Belo não tem medo de soar arrogante ao fazer esse tipo de afirmação. Durante uma hora e meia de entrevista, enquanto viajava do Rio até Maricá para um show, alternava a marra com uma humildade demasiada, atribuindo a terceiros qualidades que também são suas. Em vários momentos da conversa com a Billboard Brasil, Belo citava uma música, “um sucesso conhecido em todo o país”, em suas palavras, para na sequência questionar se o repórter já a havia ouvido.
Antes mesmo da resposta, começava a cantarolar alguns versos. “Todo mundo conhece, mas vou te mostrar um pouquinho”, dizia. Embora simpaticíssimo, Marcelo Pires Vieira não é uma pessoa simples de lidar. Ele próprio admite que é adepto do ditado “sou do sereno, não tenho hora”. Mas, quando abre a boca, é difícil encontrar alguém que não caia em sua lábia.
O cantor tenta dimensionar o seu sucesso, até para ter mais noção do impacto que causou na cultura brasileira. Em junho, o Soweto lotou dois shows no Allianz Parque, em São Paulo, na estreia da turnê de 30 anos do grupo. Ao todo, foram 90 mil pessoas só ali –isso sem contar as outras 29 cidades, como Rio de Janeiro, Belém e Brasília.
“Agora, me fala: que outro artista lotou o Allianz dois dias seguidos? É uma loucura, não posso normalizar, achar que é comum. Só o Soweto e a Taylor Swift fizeram isso, porra!”
Marcelo Pires Vieira é pai de quatro filhos e tem quatro netos. Ele diz tentar manter alguma privacidade, mas a profissão faz com que sua vida pessoal seja mais pública do que gostaria. Em 2004, inclusive, viu seu mundo ser revirado. Foi condenado por tráfico de drogas e associação ao tráfico, no que ficou conhecido como “escândalo do tênis”, quando, em um grampo telefônico, o cantor foi flagrado negociando um “tênis AR” –o que a polícia entendeu como sendo um fuzil AR-15.
Belo viu sua imagem sair dos cadernos de música e celebridades dos grandes jornais para estampar as páginas policiais. Cumpriu pena de três anos em presídios do Rio de Janeiro. Vinte anos depois, ele viria a interpretar um policial na série “Veronika” e conta que viveu um dos momentos mais emocionantes da sua carreira como ator –com direito a DRT, o tal registro profissional da categoria, como ele faz questão de deixar claro.
“Quando recebi o convite e tive o primeiro contato com o pessoal da Polícia Civil do Rio, eu senti muita vergonha. Fiquei três anos preso, enquanto minha música tocava em todos os lugares do Brasil. Foi um momento triste da minha vida, mas que definitivamente superei.” Os detalhes dessa história Belo prefere guardar para seu documentário. “Meus fãs merecem saber tudo o que aconteceu comigo, mas quem tem que contar isso sou eu mesmo”, define.
Ao falar de amor, porém, o cantor se solta e se diz honrado por elogios como o do colunista Chico Barney, que apontou Belo como um sucessor natural de Roberto Carlos –ele gostou tanto da sugestão que seu projeto “Belo in Concert” surgiu após a comparação com o Rei. “Não vou falar que eu sou o melhor, mas sou um dos maiores intérpretes de amor deste país. Não tem como negar. Antes, ainda tinha a questão do preconceito com pagode. Hoje, vão falar o que de mim? Quem canta sobre amor melhor do que eu? Se sair na rua e fizer uma pesquisa: ‘Quem é o cantor do amor?’, vão responder ‘É o Belo’.”
Até fora dos palcos Belo admite ser um romântico irremediável, daqueles que se embriagam de amor até a última gota. Diz ter aprendido com o pai, que abria a porta do carro e fazia questão de dar tudo do bom e do melhor para sua mãe, mesmo com condições financeiras limitadíssimas. “Ele me ensinou que não há nada mais caro do que o amor.”
Pois Marcelo disse ter replicado isso nos seus próprios relacionamentos, como os casamentos com a modelo Viviane Araújo (de 1998 a 2007) e com a influenciadora digital e modelo fitness Gracyanne Barbosa, de quem se separou recentemente, depois de 16 anos juntos. No seu relacionamento com Gracyanne, a internet foi um problema. Belo tenta ser reservado nas redes sociais, enquanto ela leva a vida como influenciadora digital, o que a faz ter, por obrigação, que se expor nas redes. O artista sabia dessa questão e não só abriu mão da privacidade como mergulhou na produção de conteúdo com a amada, aparecendo em fotos e vídeos do “casal Tudão”. Coisa típica de gente apaixonada.
“O Brasil todo viu, não teve como esconder. Olha como foi meu casamento com a Viviane, meu casamento com a Gracyanne. Muita gente falava: ‘Ah, esse cara é um bobão’. Mas é quem eu sou, vou fazer o quê? Eu vivo a minha verdade, e a minha verdade é o amor. Eu sou o amor mesmo e levo isso para a música. Talvez esse seja o segredo do meu sucesso. O amor. O Belo é o amor como ser humano.”