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Bob Dylan faz 85 anos cercado por lendas e reinvenções; veja aqui

De prêmio Nobel à guitarra elétrica, artista redefiniu a música

Bob Dylan na década de 1960

Bob Dylan na década de 1960 (mptvimages.com/Reuters)

Poucos artistas construíram uma trajetória tão cercada de mitos quanto Bob Dylan. Completando 85 anos neste domingo (24), o cantor e compositor segue como uma das figuras mais influentes da história da música popular, com uma carreira marcada por reinvenções, polêmicas e momentos que mudaram o rumo do rock.

Confira abaixo alguns fatos e mitos sobre o artista:

O nome verdadeiro dele não é Bob Dylan

Ele nasceu Robert Allen Zimmerman, em Minnesota. A mudança para Bob Dylan aconteceu antes da fama e sempre existiu um mistério em torno da inspiração. Muita gente associa ao poeta Dylan Thomas, mas o próprio Dylan já negou isso em entrevistas diferentes. Esse jogo constante entre verdade e invenção é parte central do personagem dele.

Ele “matou” o folk ao ligar a guitarra elétrica

O show no Newport Folk Festival, em 1965, virou um dos momentos mais importantes da história da música popular. Quando Dylan apareceu com banda elétrica e tocou “Maggie’s Farm” e “Like a Rolling Stone”, parte do público vaiou. Para os puristas do folk, aquilo era uma traição. Hoje o episódio é visto como o nascimento do folk rock e uma virada cultural gigantesca.

“Like a Rolling Stone” quase não foi lançada

A música tinha mais de seis minutos, algo considerado inviável para rádio nos anos 1960. Executivos queriam cortar a faixa. Resultado: virou uma das músicas mais importantes da história do rock e redefiniu o formato do single pop. Você pode até puxar o impacto crítico da canção, frequentemente colocada no topo de listas históricas.

Os Beatles ficaram obcecados por ele

Existe toda uma troca cultural entre Dylan e The Beatles. Dylan apresentou maconha aos Beatles em 1964. Em contrapartida, o nível literário das letras dele influenciou diretamente a fase mais introspectiva da banda. Sem Dylan, discos como “Rubber Soul” provavelmente seriam diferentes.

Ele recusou ser porta-voz de uma geração

Mesmo sendo símbolo dos protestos dos anos 1960, Dylan odiava esse rótulo. Canções como “Blowin’ in the Wind” viraram hinos políticos, mas ele frequentemente fugia da ideia de “líder” de movimentos sociais. Essa contradição é interessante porque mostra alguém perseguido pela própria imagem pública.

O acidente de moto que virou lenda

Em 1966, Dylan sofreu um misterioso acidente de moto perto de Woodstock, em Nova York. O artista afirmou ter fraturado algumas vértebras do pescoço, mas as circunstâncias do episódio nunca ficaram totalmente claras. Nenhuma ambulância foi chamada ao local e Dylan não chegou a ser hospitalizado, o que ajudou a alimentar especulações e teorias ao longo das décadas.

Após o acidente, Dylan praticamente desapareceu da vida pública e ficou quase 8 anos longe de turnês. Mais tarde, o músico admitiu que o episódio também serviu como uma forma de escapar da pressão intensa da fama e da rotina exaustiva que enfrentava naquele momento. “A verdade é que eu queria sair da correria do dia a dia”, declarou anos depois. O afastamento ajudou a aumentar ainda mais o mito em torno do artista, que retornaria aos poucos à música no fim da década de 1960.

As músicas perdidas de Woody Guthrie

Nos anos 1960, Bob Dylan também esteve envolvido em outra história que ganhou status de mito entre fãs de folk. Admirador declarado de Woody Guthrie, ele teria tentado encontrar uma caixa com letras inéditas do músico, mas nunca conseguiu recuperar o material. Décadas depois, parte dessas composições esquecidas acabou transformada em música pelo Wilco no projeto “Mermaid Avenue”, lançado no fim dos anos 1990 em parceria com Billy Bragg.

O guardanapo que virou “Easy Rider”

Outra história cercada de lenda envolve “Ballad of Easy Rider”, tema do filme “Sem Destino”. Convidado por Peter Fonda para escrever a música, Bob Dylan recusou compor a faixa completa, mas rabiscou alguns versos em um guardanapo e entregou ao ator com a instrução: “Mostre isso ao McGuinn, ele vai saber o que fazer”. Roger McGuinn, do The Byrds, terminou a composição e gravou a música. Dylan chegou a receber crédito como coautor, mas pediu para retirar seu nome depois de não gostar do final violento do longa.

A fase cristã chocou os fãs

No fim dos anos 1970, Dylan se converteu ao cristianismo evangélico e lançou discos fortemente religiosos como “Slow Train Coming”. Muitos fãs detestaram. Outros consideram esse período subestimado musicalmente. Ele chegou a fazer shows praticamente só com músicas gospel.

Ele ganhou um Nobel e dividiu opiniões

Quando venceu o Prêmio Nobel em 2016, muita gente comemorou o reconhecimento de suas letras de música como literatura. Outros acharam absurdo um compositor ganhar o prêmio no lugar de romancistas e poetas tradicionais. O mais Dylan possível foi a reação dele: demorou dias para comentar publicamente sobre o assunto.

Sinatra era fã dele

Frank Sinatra já chamou Dylan de “poeta”. Décadas depois, Dylan gravou discos inteiros interpretando standards associados a Sinatra. Foi uma reviravolta improvável para quem começou como rebelde folk.

Ele continua em turnê quase sem parar

A “Never Ending Tour” começou em 1988 e praticamente nunca terminou. Dylan virou um artista de estrada obsessivo, fazendo centenas de shows ao longo das décadas. Isso ajuda a explicar por que ele permanece relevante para diferentes gerações.

Dylan também é pintor e escultor

Muita gente esquece que ele leva artes visuais muito a sério. Ele já expôs pinturas e esculturas em galerias importantes pelo mundo.

Ele vendeu todo o catálogo por centenas de milhões

Em 2020, Dylan vendeu seu catálogo de composições para a Universal Music Group em um acordo estimado em mais de US$ 300 milhões. Foi uma das negociações mais importantes da indústria musical moderna.

Timothée Chalamet interpretou o cantor no cinema

O filme “A Complete Unknown”, estrelado por Timothée Chalamet, reacendeu o interesse na juventude de Dylan e na cena folk de Nova York. Isso ajudou a conectar Dylan com uma geração muito mais nova de fãs.

“I’m Not There” transformou Dylan em seis personagens

Antes de “A Complete Unknown”, uma das abordagens mais celebradas sobre Bob Dylan no cinema foi “I’m Not There”, dirigido por Todd Haynes. Lançado em 2007, o filme apostou em uma estrutura experimental ao dividir o músico em seis personagens diferentes, interpretados por atores como Cate Blanchett, Heath Ledger, Christian Bale, Richard Gere, Ben Whishaw e Marcus Carl Franklin.

Cada personagem representava uma fase artística ou emocional distinta de Dylan, explorando suas múltiplas identidades ao longo da carreira. O longa se tornou cult justamente por evitar o formato convencional de cinebiografia e recebeu elogios da crítica, especialmente pela performance de Cate Blanchett, indicada ao Oscar e vencedora do Globo de Ouro por seu papel.

Bob Dylan também virou tema de documentários cultuados

Além das cinebiografias, Bob Dylan teve sua trajetória explorada em diversos documentários e filmes híbridos que misturam realidade e ficção. Entre os mais importantes está “Dont Look Back”, dirigido por D. A. Pennebaker, que acompanha a turnê do músico pelo Reino Unido em 1965 e se tornou um dos documentários musicais mais influentes da história.

Outro destaque é “No Direction Home”, de Martin Scorsese, lançado em 2005, que mergulha na juventude de Dylan e na transformação que o levou do folk tradicional ao rock elétrico. Anos depois, Scorsese voltou ao universo do cantor em “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story by Martin Scorsese”, produção que mistura imagens reais, depoimentos encenados e elementos fictícios.

Dylan também apostou em filmes experimentais

A relação de Bob Dylan com o cinema não se limitou a produções sobre sua vida. O cantor também participou de projetos mais experimentais, como “Masked and Anonymous”, longa de 2003 coescrito pelo próprio artista e estrelado por nomes como Jeff Bridges, Penélope Cruz e Jessica Lange. O filme apresenta uma narrativa fragmentada e surrealista, acompanhando um músico envelhecido em meio ao colapso político e social dos Estados Unidos. Embora tenha dividido a crítica na época do lançamento, a obra ganhou status cult entre fãs de Dylan justamente por seu tom enigmático e simbólico.

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