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Like de Ivete foi o motivador de block, diz empresário de Claudia Leitte

Cantoras compartilham relação de paz e guerra (e até o mesmo empresário)

Ivete Sangalo abraça Claudia Leitte

As cantoras Ivete Sangalo e Claudia Leitte: (Reprodução/GShow)

Um like, um block. Completando 40 anos de história, a axé music registra no ano da efeméride uma contenda virtual envolvendo dois grandes nomes do gênero. Ivete Sangalo curtiu uma publicação que continha críticas à cantora Claudia Leitte que, recentemente, enfrenta as consequências de ter mudado letra de “Caranguejo” (indo de “Saudando a rainha Iemanjá” para “Eu canto meu Rei Yeshua”).

O resultado foi que a intervenção da ex-Babado Novo e dona de “Exttravasa” e “Largadinho” levantou discussão sobre intolerância religiosa e, de quebra, serviu como pavio para bloquear Ivete, considerada “rival” pela mídia ao longo dos anos —apesar da tentativa de ambas de não levantarem a brasa do assunto. A relação tem histórico confuso de declarações amigáveis, campanhas publicitárias e tropeços.

A confirmação do block de Leitte à Sangalo foi dada por Fábio Almeida, empresário de Claudia Leitte (e, coincidentemente, ex de Ivete). O post curtido em questão foi publicado por Pedro Tourinho, secretário de Cultura e Turismo de Salvador (BA). Ele criticava Claudia, que é evangélica, por modificar a letra da música “Caranguejo”.

“Não houve nenhum contato telefônico entre as duas.”, ele começou dizendo ao BNews. No entanto, ele prossegue dizendo que o block foi motivado ao “tipo de movimento que Ivete fez [o block]“. Foi uma opção de Claudia bloquear Ivete”. Na mesma declaração, Fábio disse que a ex-empresariada “está sendo a dona da palavra” e “que bate o telefone na cara dos outros”. Eles foram parceiros e sócios por 12 anos.

Discurso de Ivete contra intolerância no Festival de Verão

No dia 27 de janeiro de 2024, Ivete fez discurso durante a execução de “Banho de Folhas” (hit de 2017 da também soteropolitana Luedji Luna), colocando-se muito mais próxima da genética diaspórica da música baiana e brasileira. “Salve a Bahia! Salve esse estado de glória, salve o povo resiliente dessa terra, salve ritmos originais, salve essa ancestralidade que todo mundo bebe e tem de se curvar e respeita e se aliar. Já passou do tempo de reparar historicamente esse gap horroroso da humanidade. Viva a Bahia! Viva o povo negro da Bahia!”

O discurso é um dos momentos recentes que foram, além da própria história de cada artista, separando os caminhos de Ivete Sangalo e Claudia Leitte. Fãs de ambas as cantoras começaram a compilar momentos cringe de cada uma das ídolas, mas quando o assunto é racial, Ivete parece ter tomado caminhos mais cuidadosos. Em 2012, ela cunhou-se como “africana da Alemanha” em post do Facebook durante divulgação do álbum “Negalora” —cuja capa trazia-na pintada com tintas branca e marrom. Por isso, ela enfrentou intenso debate sobre blackface nas redes sociais.

Claudia também coleciona apoio à personagens controversos do mundo político e religioso. É o caso do pastor André Valladão que, em 2023, fez discurso incentivando violência contra LGBTs,  e também a Israel durante o auge de mortes causadas pela guerra contra a Palestina.

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Por sua vez, Ivete também teve momentos em que discutiu racialidade expostos na internet, como uma live que realizou com Thaís Araújo e na qual é questionada sobre o apagamento de cantoras como Margareth Menezes. Perguntada sobre o porquê disso, Ivete responde que  “é um absurdo, é uma loucura, uma determinação quase, quase não, totalmente intencional” para, logo depois, mudar de assunto. Tal qual Claudia, também coleciona momentos igualmente cringes: seu marido Daniel Cady teve que vir a público pedir desculpas à cozinheira da família após ter informado que seria ela o vetor de Covid-19 durante um momento da pandemia.

Ela também esteve no “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”, também conhecido como “Cansei”, ao lado de João Dória, Hebe Camargo e Regina Duarte e cerca de 5 mil pessoas que homenagearam as vítimas de um acidente aéreo com o voo 3054 da TAM. Apesar do tom antipartidário na fala dos participantes, também houve protesto contra o “caos aéreo”, “a corrupção aérea” e “a falta de segurança” no Brasil. Apesar das causas, o movimento foi rapidamente cooptado por eleitores anti-petistas.