Morre Sonny Rollins, um dos maiores saxofonistas do jazz, aos 95 anos
Rollins surgiu junto com Miles Davis, John Coltrane, entre outros

Sonny Rollins (Grosby Group)
Sonny Rollins, o saxofonista tenor cuja combinação de maestria técnica, invenção melódica e puro poder de improvisação o tornou uma das figuras mais importantes da história do jazz, morreu na segunda-feira (25 de maio) em sua casa em Woodstock, Nova York. Ele tinha 95 anos. Sua morte foi anunciada em seu site oficial. Rollins convivia com fibrose pulmonar.
Sua morte marca o fim de uma ligação direta com a era de ouro do jazz no pós-guerra. Rollins surgiu junto com Miles Davis, John Coltrane, Thelonious Monk, Dizzy Gillespie e Charlie Parker — e sobreviveu a todos eles, passando as décadas após suas mortes como um elo vivo com a revolução criativa daquela época.
Em uma carreira que se estendeu desde suas primeiras gravações profissionais em 1949 até sua última apresentação pública em 2012, ele lançou mais de 60 álbuns como líder e permaneceu uma presença ativa na cultura do jazz até seus últimos anos.
Nascido na cidade de Nova York em 7 de setembro de 1930, filho de pais imigrantes das Ilhas Virgens Americanas, Rollins cresceu no Harlem e começou a tocar saxofone no início da adolescência — primeiro o alto, depois o tenor, que adotou em meados da adolescência e nunca abandonou. Quando terminou o ensino médio na Benjamin Franklin High School, já estava gravando. Suas primeiras gravações, em 1949, incluíram trabalhos com a cantora Babs Gonzalez e o pianista Bud Powell, e ele já se apresentava com Monk antes dos 20 anos.
A década seguinte o consagrou como uma das vozes mais proeminentes do instrumento. Seu álbum de 1956, Saxophone Colossus — gravado para a Prestige em uma única sessão — é considerado um dos documentos essenciais de todo o jazz, e a faixa “St. Thomas”, uma composição original com influências de calipso, tornou-se um dos standards mais duradouros do gênero.
Naquele mesmo ano, gravou Tenor Madness, uma sessão histórica que o colocou ao lado de Coltrane em diálogo musical direto. “Way Out West “(1957), “A Night at the Village Vanguard” (1957) e “The Freedom Suite” (1958) vieram em rápida sucessão, cada um adicionando novas dimensões à sua reputação.
Em 1959, sentindo que havia atingido um patamar, Rollins se afastou dos palcos — buscando um lugar para praticar sozinho, encontrou um na Ponte Williamsburg, em Nova York, onde tocava a noite toda sem medo de incomodar ninguém. Seu retorno em 1962 foi marcado pelo álbum “The Bridge”, que anunciou não apenas uma volta por cima, mas também a revelação de um artista que vinha trabalhando silenciosamente e em segredo para ir além. Isso era característico da maneira como ele abordava a música ao longo de sua vida: inquieto, relutante em se acomodar, sempre em busca de algo que estivesse um passo à frente.
Ele ganhou o Grammy de Melhor Álbum Instrumental de Jazz por “This Is What I Do” em 2001, o Grammy de Conjunto da Obra em 2004 e o Grammy de Melhor Performance Solo Instrumental de Jazz por “Why Was I Born” — do álbum “Without a Song: The 9/11 Concert” — em 2006, mesmo ano em que foi eleito o artista mais votado pelos leitores da revista “DownBeat”. Em 1995, a Prefeitura de Nova York instituiu um dia em sua homenagem. Em 2017, ele doou seu acervo pessoal ao Centro Schomburg de Pesquisa da Cultura Negra, no Harlem.
Sua esposa, Lucille, companheira por quase 40 anos, faleceu em 2004.
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