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O que esperar do Festival de Verão de Salvador 2026

De Ney Matogrosso a Luísa Sonza, confira a programação completa e os destaques

Ivete Sangalo em Copacabana, no Rio

Ivete Sangalo é uma das atrações do Festival de Verão 2026 (Roberto Filho/Brazil News)

Em sua 25ª edição, o Festival de Verão de Salvador segue como referência no Brasil ao abrir o calendário musical do ano. Desde sua criação, o evento tornou-se vitrine tanto para ídolos consagrados quanto para novos talentos, ajudando a projetar artistas baianos e nacionais e movimentando a cena cultural e turística de Salvador no auge da estação mais quente e badalada. Este ano, a festa será realizada nos dias 24 e 25 de janeiro. Os ingressos já estão disponíveis e custam a partir de R$ 90 no canal oficial de vendas. 

Ao longo dos anos, o Festival de Verão ganhou a reputação de ser um termômetro do que fará sucesso nos meses seguintes. Por acontecer em janeiro, o evento antecipa tendências musicais e hits que embalarão o Carnaval e o ano todo. Muitas vezes, parcerias especiais ou repertórios apresentados no festival indicam os rumos do mercado musical. Seja a ascensão de um novo gênero ou a consagração de um artista em nova fase.

De Ney Matogrosso a Belo, há opções para todos os fãs.  A programação de 2026 destaca uma diversidade estética e geracional rara em um mesmo palco. O line-up abrange desde lendas da MPB e do axé até fenômenos recentes do trap e do piseiro, mostrando a riqueza da música brasileira em múltiplas vertentes. Ícones veteranos dividem espaço com jovens revelações, conectando públicos de diferentes idades. 

O que esperar dos shows do Festival de Verão 2026

Rachel Reis convida Márcio Victor

Revelação da cena baiana, Rachel Reis abre o sábado levando ao palco frescor pop sem deixar de lado as raízes locais. A cantora, nascida em Feira de Santana, despontou nos últimos anos misturando MPB contemporânea com ritmos baianos, e em 2025 lançou o elogiado álbum “Divina Casca”. Rachel vem embalada também por projetos recentes, a exemplo do EP “No Seu Radinho” (lançado no fim de 2025), em que colaborou com Carlinhos Brown e outros artistas da Bahia. Com a participação especial de Márcio Victor, vocalista do Psirico com quem gravou “Apavoro”, a jovem artista deve acrescentar dose extra de swing e percussão ao show.  

Ney Matogrosso

Na sequência, o festival recebe a presença magnética de Ney Matogrosso, um dos maiores intérpretes que a música brasileira já produziu. Aos 84 anos de idade, o ex-líder dos Secos & Molhados continua impressionando por sua voz potente e performance cênica ousada. Em 2025, Ney viveu um momento de renovado destaque graças à cinebiografia “Homem com H”, que celebrou sua trajetória e apresentou sua arte a uma nova geração de fãs. No show em Salvador, o cantor deve revisitar pérolas de seu extenso repertório, que inclui desde clássicos dos anos 1970 como “Sangue Latino” e “O Vira” e interpretações emblemáticas de outros compositores.  

“Dominguinho”: João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho

O projeto “Dominguinho” promete um dos momentos mais especiais do festival. Idealizado em 2025 pelo trio João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho, o show presta homenagem ao legado do saudoso Dominguinhos ao mesmo tempo em que celebra a nova geração de artistas nordestinos. João Gomes, fenômeno do piseiro e forró eletrônico desde que estourou nacionalmente com “Meu Pedaço de Pecado”, une forças com o cantor e compositor Jota.Pê e com o aclamado sanfoneiro Mestrinho para costurar um repertório que passeia pela simplicidade e beleza da música de raiz. Clássicos como “Eu Só Quero Um Xodó”, “Lamento Sertanejo” ou “Isso Aqui Tá Bom Demais” devem estar no setlist. 

Caetano Veloso

Com mais de seis décadas de carreira, o cantor e compositor baiano continua se reinventando e dialogando com a atualidade sem abrir mão de sua essência. Nos últimos anos, Caetano Veloso lançou o álbum “Meu Coco” (2021), repleto de canções inéditas e reflexões poéticas sobre o Brasil contemporâneo, e em 2024 embarcou numa turnê histórica ao lado de sua irmã Maria Bethânia. Caetano Veloso e Maria Bethânia foram indicados ao Grammy Awards 2026 na categoria de Melhor Álbum de Música Global pelo disco “Caetano e Bethânia Ao Vivo”. 

Ivete Sangalo

Não existe palco melhor para ver Ivete Sangalo do que o do Festival de Verão de Salvador. Em 2026, a musa do axé marca presença pela 25ª vez, tendo participado de todas as edições do evento. Ivete traz consigo a energia do Carnaval baiano e um repertório de hits que todo brasileiro sabe cantar. O show dela é tradicionalmente um dos mais aguardados da noite de sábado, transformando a arena numa micareta a céu aberto. Além dos sucessos atemporais, como “Festa”, “Sorte Grande (Poeira)”, “A Galera” e “Eva”, Ivete está numa fase de experimentação artística que pode aparecer no palco. Em 2025, a cantora lançou o projeto “Ivete Clareou”, um álbum dedicado ao samba em homenagem à memória de sua infância e a ícones como Clara Nunes. 

Carlinhos Brown

Encerrando a noite de sábado com baquetas de ouro, Carlinhos Brown assume o comando da festa trazendo sua inigualável força percussiva. Multi-instrumentista, compositor e verdadeiro showman, Brown representa a essência rítmica de Salvador no festival. Seu show costuma ser uma celebração da música afro-baiana, misturando axé, samba-reggae, funk, pop e o que mais couber, sempre com ênfase na percussão marcante. Em 2025, Carlinhos comemorou 63 anos de vida e anunciou a volta de projetos tradicionais de verão, como o Sarau du Brown. 

Teto convida WIU

Abrindo os trabalhos do domingo, o festival dá espaço ao trap nacional, comprovando sua expansão. Teto, jovem rapper baiano de 20 e poucos anos, é um dos grandes nomes da nova geração do trap brasileiro, apadrinhado por Matuê e estourado nas plataformas digitais com músicas que viralizaram entre o público mais jovem. Faixas como “M4”, “Groupies” e “PayPal” consolidaram Teto como um hitmaker do gênero, mesclando batidas pesadas, melodias sombrias e letras que retratam a ostentação e os dilemas da juventude periférica. Ao convidar WIU para seu show, ele promete um encontro de destaque do trap nordestino: WIU, cearense em ascensão, também integra esse cenário e é conhecido por músicas como “Al\u00f4” e colaborações com outros trappers da 30PRAUM. Ambos já colaboraram em “Problemas de um Milionário” e acabaram de lançar “Isso aqui é Brasil”com Deekapz.

Luísa Sonza

Na sequência do domingo, a gaúcha Luísa Sonza promete trazer a bossa para o palco, adicionando uma dose de música pop à fórmula. Luísa vem de uma fase de ascensão meteórica nos últimos anos: após emplacar diversos hits radiofônicos e se firmar como uma das artistas pop mais relevantes do país, ela lançou em 2023 o álbum “Escândalo Íntimo”, um trabalho pessoal e ousado que rendeu faixas de sucesso e muita discussão nas redes. Este mês, apresentou seu novo trabalho “Bossa Sempre Nova”, em que colabora com Roberto Menescal e Toquinho. 

Léo Santana

O gigante do pagodão baiano, Léo Santana, assume o palco em seguida para elevar a temperatura ao máximo. Dono de uma presença de palco inconfundível Léo traz o DNA de Carnaval e quebradeira para o Festival de Verão. Em 2025, o artista celebrou 20 anos de carreira, desde os tempos em que despontou como vocalista do Parangolé, e aproveitou a ocasião para gravar um DVD ao vivo em Salvador intitulado “Léo Santana 20 Anos – DNA de GG”. Nesse projeto, Léo revisitou toda sua trajetória, desde hits antigos que marcaram época até as músicas mais recentes, em medleys nostálgicos e participações especiais. A fase atual também é de conquista de novos públicos: ele emplacou o single “Desliza” em parceria com a jovem Melody, e lançou no fim do ano a música “Marquinha de Fitinha”, uma  aposta para o verão de 2026.

Wesley Safadão com Elba Ramalho

Dando continuidade ao domingo, o Festival de Verão reservou um encontro histórico entre duas gerações do forró. Wesley Safadão, um dos artistas mais populares do gênero na atualidade, convida a icônica Elba Ramalho para dividirem o palco em um show exclusivo em homenagem ao forró brasileiro. A união desses dois nomes evidencia “a força do forró, a alma do Nordeste”, como define a própria organização do evento. Wesley Safadão construiu sua fama misturando o forró eletrônico com sertanejo universitário, colecionando hits animados como “Camarote”, “Vou Dar Virote” e “Ar Condicionado no 15”, além de românticas populares. Sua performance é sempre garantia de animação, com banda grandiosa, dançarinos e aquele pique de quem já arrasta multidões em festas juninas e micaretas por todo o país. Já Elba Ramalho dispensa apresentações: há mais de 40 anos ela leva a cultura nordestina pelo mundo, com sua voz potente interpretando xotes, baiões e frevos. Clássicos imortalizados por Elba, a exemplo de “De Volta pro Aconchego”, “Frevo Mulher” e “Bate Coração”, estão no imaginário coletivo.

Péricles

O domingo do Festival de Verão também tem espaço para o samba e pagode. E ninguém melhor que Péricles para representar o gênero com classe e emoção. Ex-vocalista do grupo Exaltasamba e há anos em carreira solo de sucesso, Péricles traz consigo uma das vozes mais respeitadas do pagode romântico. Em 2025, o cantor esteve bastante ativo: lançou novas partes do projeto “Pagode do Pericão – Ao Vivo” (gravado em São Paulo), revivendo clássicos do pagode dos anos 90 e 2000, e anunciou uma turnê conjunta com o pagodeiro Ferrugem para 2026, intitulada “As Vozes”.  

Belo

Fechando a maratona musical, a última atração do domingo  e do Festival de Verão 2026  é Belo, outro grande nome do pagode romântico. Agora também um galã de novelas da TV Globo, Belo construiu uma carreira marcada por inúmeros sucessos desde os tempos do grupo Soweto, no final dos anos 90, até sua consolidada trajetória solo. Recentemente, o cantor celebrou 25 anos de carreira e realizou projetos para comemorar a data, incluindo a gravação do DVD “Belo In Concert” em São Paulo, no qual reinterpretou seus hits com arranjos sofisticados e orquestrais, e até um cruzeiro temático com shows em alto-mar reunindo convidados. Toda essa experiência acumulada deve refletir no espetáculo do festival.