Cássia Eller + Gal e mais: Nelson Motta elege ‘encontros musicais dos sonhos’
À Billboard Brasil, curador do Doce Maravilha sonhou com parcerias incríveis

Nelson Motta (Divulgação)
Nelson Motta fala de encontros musicais como quem fala de uma ideia antiga que sempre esteve ali, latente para acontecer. O conceito que hoje estrutura o Doce Maravilha — “harmonia por contraste”, nas palavras dele — aparece também quando o assunto são artistas que já se foram, como Cássia Eller, ou que, na imaginação, poderiam dividir o mesmo palco. E a lógica não é só nostalgia: é chocar estilos que podem parecer díspares, mas que, ao vivo, se complementam.
Questionado pela Billboard Brasil sobre quais artistas que já partiram ela incluiria em encontros musicais, ele parou para pensar e montou parcerias de “várias dimensões”. “De cara, Tim Maia e Jorge Ben Jor. Seria um espetáculo”, afirmou Motta, sem hesitar.
O próximo show? “Elis Regina e Djavan. Também adoraria ver e ouvir isso”.
Ele amplia ainda mais o espectro quando projeta outras ‘colisões’ possíveis. “Cássia Eller e Gal Costa. Também seria muito, muito interessante.” O tom não é de ranking, mas de curiosidade sobre o que poderia surgir do choque entre vozes e mundos distintos.
A lista segue, sempre no mesmo princípio de contraste e afinidade inesperada: “E o Erasmo [Carlos] e o Roberto Carlos. Para fechar bem”, finalizou Motta, que esteve na escalação do Doce Maravilha deste ano, com encontros como Caetano Veloso e Emicida, além de Maria Bethânia e Paulinho da Viola.
Sobre a nova geração, o jornalista e escritor deixou no ar que Tim Bernardes é o artista que ele vê entrando nesta seleta lista de ícones da música popular brasileira.

‘Harmonia por contraste’ como método de curadoria de Nelson Motta
No centro do Doce Maravilha, Nelson Motta insiste que a curadoria não nasce de uma lista de atrações, mas de uma ideia de fricção estética — algo que ele define como “harmonia por contraste”. A expressão, que atravessa toda a concepção do festival, aparece como eixo das escolhas e dos encontros que moldam o line-up.
“Eu adoro esse conceito… coisas aparentemente até opostas, mas que se harmonizam justamente pelo contraste”, diz. A partir daí, ele explica que o festival não se organiza por gêneros ou hierarquias, mas por relações inesperadas entre artistas e gerações.
O exemplo mais recorrente, segundo Motta, é justamente o que melhor sintetiza essa lógica: “Uma espécie de símbolo dessa nossa ideia de programação é o encontro do Caetano com o Emicida, que é mais do que um encontro de gerações. É uma harmonia por contraste também. Ninguém sabe o que vai acontecer, só sabe que vai ser bom.”
O mesmo princípio se repete em outro eixo central da edição: “Esse encontro da Maria Bethânia com o Paulinho da Viola… isso é um sonho antigo, não é? Chegou a hora de refazer esse encontro.” Para ele, não se trata apenas de repertório compartilhado, mas de linguagens opostas que se encontram no palco: “O Paulinho é aquela elegância, contido, bem econômico, e a Bethânia é a exuberância, é o drama, é a festa, é tudo.”
A lógica da curadoria, segundo Motta, também depende de uma engrenagem geracional, uma espécie de continuidade entre experiência e renovação. “Esse encontro da juventude com a experiência resulta nessa harmonia, muitas vezes uma harmonia por contraste”, diz, ao explicar como jovens curadores trabalham junto à memória histórica da música brasileira.
É nesse ponto que entram as parcerias que estruturam o festival hoje. Motta destaca o papel de nomes mais jovens na construção do line-up e na leitura do presente musical: “O pessoal tem uma atualidade, uma visão da geração deles. E também eles sabem muito da história da música brasileira, de como nós chegamos até aqui.”
Essa combinação, segundo ele, permite que o Doce Maravilha opere em duas camadas simultâneas: a da memória e a da experimentação. “A cada ano, a gente vai desenvolvendo mais esse trabalho”.
+ Veja mais: 50 melhores álbuns brasileiros de 2026 (até junho), segundo a Billboard Brasil

Confira a programação completa do Doce Maravilha 2026
8 de agosto – sábado
- Paulinho da Viola conv. Maria Bethânia
- Bloco do Silva #3
- Chico Chico celebra: Belchior com Juliana Linhares
- Leci Brandão & Rappin’ Hood
- Cortejo Afro conv. Luedji Luna Luna & Margareth Menezes
- Amanda Magalhães
- Larinhx
- Só Lyma
- Yasmin Lisboa
- Mango DJ Set
- Nelson Motta & Lou Cascudo apresentam: Noites Tropicais DJ Set
9 de agosto – domingo
- Caetano Veloso conv. Emicida
- Os Paralamas do Sucesso: 40 Anos de Selvagem?
- Falamansa conv. Ruan Vitor Vaqueirinho
- Sandra Sá: 40 anos de Sandra Sá (1986)
- Academia da Berlinda: 10 Anos de Nada Sem Ela com Louise
- Nova Orquestra toca: 20 Anos de Bloco do Eu Sozinho
- Bia Marques
- Yasmin Vilhena
- Rafa Canholato B2B Babi Facchinetti
- Nelson Motta & Lou Cascudo apresentam: Noites Tropicais DJ Set
Serviço
Data: 7, 8 e 9 de agosto de 2026 (sexta, sábado e domingo)
Local: Jockey Club Brasileiro – Praça Santos Dumont, 31, Gávea, Rio de Janeiro (RJ)
Abertura dos portões: 14h
Início dos shows: a partir das 14h35
Ingressos: à venda pela plataforma Ingresse e em pontos físicos credenciados
Mais informações: @umadocemaravilha
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