Kanye West adia show na França após proibição no Wireless Festival
O rapper tinha um show agendado em Marselha, em junho

O rapper Kanye West (Reuters)
Ye – o Kanye West – adiou seu próximo show em Marselha, França, “até segunda ordem”. O anúncio feito no X pelo rapper e chega apenas uma semana após o Wireless Festival, no Reino Unido, ser cancelado depois que o Ministério do Interior do Reino Unido negou sua entrada no país, alegando que sua presença não seria benéfica para o bem público.
Ele estava programado para ser a atração principal de três noites do Wireless em julho. Diversas organizações judaicas do Reino Unido se manifestaram contra a decisão do evento de contratar o artista de 48 anos, assim como o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o prefeito de Londres Sadiq Khan, que criticaram a medida.
O artista divulgou um comunicado em 7 de abril sobre seus objetivos de trazer “união, paz e amor” para Londres e demonstrou abertura para se encontrar com líderes da comunidade judaica no Reino Unido, mas a proibição foi mantida. “Meu único objetivo é vir a Londres e apresentar um show de mudança, trazendo união, paz e amor através da minha música”, disse ele antes do cancelamento.
“Eu ficaria grato pela oportunidade de me encontrar pessoalmente com membros da comunidade judaica no Reino Unido, para ouvi-los. Sei que palavras não bastam — terei que mostrar a mudança através das minhas ações. Se vocês estiverem abertos, estou aqui.”
De acordo com uma reportagem recente da AFP, autoridades francesas já estavam considerando medidas para impedir a apresentação marcada para 11 de junho no Orange Vélodrome, em Marselha. O ministro do Interior francês, Laurent Núñez, estaria explorando opções para bloquear o show. Núñez teria iniciado o processo para impedir a viagem de Ye à França para se apresentar durante uma conversa com o prefeito de Marselha, Benoît Payán, no início deste mês.
“Após muita reflexão e consideração, decidi adiar meu show em Marselha, França, até segunda ordem”, escreveu Ye no X. Em uma mensagem posterior, ele acrescentou: “Assumo total responsabilidade pelo que é meu, mas não quero envolver meus fãs nisso. Meus fãs são tudo para mim. Ansioso pelos próximos shows.”
O adiamento ocorre em meio às consequências de uma série de declarações antissemitas e pró-nazistas feitas pelo rapper nas redes sociais e em podcasts nos últimos anos, que geraram ampla repercussão negativa e impactaram suas apresentações ao vivo. Em maio de 2025, Ye lançou uma música chamada “Heil Hitler” e vendeu camisetas com suásticas.
De acordo com a lei francesa, a ideologia nazista, os símbolos nazistas e a negação do Holocausto são ilegais.
Em janeiro, Ye publicou um longo pedido de desculpas no The Wall Street Journal, afirmando: “Não sou nazista nem antissemita” e atribuindo seu comportamento passado, em parte, a problemas com uma lesão cerebral e transtorno bipolar.
Até esta quarta-feira (15), o site oficial de Ye ainda listava shows dele em diversos outros países europeus durante o verão, incluindo Turquia, Holanda, Itália, Espanha e Portugal. Ele também tem uma apresentação agendada em Nova Delhi, na Índia, no final de maio.
Ye retornou com seu álbum “Bully” em 28 de março, que alcançou o 2º lugar na Billboard 200. Ele realizou dois shows com ingressos esgotados no SoFi Stadium, em Los Angeles, nos dias 1º e 3 de abril.
[Este conteúdos foi traduzido e adaptado da Billboard. Leia o texto original, em inglês, aqui]
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