Anitta sobre ‘EQUILIBRIVM II’: ‘Me sinto realizada e vista por dentro’
Cantora detalha novo projeto da carreira e revela desafios

Anitta (André Nicolau/Divulgação)
Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (24), Anitta falou sobre o processo criativo por trás do segundo álbum de “EQUILIBRIVM”, o audiovisual de 35 minutos que assina como roteirista, e os motivos que a levaram a investir no projeto mesmo diante dos desafios financeiros e de atenção do público atual.
“Esse é o trabalho mais verdadeiro da minha vida. O álbum traz isso. Falamos de sexo, amor, profundidade, brincadeiras, de tudo um pouco. Traz a acidez que eu tenho, todos os meus pedaços”, definiu a cantora. “Eu me sinto muito realizada e vista, enxergada por dentro. Isso está muito legal.”
Anitta citou os desafios financeiros e criativos de produzir um projeto audiovisual de longa duração no cenário atual.
“Hoje em dia, não vale mais a pena financeiramente você fazer um projeto desse tamanho, dessa magnitude. É realmente muito caro, é um retorno financeiro que, se vier, vai demorar bastante para vir”, afirmou, citando também a dificuldade de manter a atenção do público diante do excesso de conteúdo e do uso de inteligência artificial na produção em massa.
Ainda assim, a cantora disse que a vontade de transmitir uma mensagem foi mais forte do que os obstáculos.
“O artista nunca pode perder a vontade de fazer uma revolução no pensamento das pessoas. Isso é porque a arte existe. O trabalho que eu faço é pensando nisso, em impactar a vida das pessoas e passar uma mensagem.”
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O roteiro escrito por ela mesma
Anitta revelou ter escrito integralmente o roteiro do caminho de autoconhecimento retratado nos visuais do álbum, posteriormente lapidado por Rodinei William, com a parte visual desenvolvida por Nídia Aranha e equipe, incluindo Felipe Sassi e Nico. “Escrevi tudo isso porque foi uma experiência de vida que passei, resumida para ficar dinâmico e não perder a atenção das pessoas.”
Sobre o tempo de duração do projeto, a cantora explicou a escolha estratégica: “Acho que 35 minutos foi um tempo que julguei que era o tempo que a galera ia ficar presa ali e deixar um gostinho de ‘quero mais’.”
Ao encerrar esse tema, Anitta afirmou que dificilmente repetirá um projeto de tamanha magnitude tão cedo: “Vai demorar um pouco para eu fazer algo tão grandioso assim como esses álbuns.”
Segundo a cantora, a ideia de um segundo álbum nasceu da recepção positiva do primeiro trabalho. “A gente começou a fazer o 2 porque eu amei o resultado. As pessoas falando, a repercussão foi tão potente para mim… eu me senti tão feliz lançando esse projeto”, contou. O primeiro álbum, concebido como um projeto internacional, teve faixas adaptadas para o português, como “Respira”. “Mas eu fiquei tão feliz que eu não queria parar. Eu achei que tinha faltado a gente incluir algumas músicas… achei que o álbum merecia continuar.”

Um forró para honrar as raízes paraibanas
Entre as adições do novo trabalho está um forró, gênero que faltava no primeiro álbum. “Acho que faltava só um forró mesmo, né? Porque a gente não teve — e a minha família é paraibana. Então a gente precisava muito ter um forró, na minha opinião, para honrar esse lado da minha família”, explicou Anitta.
A cantora também destacou “Pra Você Gostar de Mim”, releitura de Carmen Miranda que representa o dilema pessoal vivido por Anitta ao longo do processo criativo. “Essa música traz o dilema, o conflito interno e pessoal que gerou a necessidade de me aprofundar no autoconhecimento”, disse. Segundo ela, esse conflito impulsionou uma jornada de transformação retratada nos visuais do projeto: “Foi que criei a necessidade de me conhecer internamente, de fazer essa transformação e chegar a todas essas conclusões que cheguei.”
Anitta refletiu sobre o aprendizado por trás da música “Sem Pressa” e sobre como o ritmo acelerado de trabalho, retomado durante as gravações de um filme, a fez recuar em uma evolução pessoal conquistada ao longo do tempo.
Um passo atrás na carreira internacional
Segundo a cantora, “Sem Pressa”, com MC Tha, a fez relembrar os motivos que a levaram a recuar com a carreira internacional em favor do Brasil.
“Me relembrou o porquê de eu ter dado um passo atrás com a questão da minha carreira internacional, juntamente com a do Brasil, sem abandonar o meu país. Que é o que eu sempre quis, porque feliz mesmo eu sou no Brasil”, afirmou. Anitta explicou que, para manter as duas carreiras simultaneamente, abdicava do próprio tempo, o que a tornava uma pessoa mais estressada e reativa: “Isso me tornava uma pessoa muito ‘gatilhada’, com muitos gatilhos, com muita dificuldade de crescer internamente.”
Ao desacelerar, a cantora sentiu melhoras significativas — o que a levou a considerar retomar a segunda parte do álbum internacional. No entanto, ao voltar à rotina intensa de gravações de um filme, de segunda a sábado, Anitta percebeu um retrocesso no equilíbrio emocional conquistado.
“Eu desevolui, eu andei para trás em toda a evolução interna que eu tinha garantido e adquirido nesse tempo”, disse. Para ela, esse processo de autocuidado funciona como uma musculatura que exige manutenção constante: “A gente tem que estar sempre indo, para o corpo estar sempre ali inteirinho… e é igual ao interior: para a gente não estar sensível aos nossos gatilhos… a gente tem que estar em eterno exercício.”
A decisão de priorizar o Brasil
Diante da constatação de que seu bem-estar estava diretamente ligado à rotina que mantinha, Anitta decidiu recuar dos planos para o álbum internacional. “Aprendi muito, e aí eu desisti de fazer essa parte do álbum internacional. Voltei com ele para o Brasil. Falei: ‘Não, eu vou fazer para o Brasil, porque daí eu tenho mais tempo para mim.'”
A experiência também reforçou uma pauta que a cantora já defendia publicamente: o fim da escala de trabalho 6×1. “Por isso que eu já lutava, sempre lutei pela escala, pelo fim da escala 6×1”, afirmou, relacionando a rotina exaustiva de trabalho à dificuldade de manter tempo para descanso, reflexão e ócio.
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