Entenda o álbum de Juyè: ‘O ‘quase’ não tem o peso do namoro’
Cantora fala sobre as relações que não são tradicionais

Juyè e Scarp (divulgação)
Bem na véspera do Dia dos Namorados, data associada às relações amorosas, Juyè lança o álbum “Visto por Último”, um trabalho em colaboração com o rapper Scarp que propõe uma nova perspectiva sobre os vínculos afetivos contemporâneos. O disco chega às plataformas digitais nesta quinta-feira (11) e mostra uma sonoridade que atravessa o R&B, o trap soul, o neo soul e diferentes nuances da música urbana.
O projeto tem o objetivo de mostrar o “quase” dos relacionamentos contemporâneos, narrando a história de duas pessoas que escolhem viver intensamente uma conexão sem rotulá-la como um namoro tradicional.
Essa não é a primeira vez que Juyè faz um projeto para essa época, já virou uma espécie de tradição de sua carreira. Mas desta vez o recorte foi mais ousado e atualizado com os dilemas dos solteiros. Foi a partir dessa premissa que nasceu o conceito do trabalho.
“Todo ano eu venho lançando um trabalho no Dia dos Namorados. No primeiro ano, experimentei trazer algo que coubesse para todo mundo. No ano passado, optamos por um trabalho que pegava mais na alma. E aí esse ano eu estava vendo a maioria de casais de amigos meus terminando, amigas minhas decidindo ficar solteiras… O pessoal comentou comigo: ‘Esse negócio de você ter quase algo com alguém às vezes é mais gostoso do que de fato ter algo com alguém. Você não tem aquele compromisso, aquela cobrança, você só quer viver’.”
Vulnerabilidade masculina e conexão de ‘caneta’
A parceria da cantora com Scarp trouxe nuances profundas para a narrativa de 24 horas vividas intensamente pelo casal da ficção. Segundo Juyè, o rapper aceitou o desafio de desarmar o tradicional ego masculino para cantar sobre sentimentos reais.
“A gente teve esse cuidado também de mostrar que um quase relacionamento também tem essa responsabilidade afetiva, só que você não tem num peso que um relacionamento traz. E o legal de trabalhar junto com ele foi que ele botou um pouco mais de emoção, de sentimento ali, que a gente não vê muito homem trazendo nas músicas. Eles são muito mais de maquiar. E ele quis mostrar um lado mais vulnerável, de que o homem também sente as coisas.”
Apesar de virem de vivências diferentes (Juyè é casada com uma mulher e faz parte da comunidade LGBTQIA+, enquanto Scarp tem um relacionamento hétero) a sintonia dos amigos na composição foi imediata. “A gente se juntou e parece que a gente é amigo de uma vida inteira. Temos uma conexão no trabalho muito boa e é difícil você ter essa conexão de caneta em um primeiro trabalho.”
“Visto por Último” mostra um lado que a artista ainda não havia explorado com tanta força. A transição para essa atmosfera mais quente e sensual foi guiada pelos produtores do álbum, que ganharam status de participações especiais e essenciais no projeto.
“O que rolou primeiro foram os instrumentais. A gente não tinha pretensão de fazer algo tão grande, mas se não fossem os produtores, não tem como. O produtor traz todo o brilho. Você pode ter várias letras paradas, agora se você não tem um bom instrumental, você tem apenas a composição. Por isso brinquei que eles são as participações mais do que especiais, assim 100% necessárias.”
Curiosamente, nenhuma das oito faixas carrega o título do álbum. Juyè explica que o nome “Visto por Último” funciona puramente como o conceito central da obra, amarrado diretamente à era das redes sociais e do desapego moderno.
“A ideia era muito no sentido de: ‘eu tenho meus contatinhos, você tem os seus, mas a gente se escolhe porque eu não quero passar o Dia dos Namorados sozinha’. Então, quem vê por último e me responder é o escolhido da vez. No setlist a gente viu que não tinha a faixa com o nome do álbum, mas pensamos: ‘não precisa’. O conceito tá muito bem amarrado no audiovisual. Vamos fazer algo inovador, ninguém faz isso.”
Os próximos passos de Juyè
O lançamento também serve para a cantora entrar em novos espaços no mercado brasileiro. “Eu acho que o R&B existe há muito tempo, só que a gente ainda não tem um mercado tão grande assim. Temos inúmeros artistas que são grandes e fazem isso, como a Ludmilla, a Luísa Sonza, a Iza, mas que acabam sendo jogados um pouquinho para a Nova MPB. O mercado está começando a entender agora. É difícil rotular porque os sons estão muito misturados, mas fico feliz em ver esse gênero ganhando cada vez mais destaque para que a gente consiga ter uma prateleira para defender.”
Juyè já planeja um novo disco, enquanto Scarp foca em projetos voltados para o Boom Bap. No entanto, os fãs da dupla podem esperar por apresentações ao vivo muito em breve: “Planejamos show juntos, mas ainda estamos pensando em quando vamos dar início. Esse disco deve vir para a estrada aí em agosto”, projeta a artista.
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