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Paulinho da Costa impressionou alguns dos melhores músicos do Brasil

Ivan Lins, que vê em Paulinho da Costa o principal responsável por sua carreira internacional (Levi Bianco/Brazil Photo Press)

Ivan Lins, que vê em Paulinho da Costa o principal responsável por sua carreira internacional (Levi Bianco/Brazil Photo Press)

Impressionar os impressionantes não é para qualquer um. Paulinho da Costa coleciona admiradores que estão entre os compositores, cantores e instrumentistas mais importantes da música mundial. Embora a maioria das milhares de gravações seja em estúdios internacionais, o percussionista recebe elogios de muitos que, reconhecidamente, estão entre os melhores do Brasil. “Brilhante”, sintetiza Roberto de Carvalho. “Um homem de ritmo, inventividade e criatividade imensos”, opina Ivan Lins. “É fora do comum. Não tem nada parecido”, sentencia João Bosco. Paulinho teve experiências com estes três ícones em estúdios e palcos ao longo da carreira. Seu nome consta na ficha técnica dos álbuns “Bombom” (1983) e “Rita e Roberto” (1985), da dupla Rita Lee (1947–2023) e Roberto de Carvalho.

Cabe o registro que, nos anos 1980, a rainha do rock brasileiro estava no auge do sucesso comercial. Seu parceiro de música e vida ao longo de quase cinco décadas, Roberto lembra que Rita se encantava com o ritmista em ação. “Ela também tocava percussão e tinha uma curiosidade enorme de ver o trabalho do Paulinho, aprender com ele. E dava uma abertura para que ele fizesse o que quisesse”, conta. “A percussão dele é muito complementar e criativa, com efeitos sonoros muito particulares. Não é só a estrutura rítmica, de construção. Ele tem o ‘pó de pirlimpimpim’, de colocar uns ‘trins’ e uns sininhos sempre no lugar certo.”Dá pra perceber esse toque mágico – e discreto– nos arranjos de sucessos como “Desculpe o Auê” e “Vírus do Amor”: a percussão não é protagonista, mas traz um feitiço que muda tudo.

João Bosco conta com a participação do percussionista no álbum “Na Onda que Balança”, de 1994. Na mesma época, em 1995, Bosco fez um show antológico no festival Heineken Concerts, no Rio de Janeiro e em São Paulo, com uma banda de cair o queixo: Paulinho e Armando Marçal nas percussões, César Camargo Mariano no piano, Paulo Moura no clarinete, o argentino Victor Biglione na guitarra e o estadunidense John Patitucci e Jamil Joanes nos baixos.“Eu e o Paulinho já éramos amigos, mas foi nos ensaios desse show que a gente conviveu mais de perto. Foi intenso”,rememora. “Eu nunca vi alguém ter uma relação com um instrumento de percussão igual a ele. Você já conhece o som do instrumento, mas, quando o Paulinho toca, tudo é diferente. O tato dele como instrumento produz um som que você não acha em outro percussionista.”

João Bosco conviveu comPaulinho nos anos 1990, no estúdio e no palco (Lola Oliveira/Brazil Photo Press via AFP)
João Bosco conviveu com
Paulinho nos anos 1990,
no estúdio e no palco (Lola Oliveira/Brazil Photo Press via AFP)

O compositor mineiro revela, inclusive, que faltou pouco para os dois gravarem um álbum em parceria – só voz, violão e percussão. “Foi algo ventilado pelo Max Pierre, que seria o produtor do disco. Infelizmente, eu precisei passar por uma cirurgia no rim na mesma época que aconteceria essa gravação e o projeto não aconteceu”, lamenta. “Estava tudo certo: falamos sobre repertório e o jeito de fazer o disco.”

Já Ivan Lins reconhece no percussionista o principal responsável por sua carreira internacional. “Eu conheci o Paulinho no começo dos anos 70 na boate Number One. Ele atuava com a banda Dom Salvador & Abolição e eu ia praticamente todas as noites os ver tocando”, diz. “É um dos maiores percussionistas que eu já vi na vida: ele não faz o óbvio, sempre colocava um algo mais que acabava sendo uma coisa nova, que as pessoas não esperavam.” Nos anos 80, já nos Estados Unidos, o ritmista apresentou os discos de Ivan Lins para ninguém menos que Quincy Jones (1933–2024). “Quando ele ouviu, pediu para o Paulinho me ligar imediatamente e foi aí que começou a nossa parceria”, recorda. Suas canções, então, começaram a aparecer no repertório de álbuns produzidos pelo estadunidense. No álbum“Give Me The Night”, de 1980, George Benson gravou logo duas: “Dinorah, Dinorah” e “Love Dance”.

Dois anos depois, o carioca ficou muito perto de ter um de seus sucessos no disco mais vendido da história. “Novo Tempo”, parceria com Vitor Martins, caiu nas graças de Quincy e seria gravada por Michael Jackson em “Thriller”. Seria. “Entre as milhares de fitas que ele recebeu e ouviu, escolheu ‘Novo Tempo’. Só que o contrato que ele mandou era muito ‘leonino’ e não havia condições da gente aceitar. Nossos advogados ficaram oito meses discutindo e não chegamos a um acordo”, diz, bem-humorado e sem arrependimentos. “O álbum anterior do Michael Jackson havia vendido 4 milhões de cópias. Nós achamos que o ‘Thriller’ venderia umas 6 milhões – mas vendeu dez vezes mais. Infelizmente, a música não entrou. E oPaulinho é o pai dessa história toda e da minha carreira internacional como compositor. Isso eu devo a ele pelo resto da minha vida. Sou muito grato, de todo o coração.”