Published by Mynd8 under license from Billboard Media, LLC, a subsidiary of Penske Media Corporation.
Publicado pela Mynd8 sob licença da Billboard Media, LLC, uma subsidiária da Penske Media Corporation.
Todos os direitos reservados. By Zwei Arts.

Mojo Marc: o cantor de R&B com deficiência visual por trás de ‘Please Love Me’

Mojo Marc (Divulgação)

Mojo Marc (Divulgação)

Mojo Marc pode ter deficiência visual, mas basta colocar um microfone em suas mãos para que ele conquiste qualquer ambiente com sua voz.

O cantor de R&B de Washington, D.C., não depende de coreografias ou grandes espetáculos em suas apresentações. Tudo gira em torno do único instrumento em que confia plenamente: a voz.

É justamente ela que conduz “Please Love Me”, seu lançamento mais recente, disponível nas principais plataformas de streaming, como Spotify, Apple Music e Amazon Music. A faixa segue um ritmo lento, com espaços generosos entre as notas — uma interpretação que carrega toda a narrativa.

Mojo Marc escreveu a canção a partir de um lugar de honestidade quase desconfortável.

“Queria que o ouvinte sentisse esse desejo intenso”, diz. “Aquele momento em que você pede para alguém ficar.”

O caminho até essa emoção começou anos antes, no lado leste de Washington.

Nascido Marcus Antonio Bell, Mojo Marc cresceu na East Capitol Street, na região nordeste da cidade, próximo à 58th Street. Como em muitas áreas da capital americana, o bairro reunia desafios, fortes laços comunitários e um fluxo constante de mudanças.

Sua mãe fez questão de ampliar os horizontes dos filhos além do entorno imediato. Havia passeios de metrô pela cidade, visitas ao Pentagon City Mall e pequenas saídas que faziam Washington parecer maior do que o quarteirão onde viviam.

“Ela sempre garantia que tivéssemos algo para fazer”, relembra. “Essas memórias ficaram comigo.”

A música entrou cedo em sua vida, ainda que de forma despretensiosa. Ele participou do coral na escola primária e lembra de uma apresentação de Natal baseada em Rudolph, a rena do nariz vermelho. Mais tarde, no ensino fundamental, aprendeu a tocar violino e flauta.

“Eu só sabia que gostava de cantar”, diz.

Por anos, a música ficou em segundo plano enquanto Marc seguia um caminho mais previsível.

Washington gira em torno de empregos ligados ao governo, e ele entrou nesse ambiente ainda jovem. Aos 18 anos, conciliava os estudos com trabalhos administrativos, passando depois por estágios e contratos ligados ao setor público, onde adquiriu experiência em gestão de pessoal e processos organizacionais.

Assim se passou uma década: emprego estável, prédios governamentais, credenciais de segurança.

Até que o contrato chegou ao fim.

Marc ainda se lembra do conselho que recebeu de um colega: ele ainda era jovem e deveria buscar algo significativo para sua vida.

Ele levou o conselho a sério.

Em vez de procurar outro trabalho na área, decidiu apostar na música — a única constante em sua trajetória.

“Não queria acordar anos depois e perceber que perdi meu tempo”, afirma. “Prefiro lutar por algo em que acredito.”

A jornada de Mojo Marc na música também é marcada por outro fator que influencia sua performance: sua deficiência visual.

Isso muda sua forma de encarar o palco. Coreografias elaboradas ou movimentos chamativos não são o foco. Marc concentra sua energia na interpretação vocal e na narrativa.

“Eu foco no que posso fazer”, explica. “A voz precisa carregar tudo.”

Suas influências refletem essa abordagem. Stevie Wonder encabeça a lista, não apenas musicalmente, mas como exemplo de perseverança e criatividade.

Marc também cita Luther Vandross, Sam Smith, Peabo Bryson, Erykah Badu e Jill Scott — artistas que construíram carreiras baseadas na expressão vocal, e não no espetáculo.

Essas referências são perceptíveis em seu trabalho. Suas músicas seguem uma linha mais introspectiva do R&B, em que a voz ocupa o centro e a emoção conduz.

image1 3

Seu single mais recente surgiu de forma discreta.

Após receber feedback inicial sobre seu primeiro lançamento, sua empresária, Phyllis Salter Gann, sugeriu que ele colaborasse com um novo produtor. A indicação o levou a trabalhar com o produtor vencedor do Grammy, Billy D.

Marc iniciou o processo como costuma fazer: em silêncio.

Depois, começou a ouvir músicas que pudessem inspirar uma direção emocional. Uma, em especial, permaneceu em sua mente: “Heartbreak Anniversary”, de Giveon.

A atmosfera da faixa o colocou no estado emocional certo.

Logo, uma frase começou a se repetir em sua cabeça:

Please love me.

A partir dessa ideia, ele construiu a melodia e enviou o conceito para Billy D. O refrão surgiu rapidamente, enquanto o restante da música tomou forma ao longo de semanas de gravação.

Marc descreve a experiência como marcante.

“Ter um produtor vencedor do Grammy dedicando tempo para trabalhar comigo significou muito”, afirma.

A canção aborda insegurança e desejo emocional — não um tipo de sofrimento dramático, mas algo mais sutil.

Um sentimento com o qual muitos podem se identificar.

Marc admite que o tema dialoga com suas próprias experiências.

“Não tive muito sucesso em relacionamentos”, diz. “Às vezes a insegurança atrapalha.”

Ainda assim, a música não fala sobre derrota, mas sobre expressar sentimentos antes que seja tarde.

E o público parece estar respondendo.

Desde o lançamento, em 30 de janeiro, o single vem ganhando espaço em circuitos de promoção de rádio e entre DJs.

A faixa sucede “My Life”, single de estreia que apresentou ao público seu estilo introspectivo e emocional dentro do R&B.

O momento chega em uma fase importante de sua carreira.

Em 2024, Mojo Marc assinou um contrato de três anos com a Major Record Distribution, garantindo a distribuição global de seus lançamentos por meio do sistema da The Orchard. O acordo vai até 2027 e amplia o alcance de sua música à medida que ele constrói seu catálogo.

Ainda assim, o artista não encara isso como um ponto de chegada.

“Estou sempre aprendendo”, diz. “Isso é só o começo.”