera valor. Em um cenário de excesso de estímulos, passam a se destacar as conexões intencionais, que promovem presença, escuta e troca genuína entre as pessoas.

Essa combinação entre avanço tecnológico e aprofundamento humano revela uma tendência consistente. Quanto mais a IA evolui, maior se torna a necessidade de experiências autênticas, coletivas e emocionalmente significativas para o público.

O diferencial competitivo não estará apenas na capacidade de implementar inteligência artificial, mas na habilidade de equilibrá-la com repertório, criatividade, empatia e construção de comunidade. Esse olhar encontra conexão direta com a School of Rock.

Em um contexto em que informação e execução tendem à automação, ganham relevância experiências que não podem ser substituídas por conveniência digital. Isso inclui prática em grupo, palco, expressão individual, convivência e pertencimento.

Aprender música, nesse sentido, vai além da técnica. Trata-se de desenvolver identidade, confiança, escuta ativa e presença. Trata-se de formar indivíduos capazes de colaborar, criar e se conectar de forma genuína.

Essa jornada se amplia em experiências transformadoras, como apresentações em grandes festivais. Entre eles estão o Rock in Rio Lisboa, Summerfest, João Rock, Prime Rock e Bangers Open Air.

Estúdios

Houve também vivências em estúdios icônicos como o Abbey Road Studios e o Sonastério. Essas experiências fortalecem competências que se tornam estratégicas na era da inteligência artificial: colaboração, disciplina, criatividade e conexão humana real.

Ao final do evento, uma convicção se reforça: a próxima grande vantagem competitiva virá do equilíbrio. A inteligência artificial seguirá como protagonista, mas seu impacto será determinado pela qualidade das decisões humanas que a orientam.

Em um mundo moldado por algoritmos, liderar não será apenas adotar tecnologia, mas garantir que ela avance na direção certa. É preciso ampliar capacidades, gerar valor e, sobretudo, preservar aquilo que nos torna essencialmente humanos.

A construção de um equilíbrio saudável entre humanidade e máquina depende de uma atuação ativa da liderança e de intervenções no presente. Esse não é um debate para depois, mas uma responsabilidade urgente que exige posicionamento agora.


Paulo Portela é CEO da School of Rock no Brasil, Portugal e Espanha, onde lidera a expansão e consolidação da marca como referência em educação musical com propósito. Com mais de 26 anos de experiência executiva na IBM, incluindo cargos como vice-presidente para a América Latina, construiu uma carreira sólida em gestão estratégica e liderança de grandes operações. Desde 2014, dedica-se ao empreendedorismo no setor educacional, tendo sido responsável pela chegada da School of Rock ao primeiro país fora dos Estados Unidos.