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D2 recebe Medalha Tiradentes por contribuição à cultura

Cantor foi homenageado na Ocupação Iboru + Cará, no Centro do Rio

Marcelo D2 recebeu a Medalha Tiradentes na Ocupação Iboru + Cará, no Centro do Rio (Divulgação)

Marcelo D2 recebeu a Medalha Tiradentes na Ocupação Iboru + Cará, no Centro do Rio (Divulgação)

O rapper Marcelo D2 recebeu, na noite de quinta-feira (18), a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A entrega foi feita pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL), autora da homenagem, em cerimônia realizada na Ocupação Iboru + Cará, espaço cultural criado pelo artista no Centro do Rio.

A homenagem reconhece a contribuição de Marcelo D2 para a cultura brasileira, com destaque para sua atuação na aproximação entre samba, hip-hop, rap, rock e expressões populares urbanas. A concessão da medalha havia sido aprovada pela Alerj em março.

“Para mim, esse prêmio tem o mesmo peso do Grammy, porque reconhece uma caminhada construída com muito afeto e muita história. Dedico essa medalha ao meu eterno amigo Skunk e à minha esposa, Luiza Machado, as duas pessoas que despertaram em mim a vontade, o desejo e a coragem de fazer arte. Cultura e entretenimento podem até caminhar juntos, mas são coisas diferentes. Eu sigo tentando honrar essa diferença todos os dias”, afirmou Marcelo D2 em seu Instagram.

A cerimônia aconteceu durante a abertura da exposição “Manual Prático do Novo Samba Tradicional”, projeto de Marcelo D2 e Luiza Machado. A mostra reúne fotografias, imagens de arquivo pessoal e familiar e obras ligadas à construção visual e afetiva dos quatro volumes do projeto.

 

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Marcelo D2 recebe Medalha Tiradentes no Rio

Na justificativa da homenagem, Dani Monteiro destacou a importância de D2 como artista que construiu uma linguagem própria ao colocar o rap em diálogo com o samba e com referências da cultura negra brasileira. A deputada também citou o compromisso do cantor com favelas, subúrbios e territórios que atravessam sua obra desde os anos 1990.

O reconhecimento chega em um momento em que Marcelo D2 volta a concentrar sua produção no samba. Depois de “Iboru”, lançado em 2023, o artista aprofundou essa pesquisa com a série “Manual Prático do Novo Samba Tradicional”, trabalho que combina discos, performances, imagens e ocupação cultural.

Do Planet Hemp ao novo samba tradicional

Marcelo Maldonado Gomes Peixoto, a.k.a. D2, ganhou projeção nacional como vocalista do Planet Hemp ao lado de BNegão e Black Alien. A banda mais enfumaçada do Brasil marcou os anos 1990 ao misturar rap, rock, crítica social e cultura urbana. Em carreira solo, ele consolidou uma assinatura própria ao aproximar o hip-hop do samba.

Esse caminho ficou mais evidente em “À Procura da Batida Perfeita”, álbum de 2003 que se tornou um dos trabalhos centrais de sua discografia. O disco colocou D2 em outro lugar dentro da música brasileira.

Ao longo dos anos, essa pesquisa apareceu em projetos como “Meu Samba É Assim”, “Marcelo D2 Canta Bezerra da Silva”, “Iboru” e, agora, nos volumes do “Manual Prático do Novo Samba Tradicional”.

Exposição celebra o “Manual Prático do Novo Samba Tradicional”

A exposição apresenta fotografias de Gabriel Mota, Pedro Miceli, Wilmore Oliveira e Yasmin Costa, além de imagens de arquivo pessoal e familiar e pinturas originais de Filipe Nardi, que deram origem às capas dos álbuns. O percurso reúne elementos que ajudam a entender o “Manual Prático do Novo Samba Tradicional” como uma investigação sobre samba, memória, ancestralidade, identidade e cultura popular.

Os volumes do projeto também são atravessados por referências familiares. O primeiro foi dedicado à mãe de Marcelo D2, Dona Paulete. O segundo homenageia sua tia Darcy, apontada como uma das responsáveis por apresentar o samba ao artista ainda na infância. O terceiro tem a esposa Luiza Machado como eixo afetivo. O quarto volume, ainda ligado à sequência do projeto, traz a ideia de festa e celebração como parte da cultura popular.