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Entre rock britânico e complexidade do amor, Olivia Rodrigo lança 3º álbum

'you seem pretty sad for a girl so in love' chega às plataformas sexta (12)

Olivia Rodrigo

Olivia Rodrigo (Adrian Martin/Divulgação)

Se existe um tema que atravessa toda a história do rock, é o amor. Não o amor perfeito e idealizado dos contos de fada, mas aquele que deixa marcas, que confunde e pode machucar. O que move discos clássicos de bandas como The Cure também está no centro de “you seem pretty sad for a girl so in love”, novo álbum de Olivia Rodrigo. A diferença é que, desta vez, a cantora parece mais interessada em explorar as ambiguidades do sentimento do que em encontrar respostas para ele.

Aos 23 anos, ela continua escrevendo sobre relacionamentos em seu terceiro álbum de estúdio. Para isso, inspirada na tradição do new wave e do pós-punk britânico, transforma o romances e suas desilusões em canções que soam mais maduras e melancólicas.

A relação de Olivia Rodrigo com o rock começou ainda na infância. Seus pais sempre foram fãs do gênero. Em entrevista ao programa “Jimmy Kimmel Live”, a cantora revelou que seu pai assistiu a mais de 30 shows do The Cure e chegou a chorar ao conhecer pessoalmente Robert Smith, vocalista da banda. Ela também contou que sua mãe preferiu assistir ao show do Korn em vez de vê-la se apresentar durante uma edição recente do Lollapalooza, além de ser fã de diversas bandas de metal.

Embora tenha iniciado a carreira como atriz em produções da Disney, como “Bizaardvark” (2016 – 2019) e “High School Musical: A Série: O Musical” (2019 – 2022), foi na música que encontrou sua verdadeira força. Seu álbum de estreia, “SOUR” (2021), transformou Rodrigo em um fenômeno global. Com letras confessionais e referências ao pop punk dos anos 2000, o disco capturou as inseguranças e frustrações da adolescência de forma quase geracional.

Nascida em 2003, justamente quando o pop punk vivia um de seus períodos mais populares, Olivia utilizou essas referências em “SOUR” e aprofundou essa conexão em “GUTS” (2023), apresentando para a geração Z uma sonoridade que marcou a juventude de muitos millennials. Sua discografia sempre girou em torno do amor e de suas consequências, alternando entre raiva, ressentimento, paixão e tristeza.

Agora, em “you seem pretty sad for a girl so in love”, lançado nesta sexta-feira (12), ela continua explorando o mesmo tema, mas com novas ferramentas. O disco é dividido conceitualmente em duas partes: as faixas iniciais retratam a experiência da garota apaixonada, enquanto a segunda metade revela as cicatrizes emocionais escondidas por trás desse encantamento.

A estrutura parece refletir uma das maiores contradições dos relacionamentos adultos: a coexistência entre felicidade e tristeza. Afinal, amar alguém não elimina inseguranças, dúvidas ou frustrações. Muitas vezes, apenas as torna mais evidentes. Talvez seja justamente essa ambiguidade que faça do amor um tema tão inesgotável para a música.

Para retratar seu primeiro “relacionamento de gente grande”, como ela mesma definiu, Olivia encontrou no new wave e no pós-punk o vocabulário sonoro ideal. O álbum viaja entre as décadas de 1980 e 1990, tendo The Cure como principal referência estética e emocional.

Em entrevista aos jornalistas Jon Caramanica e Joe Coscarelli, do podcast “Popcast”, ela contou que sua relação com Robert Smith se intensificou após sua apresentação no Festival de Glastonbury, em 2025, quando convidou o músico para interpretar “Friday I’m in Love” e “Just Like Heaven”. Depois de conhecê-lo e passar um tempo ao seu lado, a cantora mergulhou ainda mais profundamente no universo do new wave.

A influência aparece de forma clara ao longo do disco. Assim como Robert Smith fez durante décadas, Olivia encontra beleza justamente nos aspectos mais contraditórios do amor. O sentimento raramente surge em suas composições como algo simples ou totalmente positivo. Pelo contrário: ele costuma vir acompanhado de medo, ansiedade e melancolia.

O álbum traz uma referência direta a “Just Like Heaven” em “drop dead”, conta com a participação do próprio Robert Smith em “what’s wrong with me” – a primeira colaboração oficial da carreira de Olivia Rodrigo – e ainda inclui uma faixa chamada “the cure”. Segundo a cantora, porém, o título não foi pensado como homenagem à banda britânica, mas surgiu de forma espontânea durante o processo criativo.

A influência inglesa também tem uma explicação prática. Olivia revelou que passou parte da produção do álbum morando na Inglaterra, experiência que a aproximou ainda mais da tradição do rock britânico. Na mesma entrevista, afirmou que escuta rock constantemente e que sempre enxergou o gênero como uma de suas principais referências artísticas.

Mais do que uma simples homenagem ao rock britânico, “you seem pretty sad for a girl so in love” marca um novo estágio na trajetória de Olivia Rodrigo, fugindo das dores explosivas e do olhar sarcástico, mas entrando em algo ainda mais difícil: aceitar que amor e tristeza frequentemente caminham juntos.

Ao utilizar as referências do new wave e do pós-punk, Olivia encontra uma linguagem musical para explorar os paradoxos do coração.

Ouça ‘you seem pretty sad for a girl so in love’, de Olivia Rodrigo