Negócios e rap: o Rio2C fecha o quarto dia com o futuro da música em debate
Evento também abordou temas como composição e mercado independente

Rio2C 2026 (divulgação)
O quarto dia de palestras do Rio2C 2026 reservou para a sexta-feira (29) uma programação plural, com debates que vão do processo criativo dos artistas à engrenagem econômica que move a música brasileira. O evento colocou frente a frente alguns dos nomes mais relevantes da nova música brasileira. Luedji Luna, Rubel, Pietro e Tasha & Tracie dividiram o palco no painel “A Narrativa da Composição”, numa conversa que expôs processos criativos, identidades artísticas e o que move uma geração que tem na composição sua maior bandeira.
Três universos distintos em cena se reuniram com a suavidade melódica de Rubel, a ancestralidade de Luedji Luna e a rima afiada da dupla Tasha & Tracie. A cantora baiana refletiu sobre seu processo criativo e destacou que faz parte de uma geração que tem a composição como uma de suas principais bandeiras, num encontro que celebrou a diversidade e a potência da nova música brasileira.
“Eu me considero muito mais compositora do que cantora. Meu grande forte, meu maior talento, minha cachaça, é a composição. E tradicionalmente, o lugar das mulheres na música brasileira, que por muito tempo, ficaram no lugar de intérprete, de ser porta voz de um texto masculino. Então quando eu surgi na música, fiz questão de fazer um texto 100% autoral”, disse Luedji Luna, que recentemente fez uma parceria com a Anitta, em seu álbum “EQUILIBRIVM”.

As irmãs Tasha & Tracie também compartilharam suas experiências com a música no painel e deram uma entrevista exclusiva para a Billboard Brasil, no podcast Cabos e Cases, falando sobre suas trajetórias no rap, desafios da carreira e a nova turnê com shows gratuitos pelo Brasil.
O lado econômico do setor também ocupou espaço no painel “Sustentabilidade da Música Independente: Balanços, Desafios e Perspectivas”. O debate foi em torno do impacto das plataformas digitais na remuneração de criadores, intérpretes e produtores, a sobrevivência das casas de show de pequeno e médio porte e o papel das políticas públicas na construção de um ecossistema mais equilibrado para a música independente brasileira.

Já o painel “Além do Line-Up e da Experiência” trouxe os bastidores dos grandes eventos, com Potyra Lavor, fundadora e CEO da IDW e investidora do AFROPUNK no Brasil, e os sócios da InHaus, responsáveis por projetos como Nômade Festival, Farraial e Camarote Essepê. A conversa, mediada por Láisa Naiane, editora-chefe do Mundo da Música, abordou negociação de cachês, ativação de marcas e as estratégias que transformam eventos em plataformas sustentáveis de negócio e cultura.

Para fechar, o espaço de Mentoria em Composição e Trilha Sonora ofereceu reuniões individuais com especialistas da indústria criativa, reforçando o caráter formativo que marcou toda a semana do Rio2C e que posiciona o festival cada vez mais como referência não apenas para quem consome música, mas para quem a constrói.
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