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Globo estreia série sobre o pagode dos anos 1990

Produção revisita o gênero e sua influência na música brasileira

Chrigor nos Bastidores da série 'Anos 90: a explosão do pagode' (Foto: Divulgação/TV Globo)

Chrigor nos Bastidores da série 'Anos 90: a explosão do pagode' (Foto: Divulgação/TV Globo)

A TV Globo estreia no dia 1º de julho a série documental “Anos 90: A Explosão do Pagode”. Produzida pelos Estúdios Globo, a obra revisita o movimento musical que se consolidou na periferia de São Paulo e se transformou em um dos principais fenômenos da música brasileira na década de 1990.

Participam da produção nomes como Salgadinho, Chrigor, Netinho, Péricles, Belo e Márcio Art. A série também reúne depoimentos de integrantes de grupos que marcaram o período, como Katinguelê, Exaltasamba, Soweto, Negritude Júnior, Art Popular, Só Pra Contrariar, Raça Negra e Molejo.

O documentário acompanha a trajetória do pagode desde suas origens até a consolidação nacional do gênero, destacando sua presença na televisão, no mercado fonográfico e na cultura popular brasileira.

Dividida em três episódios, a série será exibida às quartas-feiras e reúne imagens de arquivo, entrevistas inéditas e apresentações musicais. A direção é de Emilio Domingos e Rafael Boucinha, com roteiro de Raul Perez.

Além dos artistas, o documentário destaca a atuação de empresários e produtores que contribuíram para a expansão do gênero, entre eles Luizão da Chic Show, William da Zimbabwe, Jorge Hamilton e Pelé Problema.

“O pagode dos anos 90 não foi só música, foi uma revolução cultural e converge com o auge da televisão brasileira. Era um movimento musical da periferia que conquistou o país, colocando o homem negro na frente das câmeras em horário nobre, e isso mudou tudo”, afirmou o diretor Rafael Boucinha.

A produção também propõe reflexões sobre representatividade negra, indústria fonográfica, machismo e a ausência de mulheres no protagonismo do gênero durante aquele período. O documentário ainda investiga as conexões culturais entre São Paulo e Rio de Janeiro na formação da sonoridade do pagode.

Para Emilio Domingos, a importância do movimento ultrapassa o aspecto musical. “O pagode dos anos 90 é um marco na representatividade negra na música brasileira. Esses artistas, vindos da periferia de São Paulo, dominaram as paradas de sucesso e a televisão em uma época em que a indústria fonográfica era extremamente influente”, afirmou.

A série também estabelece um diálogo com a atualidade por meio de depoimentos de Ludmilla, Thiaguinho e Gloria Groove, artistas que ajudam a demonstrar a permanência da influência do pagode na música brasileira contemporânea.

Gravada em locações no Rio de Janeiro e em São Paulo, a produção aposta em uma estética inspirada nos anos 1990 e inclui números musicais exclusivos.