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Potência, legado e a companhia da Nação Zumbi: o show do Paralamas no C6 Fest

Paralamas no C6 Fest 2026 (Iwi Onodera/ Brazil News)

Paralamas no C6 Fest 2026 (Iwi Onodera/ Brazil News)

Não é toda hora que se pode ver ícones maiores de gerações diferentes dividindo um palco de show. No caso de Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi, que se juntaram no palco do C6 Fest no domingo (24), o encontro é um evento muito especial. Os dois nomes tocaram juntos em momentos esporádicos ao longo das últimas três décadas, sendo que muitos desses aconteceram em shows fora do Brasil.

Paralamas e Nação são expoentes de uma abordagem globalista do rock brasileiro, que olhou tanto para EUA e Inglaterra como para Jamaica, África e Brasil. “Alagados” e “Manguetown” são da mesma linhagem, do mesmo espírito multicultural.

Os anfitriões Paralamas abrem os trabalhos com seu primeiro hit, Vital e Sua Moto, de 1983, seguido de Ska, do segundo álbum O Passo do Lui. A plateia esquenta de saída cantando junto os refrões dos clássicos. A terceira música já vem da fase anos 90: Loirinha Bombril e sua celebração da miscigenação contra o preconceito.

Herbert Viana então anuncia os músicos da Nação Zumbi no palco. “Rodamos por alguns países do mundo”, observa o cantor. A soma das bandas produz uma versão forte e intensa de “Selvagem”. A letra “A polícia apresenta suas armas” dá a deixa para a inserção de “Polícia para quem precisa de polícia”, trecho do clássico dos Titãs (que, aliás, saiu no mesmo ano que o álbum “Selvagem”. dos Paralamas).

Na música seguinte, é a vez de posicionar uma do repertório da banda de Recife. “A Praieira”, do álbum “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, é recebida com empolgação pela audiência, que canta o famoso refrão “uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”. O som das bandas se complementa: os metais dos Paralamas e os tambores da Nação criam uma densa massa sonora. A estética que predomina na mescla é o rock, mas balançado e com molho jamaicano.

O pessoal da Nação sai de cena e os Paralamas seguem metendo hits afetivos na Arena Heineken, sonorizando o cair da noite com músicas infalíveis como “Lanterna dos Afogados”, “Alagados” e “Óculos” e “Meu Erro”. O público já toma todo o gramado junto ao Auditório Ibirapuera, com gente dos grisalhos aos novinhos jogando o braço para cima e cantando junto os refrãos.

A Nação Zumbi retorna ao palco para a parte final. Mais uma vez, as bandas tocam uma música de cada discografia, começando com “O Calibre”, dos Paralamas, e fechando com uma versão sangue nos olhos de “Manguetown”, outra da fase Chico Science e Nação Zumbi. Uma demonstração de potência.

É indiscutível o legado deixado na música brasileira pelo Paralamas, uma banda que aliou brilhantismo técnico e inventividade artística em suas muitas fases. Privilégio nosso poder seguir curtindo seu som, mais de 40 anos depois do seu surgimento.