Lykke Li exalta fãs brasileiros e revela amor por Caetano Veloso
Cantora sueca falou à Billboard Brasil antes de show no C6 Fest

Lykke Li no C6 Fest 2026: setlist e o que esperar do show (Divulgação)
Lykke Li chegou ao Brasil em meio à divulgação de “The Afterparty”, seu sexto disco de estúdio, lançado em maio, e aproveitou a passagem pelo país para declarar sua admiração pela música brasileira. Em entrevista à Billboard Brasil antes de subir ao palco do C6 Fest neste domingo (24), a cantora sueca disse que Caetano Veloso é seu artista brasileiro favorito e afirmou nunca ter vivido algo parecido com a energia do público daqui.
“Caetano é o meu favorito, eu amo muito”, contou a artista, que viralizou nas redes sociais após cantar “Sozinho” durante uma apresentação em São Paulo. “Eu vou cantar um cover hoje. Já foi meio spoiler porque eu cantei ontem”, brincou.
No domingo, Lykke Li se apresentou na Tenda MetLife, no C6 Fest, em um dia que também contou com shows de Magdalena Bay, Beirut, Oklou, Os Paralamas do Sucesso com Nação Zumbi e Robert Plant’s Saving Grace.
“A música virou uma forma de escapar”
Durante a conversa, a cantora falou sobre a forte tradição musical da Suécia e relacionou o cenário artístico do país ao inverno rigoroso e ao incentivo à educação musical nas escolas.
“Na Suécia sempre existem oportunidades para aprender um instrumento e isso não tem a ver com classe social ou dinheiro”, afirmou. “Depois do ABBA isso virou uma bola de neve. Cada geração acaba influenciando a próxima.”
Ela também comentou como a música se tornou uma espécie de refúgio emocional. “O inverno é muito escuro e deprimente, então a música vira esse escape, esse calor, um lugar para sonhar.”
A artista revelou ainda ter descoberto recentemente uma ligação familiar com esse processo. Segundo ela, o avô de seu pai participou de movimentos para incluir música nas escolas públicas suecas.
Lykke Li também comentou a relação com o Brasil. “Minha babá é brasileira e trabalha comigo há dez anos. Ela me mostra muitas coisas do Brasil. A gente faz feijoada, ela me ensina a dançar”, contou.
Questionada sobre o que esperava do primeiro encontro com o público brasileiro em shows, respondeu aos risos: “Se eles já estão assim agora, eu estou animada.”
A cantora ainda disse que ficou impressionada com a intensidade das plateias brasileiras. “As pessoas aqui têm uma energia muito melhor. Eu nunca experimentei nada parecido.”
Confira abaixo o papo completo da Billboard Brasil com Lykke Li.
Ontem no Zig você cantou Caetano Veloso. A música brasileira claramente é uma referência para você. Que outros artistas brasileiros você gosta?
Lykke Li: Caetano é o meu favorito, eu amo muito. Também amo “Cucurrucucú Paloma”, apesar de ser mais espanhola, mas adoro a versão dele. Sou muito fã da história da música no Brasil.
[Nota do editor: “Cucurrucucú Paloma”, citada por Lykke Li na entrevista, é um clássico do huapango mexicano composto por Tomás Méndez em 1954. A canção ganhou uma das versões mais conhecidas na voz de Caetano Veloso, lançada no disco “Fina Estampa Ao Vivo”, de 1995. Anos depois, a interpretação do cantor brasileiro voltou a ganhar projeção internacional ao aparecer em uma cena marcante do filme “Fale com Ela” (2002), dirigido por Pedro Almodóvar.]
Tem aquele documentário da Netflix, “This Is Pop”, que fala sobre como as escolas suecas aí são muito equipadas para ensinar música. Como você vê isso? Parece que a Suécia realmente leva a música muito a sério, porque os produtores do país estão em todo lugar, do pop ao indie.
Lykke Li: É interessante porque eu não sabia disso antes, mas meu pai acabou de me contar que o avô dele foi um dos homens que ajudaram a defender a música nas escolas públicas. Eu não sabia disso até agora. Não era o meu avô, era o avô do meu pai. Então, sim, eu acho que a Suécia leva a música muito a sério. Sempre existem oportunidades para aprender um instrumento e isso não tem a ver com classe social ou dinheiro. E acho que depois do ABBA isso virou uma bola de neve. Mostrou as possibilidades do que a música pode fazer. Cada grande sucesso influencia a próxima geração. Acho que é uma evolução muito bonita. Também temos muito tempo no inverno. É escuro e pode ser muito deprimente, então a música vira esse escape, esse calor, um lugar para sonhar e também para viajar. Eu sempre digo que a caneta com que comecei a escrever me levou ao redor do mundo.
Você sempre quis fazer música em inglês?
Lykke Li: Sim. Agora eu até tenho interesse em escrever em sueco também, mas tenho medo. É mais difícil. Como todo mundo aprende inglês na escola, acaba sendo natural. E eu aprendi com esse documentário que às vezes as letras podem soar como algo escrito por alguém que não é nativo, mas isso acaba ficando muito bom. Tipo Backstreet Boys. Algumas letras não parecem escritas por um falante nativo, mas funcionam muito bem. Acho que é porque existe algo muito inocente e instintivo nisso. Quando você aprende um idioma, tudo fica mais simples, e numa música pop simplicidade é o melhor.
Você tem uma base de fãs enorme aqui no Brasil. Dá para perceber isso pelas redes sociais?
Lykke Li: Eu amo quando recebo vídeos e coisas do Brasil. Minha nanny, que está comigo há dez anos e é praticamente parte da minha família, é brasileira, então ela sempre me mostra coisas. Tenho muitos amigos brasileiros também. A gente faz feijoada, ela me ensina a dançar…
E agora você finalmente vai encontrar os fãs brasileiros cara a cara. O que acha que vai encontrar?
Lykke Li: Se eles já estão assim agora, eu estou animada. (risos)
Se pudesse fazer uma colaboração com um artista brasileiro, seria com Caetano?
Lykke Li: Preciso conhecer mais os artistas novos. Quero ver quem está por aí agora. Mas eu acabei de fazer um remix com Petrus.wav.
E fora do Brasil, com quem você gostaria de colaborar?
Lykke Li: Latin Mafia. Acho que seria muito legal.
Depois do Brasil você volta para Los Angeles?
Lykke Li: Sim. Depois vou passar três meses na Europa.
E se pudesse escolher qualquer cover para cantar?
Lykke Li: Eu vou cantar um cover hoje. Já foi meio spoiler porque eu cantei ontem. É “Sozinho”.
Você conseguiu conhecer um pouco de São Paulo?
Lykke Li: Não muito, porque fui dormir às sete da manhã ontem. A gente festejou bastante.
O público daqui parece com o da Suécia?
Lykke Li: Não. As pessoas aqui têm uma energia muito melhor. Eu nunca experimentei nada parecido!
Ouça Lykke Li
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