
Stormy: revelação da música marroquina (Divulgação)
Copa da Música: rival do Brasil, Marrocos brilha com som pop
De Stormy a Najm, conheça os artistas que dominam os streams do país africano
O Brasil estreia na Copa do Mundo de 2026 neste sábado (13), às 19h, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova York. Antes mesmo do apito, a música marroquina já entrou em campo: a mesma seleção que encantou o mundo no Catar chega aos Estados Unidos embalada por uma cena pop que virou uma das mais ativas do mundo árabe e do continente africano. E quem acompanha os streams sabe que o som que define o país hoje tem sotaque de rua.
Citar as tradições do raï, do chaâbi e do gnawa para falar de música marroquina é obrigatório: são a base sobre a qual o país construiu sua identidade sonora, da festa de casamento ao transe espiritual. O grupo Nass El Ghiwane, surgido nos anos 1970 e apelidado de “Rolling Stones da África”, transformou essa herança em poesia de protesto e segue como âncora da memória musical marroquina. Mas parar por aí seria perder o jogo.
Porque o que move os streams, lota festivais e atravessa fronteiras hoje na música marroquina é outra coisa: o rap e o trap em darija, o árabe marroquino, hoje a engrenagem da música urbana do país. E eles dialogam com o Brasil: “POPO”, um dos maiores hits de Stormy, lançado em 2024, é puro funk carioca, com clipe gravado no Rio de Janeiro e até uma participação especial do craque Achraf Hakimi, um dos grandes craques da seleção local.
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Abaixo, a série Copa da Música escolheu sete nomes que explicam por que o Marrocos toca tão alto agora.
A nova música marroquina que domina os streams
Stormy
O nome do momento da música marroquina. Yasser El Malih lançou “DESPERADO” em 22 de maio e o disco simplesmente tomou o topo da parada marroquina: “PER LA VITA”, “SKI”, “OTAGE” e “KILOWAT” aparecem entre as faixas mais tocadas do país. Com quase 400 milhões de streams e mais de 1,3 milhão de ouvintes mensais no Spotify, virou capa da “Rolling Stone MENA” e ganhou uma ação especial da plataforma em Tóquio. Seu som passeia por trap, house e até chaâbi, mas é em “POPO”, funk carioca filmado no Rio, que o brasileiro reconhece a batida de cara.
ElGrandeToto
Se há um pilar, é ele. Taha Fahssi foi o artista mais ouvido do Marrocos por cinco anos seguidos (2021–2025) e o rapper árabe mais tocado do Spotify na região, além de campeão no Billboard Arabia Awards. Sua fusão de trap e rap melódico em darija pavimentou a estrada por onde toda a nova safra passou. Segue dominante: a parceria “GHALAT”, com Najm, está entre as mais tocadas do país, e seu catálogo (de “BOUHALI” a “MAGHRIBI”) nunca sai das playlists. Entender a música marroquina de hoje começa, necessariamente, por ele.
Dizzy DROS
A prova de que a velha guarda também reina. Veterano e respeitado padrinho do rap marroquino, Dizzy DROS voltou com tudo em “AFLAM” (“Filmes”), um álbum-statement cinematográfico que recolocou seu nome no centro da cena. O single “LAMARA”, com Inkonnu, chegou ao primeiro lugar da parada do país e mostra um rap mais encorpado, de rimas afiadas, fazendo ponte entre a geração que abriu caminho e a que hoje estoura nos streams.
Inkonnu
Dono de uma das vozes mais reconhecíveis da cena, Inkonnu divide com Dizzy DROS o topo da parada graças a “LAMARA”, mas brilha sozinho faz tempo: faixas como “Zahri” e “Genkidama” acumulam milhões de plays e o mantêm como presença fixa entre os mais ouvidos. Trap melódico, refrões grudentos e uma pegada melancólica fazem dele um dos nomes mais versáteis do rap em darija.
Najm
A grande estrela em ascensão da música marroquina. Najm vem emplacando hit atrás de hit em parceria com os grandes: além de “GHALAT”, divide com ElGrandeToto a faixa “INSOMNIA HOTEL” e com Manal o sucesso “RIRI&ROCKY”, todos circulando alto na parada marroquina. Seu trap melódico, de melodias fáceis e produção polida, é a senha para entender o som que a nova geração do país está fazendo agora.
Manal
A principal voz feminina da música urbana marroquina. Manal transita entre pop urbano e R&B em darija com naturalidade e é peça-chave nas colaborações que dominam os charts locais, casos de “NGHAMER”, com Bayadis e Shaw, e “MAAK”, com Tagne. Com singles próprios como “CARTA ROUGE”, ela sustenta sozinha o protagonismo num cenário ainda muito masculino e amplia o que se entende por rap marroquino.
Morad
O elo com a diáspora. Nascido em Larache e criado em L’Hospitalet de Llobregat, na periferia de Barcelona, Morad é marroquino-espanhol e canta em espanhol — “a voz do bairro”, como o chamam na Espanha, onde já liderou as paradas da PROMUSICAE com seu drill cru e direto. No Marrocos, entra na parada pelas parcerias com ElGrandeToto, como “Ojos Sin Ver”, “Razones” e “Obligación”. Ele encabeça uma leva de talentos da diáspora que inclui ainda nomes do pop, como a marroquino-canadense Faouzia, e o marroquino-belga DYSTINCT, do hit “YAMA”.