10 músicas essenciais para entender Luiz Melodia
Saiba mais do artista carioca que misturava mundos
O cantor e poeta Luiz Melodia nasceu em 7 de janeiro de 1951, no Rio de Janeiro. Ele é um daqueles artistas que parecem ter nascido com a missão de misturar mundos. As suas músicas e a sua vida se confundem com o Morro de São Carlos, o Estácio, o Rio de Janeiro. E seu estilo une o blues, o choro, o samba, o rock e o jazz de um jeito único.
O pai, Oswaldo Melodia, era sambista e compositor. Ainda adolescente, Luiz absorveu bossa nova, jovem guarda e a pulsação elétrica das ruas, formando uma linguagem própria que unia poesia e balanço com um senso raro de liberdade.
Melodia estreou em disco nos anos 1970 e construiu uma obra singular, em que romantismo e risco convivem lado a lado, assim como samba, soul e rock. Seu álbum de estreia, “Pérola Negra” (1973), virou um cartão de visitas definitivo e, de lá em diante, ele atravessou décadas sem se acomodar, do experimental ao popular, do rádio ao culto.
Esta seleção reúne 10 faixas essenciais para entender seu universo
10 músicas para conhecer Luis Melodia
1) “Pérola Negra” do disco “Pérola Negra” (1973)
A música que batiza o álbum de estreia é também uma declaração estética. Melodia entra em cena com lirismo e identidade, cantando com intimidade e mistério. A faixa já apresenta o traço central do artista, um romantismo urbano que foge do óbvio e trabalha com imagens quase cinematográficas.
2) “Estácio, Holly Estácio” do disco “Pérola Negra” (1973)
Uma autobiografia em forma de canção, com o bairro como mitologia particular. Melodia transforma o Estácio em cenário simbólico e declara pertencimento com balanço e ironia. É uma das faixas que melhor mostram como ele convertia a cidade em linguagem musical e literária.
3) “Magrelinha” do disco “Pérola Negra” (1973)
Leve, sedutora e com uma malícia solar, “Magrelinha” virou uma porta de entrada perfeita para quem ainda não conhece o artista. A melodia flui com naturalidade, mas carrega sofisticação no encaixe rítmico, no solo de guitarra setentista e no jeito de contar uma história em poucos versos.
4) “Vale Quanto Pesa” do disco “Pérola Negra” (1973)
Melodia mostra sua força como cronista. A canção olha para valor, sobrevivência e contradições sociais sem perder o groove. O comentário é direto, mas nunca vira discurso óbvio: ele prefere sugestão, ironia e ritmo.
5) “Farrapo Humano” do disco “Pérola Negra” (1973)
Entre o samba e o drama, Melodia mergulha em personagens e estados de espírito que parecem saídos de um filme noir tropical. “Farrapo Humano” tem intensidade e crueza, e deixa evidente seu lado mais teatral, em que o cantor atua como narrador e personagem ao mesmo tempo.
6) “Pra Aquietar” do disco “Pérola Negra” (1973)
Um respiro delicado no meio do álbum. A faixa tem clima de confissão e reforça como Melodia sabia fazer um romantismo sem açúcar. É uma canção intimista, com um canto que parece se recolher, mas deixa marcas.
7) “Juventude Transviada” (1975) tema de novela
Uma faceta essencial de Melodia é a capacidade de criar canções que conversam com o grande público sem perder personalidade. “Juventude Transviada” ficou conhecida como tema de “Pecado Capital” e mostra como ele dominava o formato de música popular para televisão, com carisma, balanço e assinatura.
8) “Ébano” “14 Quilates” (lançamento original em 1997)
Ao longo dos anos 1990, Melodia teve canções que ganharam novos públicos por meio de trilhas. “Ébano” exemplifica sua habilidade de unir elegância, sensualidade e construção melódica com apelo popular, mantendo sua marca autoral.
9) “Quase Fui Lhe Procurar” “14 Quilates” (1997)
Uma canção que soa como conversa de madrugada, com arrependimento e desejo em equilíbrio. O “quase” do título vira drama emocional e a interpretação segura transforma a simplicidade em tensão narrativa.
10) “Presente Cotidiano” (dueto com Gal Costa) versão em estúdio
Quando Melodia encontra Gal Costa, o resultado é um encontro de timbres e atmosferas. A canção vira um pequeno ritual de afeto, com aquele ar de MPB em que dois intérpretes se escutam e se completam. A faixa aparece como registro em estúdio ligado ao projeto ao vivo “Luiz Melodia Convida”.
Se “Pérola Negra” é a porta de entrada, os próximos passos incluem o refinamento de “Maravilhas Contemporâneas” (1976), a ousadia de “Felino” (1983) e o retorno maduro de “Zerima” (2014), um disco que reafirma sua força artística décadas depois do começo. Luiz Melodia morreu em 4 de agosto de 2017, aos 66 anos, no Rio de Janeiro, devido a complicações de um câncer na medula óssea.








