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A narrativa dos encontros: Zé Ricardo e a curadoria do Festival de Verão

Diretor artístico discute a responsabilidade de programar evento

Zé Ricardo, diretor artístico do Festival de Verão

Zé Ricardo, diretor artístico do Festival de Verão (Divulgação)

À frente da direção artística da 25ª edição do Festival de Verão Salvador, Zé Ricardo descreve o processo de elaboração do line-up como um exercício de alta responsabilidade e constante expectativa.

Em entrevista para Billboard Brasil, o executivo detalhou que a proximidade do evento, que em 2026 inaugura a sede própria na Arena Festival, ainda provoca reações físicas. “É sempre um frio na barriga muito grande. É sempre uma sensação de: ‘será que eles vão se divertir com tudo que eu criei, com tudo que eu pensei?'”, afirmou o diretor.

A gestão artística de Ricardo para o festival em Salvador é pautada pelo entendimento de que o público local possui um alto nível de conhecimento musical.

“Fazer um line-up para a Bahia é uma responsabilidade muito grande. A Bahia é, para mim, o lugar que mais entende de música no Brasil”, explicou. Segundo o diretor, o principal desafio comercial e artístico é convencer o espectador a adquirir ingressos em um período do ano em que a capital baiana oferece uma vasta programação cultural gratuita.

Para superar esse obstáculo, a estratégia não foca na simples sucessão de apresentações em favor de uma narrativa temática. O objetivo é provocar sensações e oferecer um conteúdo que não possa ser replicado em outros contextos. ”

O desafio é propor e provocar sensações num público que tem a maior oferta de música de qualidade nos meses de janeiro e fevereiro. Criar uma narrativa que seja tão poderosa que faça a pessoa querer fazer parte do dia”, destacou Ricardo.

Essa estrutura narrativa divide o festival em dois momentos distintos: o sábado, focado na celebração da herança musical e MPB com nomes como Caetano Veloso e Ney Matogrosso; e o domingo, voltado às linguagens contemporâneas. Zé Ricardo ressalta que o trabalho de curadoria exige humildade e um exercício profundo de escuta das ruas.

“Eu utilizaria a palavra honra para descrever o que sinto. É uma honra poder chegar na Bahia, propor um line-up e ele ser tão bem aceito”, afirmou.