Jão: relembre as eras que moldaram sua carreira antes de ‘Memórias Póstumas’
Disco com 14 faixas inéditas chega neste domingo (26) às 21h

Jão em capa de 'Memórias Póstumas' (Hugo Comte)
Jão está de volta! Depois de mais de um ano afastado dos palcos e das redes sociais, o cantor confirmou “Memórias Póstumas”, seu quinto álbum de estúdio, que chega às plataformas digitais neste domingo (26), às 21h.
Com 14 faixas inéditas, o disco encerra um dos períodos mais silenciosos da carreira do artista e inaugura um capítulo à parte, rompendo com a lógica dos quatro elementos que conduziu seus últimos trabalhos.
Neste tempo, o cantor explicou que precisava desaparecer por um tempo para descansar, reencontrar o processo criativo e apenas escrever o que era preciso.
Durante mais de um ano, Jão interrompeu entrevistas, shows e publicações, período aprofundado pela morte do pai em junho de 2025.
+ Leia mais: ‘Memórias Póstumas’: veja a tracklist do novo álbum de Jão
Relembre todas as eras de Jão
Antes de iniciar esse novo capítulo, o cantor construiu uma das narrativas mais consistentes do pop brasileiro contemporâneo por meio da chamada quadrilogia dos elementos.
Entre 2018 e 2024, cada álbum representou um elemento da natureza e uma etapa diferente de sua vida artística, um plano que, segundo o próprio artista revelou ao fim do ciclo, existia desde o início.
Terra: “Lobos” (2018)
“Lobos” apresentou Jão ao grande público. O álbum de estreia trouxe um pop melancólico marcado por violões, letras confessionais e influências da música folk.
Visualmente, a era explorava paisagens do interior, florestas, noites frias e a ideia de pertencimento às próprias origens, remetendo diretamente ao elemento Terra e às raízes que sustentavam o início da trajetória do cantor.
Foi nessa fase que nasceram músicas como “Vou Morrer Sozinho”, “Me Beija Com Carinho” e “Imaturo”, que transformaram o cantor em uma das principais revelações do pop nacional.
Nas canções, os temas abordados eram insegurança, descoberta da própria identidade e medo da solidão, temas que se tornariam marcas registradas da escrita do cantor.
Ar: “Anti-Herói” (2019)
Se “Lobos” olhava para dentro, “Anti-Herói” transformou a vulnerabilidade em protagonista.
O álbum apresentou uma estética minimalista, fria e urbana, dialogando com o elemento ar e aquilo que não pode ser segurado: pensamentos, dúvidas e memórias.
Faixas como “Enquanto Me Beija”, “Essa Eu Fiz Pro Nosso Amor”, “Você Me Perdeu” e “Monstros” fizeram com que ele se tornasse um dos nomes mais falados da nova geração do pop brasileiro.
Foi também nessa era que o artista passou a assumir um discurso mais aberto sobre sexualidade, autoestima e fragilidade masculina, aproximando ainda mais sua relação com os fãs.
Água: “Pirata” (2021)
Com “Pirata”, Jão apresentou um trabalho mais luminoso, pop e grandioso, inspirado pelo elemento Água.
A estética de marinheiro, navios e oceano dialogava com a ideia de seguir em frente, mesmo sem saber exatamente o destino.
Foi durante essa fase que nasceram sucessos como “Idiota”, “Coringa”, “Não Te Amo” e “Santo”, ampliando o alcance do cantor e transformando sua turnê em um fenômeno nacional.
“Pirata” também marcou um momento importante de representatividade, com Jão passando a falar de relacionamentos entre homens de forma natural em suas músicas, sem recorrer a metáforas para esconder o gênero da pessoa amada.
Fogo: “Super” (2023)
O último capítulo da quadrilogia foi também o mais ambicioso. Representando o elemento Fogo, “Super” trouxe uma sonoridade mais expansiva e uma estética inspirada em super-heróis, explosões e transformação.
O álbum reúne músicas como “Alinhamento Milenar”, “Me Lambe”, “Escorpião”, “Locadora” e “Julho”, equilibrando grandes refrãos pop com momentos intimistas.
O disco rendeu ao artista uma indicação ao Grammy Latino de 2024, na categoria Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, além do prêmio de Álbum do Ano no Multishow 2023.
Em 2024, o projeto ainda ganhou uma reedição, “Supernova”, com oito faixas inéditas.
A era culminou na “Superturnê”, maior projeto de sua carreira até então, repleta de cenografia, efeitos especiais, passarelas, pirotecnia e apresentações em estádios e arenas.
“Memórias Póstumas”: o novo capítulo de Jão
O anúncio do álbum foi feito na quinta-feira (23) com um teaser de quase três minutos com imagens inéditas e fotos de infância do cantor, refletindo sobre morte, luto e os motivos que o levam a continuar cantando.
A capa de “Memórias Póstumas” foi assinada pelo fotógrafo francês Hugo Comte, conhecido pelo trabalho no álbum “Future Nostalgia” (2020), de Dua Lipa.
O título do disco dialoga com “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, clássico de Machado de Assis, e reforça os temas centrais do projeto: luto, finitude e o papel da arte diante da perda.
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O cantor assina a composição de praticamente todas as faixas do álbum, com exceção de “João”, a segunda música do disco, escrita por Pedro Tófani, diretor criativo do cantor e também seu namorado. Tófani também aparece como coautor de outras sete faixas, entre elas “Catedral”, “O Amor” e “Literatura”.
A produção fica a cargo do próprio cantor, em parceria com nomes como Zebu, Janluska e Gabriel Duarte, que assinam faixas como “Aurora”, “Eu Sempre Volto” e a que dá nome ao álbum, “Memórias Póstumas”.
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