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Morre Jennifer Finch, baixista da banda L7, aos 59 anos

Americana integrou a formação clássica da banda e criou o Rock for Choice

Jennifer Finch durante apresentação com o L7

Jennifer Finch durante apresentação com o L7 (Marc Broussely/Redferns)

Jennifer Finch, baixista, cantora e compositora que integrou a formação clássica do L7, morreu neste sábado (18), aos 59 anos. A notícia foi confirmada por familiares e pelas integrantes da banda nas redes sociais. A musicista enfrentava uma forma agressiva de câncer no cérebro.

“Seu espírito feroz, humor e criatividade sem limites ajudaram a moldar o L7 e mudaram nossas vidas para sempre”, escreveu o grupo em homenagem à baixista. O comunicado definiu Jennifer Finch como uma artista que viveu de acordo com as próprias regras e pediu privacidade para familiares e amigos.

O diagnóstico havia sido divulgado cinco dias antes da morte. Segundo a equipe da artista, complicações no tratamento fizeram com que Jennifer Finch passasse por diversas cirurgias e desenvolvesse limitações físicas que exigiam cuidados médicos, reabilitação e assistência profissional em casa.

Uma campanha criada para custear o tratamento ultrapassou a meta inicial de US$ 350 mil. Garbage, Kathleen Hanna, Jeff Ament, do Pearl Jam, e pessoas ligadas a Green Day, Bad Religion, Tool, Fugazi e Sub Pop estavam entre os doadores. Parte dos recursos também seria destinada à preservação do arquivo artístico de Finch.

Jennifer Finch e a formação clássica do L7

L7 retornou aos palcos após hiato
L7 retornou aos palcos após hiato (Grosby Group)

Nascida e criada em Los Angeles, Jennifer Finch começou a frequentar a cena punk da cidade ainda na adolescência. Antes do L7, tocou no Sugar Baby Doll (posteriormente chamado Sugar Babylon) ao lado de Courtney Love, que formaria o Hole, e Kat Bjelland, futura líder do Babes in Toyland.

Finch entrou para o L7 em 1986, cerca de um ano após a banda ser criada por Donita Sparks e Suzi Gardner. Com a chegada da baterista Demetra “Dee” Plakas, o grupo estabeleceu sua formação mais conhecida: Sparks e Gardner nas guitarras e vocais, Finch no baixo e Plakas na bateria.

O quarteto surgiu em Los Angeles, mas foi associado à explosão do grunge por combinar a estrutura direta do punk com riffs de metal, ruído, melodias pop e letras marcadas por humor, crítica política e confronto. O L7 também foi uma das primeiras bandas de sua geração a ampliar a presença de mulheres nos palcos do rock pesado sem permitir que o gênero de suas integrantes delimitasse sua música.

Com Jennifer Finch, o grupo gravou os álbuns “L7” (1988), “Smell the Magic” (1990), “Bricks Are Heavy” (1992), “Hungry for Stink” (1994) e, após a reunião, “Scatter the Rats” (2019).

Produzido por Butch Vig, “Bricks Are Heavy” levou o L7 a um público maior. O disco inclui “Pretend We’re Dead”, maior sucesso comercial da banda, que chegou ao 8º lugar da parada Alternative Airplay da Billboard em 1992. Finch também escreveu ou participou da composição de faixas como “Everglade”, “One More Thing” e “Shirley”.

Jennifer Finch se destacava pela movimentação constante no palco, pelos vocais de apoio e por uma forma de tocar que reforçava tanto o peso quanto o impulso rítmico das músicas. Sua atuação também foi importante fora dos shows: Finch ajudou a aproximar o L7 da Sub Pop e participou da construção de relações com diferentes núcleos do punk e do rock alternativo norte-americano.

Ativismo e Rock for Choice

Em 1991, o L7 criou o Rock for Choice em parceria com a Feminist Majority Foundation. A série de concertos arrecadava recursos e defendia o direito ao aborto nos Estados Unidos, reunindo nomes como Nirvana, Hole, Joan Jett e o próprio L7.

O projeto colocou o ativismo no centro da atuação pública da banda em um período de disputas políticas sobre os direitos reprodutivos no país. Mais do que participar de eventos beneficentes, o L7 usou sua posição dentro do rock alternativo para organizar artistas, públicos e entidades em torno da pauta.

Jennifer Finch também participou de turnês com Nirvana, Pearl Jam, Beastie Boys e Smashing Pumpkins. O L7 passou por festivais como Lollapalooza, Reading, Glastonbury e a primeira edição da Warped Tour.

Carreira fora do L7

Jennifer Finch deixou o L7 em 1996. Naquele período, formou o OtherStarPeople com Xander Smith. O grupo gravou “Diamonds in the Belly of the Dog”, produzido por Roy Thomas Baker, conhecido por trabalhos com Queen, The Cars e Devo.

Mais tarde, Jennifer Finch liderou a banda punk The Shocker, criou o selo Little Pusher Records e produziu um álbum-tributo aos Ramones destinado a uma instituição infantil. Também trabalhou como escritora, designer e fotógrafa.

A fotografia acompanhava Jennifer Finch desde a adolescência. Ela registrou shows, bastidores e personagens da cena punk de Los Angeles, criando um arquivo visual feito de dentro daquela comunidade. Parte de seus diários fotográficos da Warped Tour de 1995 foi exibida no Rock & Roll Hall of Fame.

Reunião do L7 e últimos shows no Brasil

Finch retornou ao L7 quando a formação clássica retomou as atividades, em 2014. A reunião levou a banda novamente aos palcos internacionais e resultou em “Scatter the Rats”, lançado em 2019, o primeiro álbum de estúdio do grupo em duas décadas.

Uma de suas últimas passagens pelo Brasil ocorreu em março de 2025. L7 e Garbage dividiram uma turnê com apresentações no Rio de Janeiro, em São Paulo e Curitiba.

Em 2026, o L7 anunciou a turnê de despedida “The Last Hurrah”. Finch já havia se afastado dos shows de verão por questões de saúde e, após a divulgação do diagnóstico, confirmou que não participaria da etapa norte-americana. De acordo com a banda, foi ela quem pediu que as demais integrantes mantivessem a turnê. Até o momento, o grupo não informou se a morte alterará a programação anunciada.

Jennifer Finch preparava ainda o livro “Shooting Up and Making Out: A Memoir of My Life in L.A. and L7”, escrito com Jeff Alulis. A autobiografia, com fotografias feitas pela própria artista, tem lançamento previsto para 19 de janeiro de 2027.