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Radar Festival cancela Bob Vylan após polêmica em Glastonbury

Dupla foi retirada após pressão de autoridades e parceiros do evento

O duo Bob Vylan durante apresentação no Glastonbury (Reprodução)

O duo Bob Vylan durante apresentação no Glastonbury (Reprodução)

O Radar Festival, em Manchester, anunciou o cancelamento do show do Bob Vylan em sua edição de 2025, após a polêmica apresentação da dupla no Glastonbury Festival.

O grupo punk-rap causou controvérsia ao entoar o grito “Death to the IDF” no palco West Holts, além de criticar a BBC, os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido, entre outras instituições.

Durante o discurso, o vocalista Bobby Vylan afirmou: “Somos punks violentos, porque às vezes você precisa transmitir sua mensagem com violência. Infelizmente, essa é a única linguagem que algumas pessoas entendem”.

A repercussão foi imediata. A organização do Glastonbury divulgou um comunicado condenando os gritos, afirmando que eles “ultrapassaram um limite” e reiterando que “não há espaço no festival para antissemitismo, discurso de ódio ou incitação à violência”.

Inicialmente, o Radar apenas anunciou a saída do grupo com uma breve nota no dia 2 de julho: “Bob Vylan não se apresentará no RADAR Festival neste fim de semana”. Mas, em entrevista ao podcast Two Promoters One Pod, a organizadora Catherine Jackson-Smith explicou que a decisão não partiu diretamente do festival. “Foi, categoricamente, uma das discussões profissionais mais horríveis que já tive”, afirmou. “Não posso deixar mais claro: queríamos que o Bob Vylan se apresentasse. Mas essa decisão não foi nossa.”

Segundo Jackson-Smith, a organização se viu no meio de conversas com o local do evento, seus coproprietários — a AMG e a Live Nation — e autoridades locais. A decisão foi colocada como um ultimato: cancelar a apresentação ou perder toda a programação de sábado. “No início da semana, ficou claro que o Bob Vylan não poderia subir ao palco no sábado”, disse. “Se seguíssemos com a apresentação, o festival de sábado não aconteceria.”

O Radar Festival, que acontece de 4 a 6 de julho no O2 Victoria Warehouse, é operado de forma independente por Jackson-Smith e o cofundador Joe James. O cancelamento da banda foi, segundo a organização, uma medida para evitar prejuízos a outros 41 artistas da programação e garantir a viabilidade do evento.

Para complicar ainda mais, a agência que representava o Bob Vylan rompeu com a banda após a controvérsia, forçando a equipe do Radar a lidar diretamente com os músicos. “Foi uma conversa horrível. Eles sabiam que não queríamos cancelar”, afirmou.

Em resposta, o Bob Vylan publicou nas redes sociais: “O silêncio não é uma opção. Ficaremos bem. Quem está sofrendo é o povo da Palestina. Manchester, voltaremos”.

A apresentação no Glastonbury continua reverberando na indústria. Além do Radar, o grupo também foi retirado do Kave Festival, na França, e de um show em Colônia (Alemanha), onde fariam abertura para o Gogol Bordello. Os vistos da banda para os Estados Unidos foram revogados e uma investigação criminal está em andamento.

A secretária de Cultura britânica, Lisa Nandy, criticou a BBC por ter transmitido a apresentação, dizendo que isso representava “um problema de liderança”. Já o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, classificou os comentários como “um discurso de ódio”.

Posteriormente, o Bob Vylan publicou um novo comunicado dizendo que não defende “a morte de judeus, árabes ou qualquer outro grupo” e que sua intenção é “desmantelar uma máquina militar violenta”.

O Radar Festival ainda não anunciou um novo headliner para o sábado. Jackson-Smith confirmou que a organização está buscando um substituto, mas reconheceu a dificuldade de encontrar uma atração em cima da hora. “Talvez acabemos com alguém sem opinião política alguma, simplesmente porque está disponível para tocar no sábado”, disse.

Procurado pela Billboard, o festival afirmou que não fará novos comentários sobre o assunto. O Radar Festival acontece de 4 a 6 de julho no O2 Victoria Warehouse, em Manchester.