Guerreiras do K-pop: veja o que as vozes do filme revelaram à Variety
Atrizes e cantoras da animação conversaram com a revista após o Critics Choice

Globo de Ouro 2026: Audrey Nuna, EJAE e Rei Am, do filme "Guerreiras do K-Pop" (Grosby)
Um dia depois de vencer o “Critics Choice”, as vozes de canto e atuação de “Guerreiras do K-pop” conversaram com a revista “Variety”. Esta foi a primeira entrevista em que as seis mulheres se juntaram para falar sobre os desafios e o sucesso da animação.
Rei Ami é a voz cantada de Zoey, enquanto Ji-young Yoo é a voz falada da personagem. Audrey Nuna é quem canta por Mira e May Hong é quem dubla a mesma personagem. Por fim, EJAE dá voz a Rumi nas canções, enquanto Arden Cho é a voz de fala da personagem.
Na entrevista feita por Jazz Tangcay, as coreanas falaram sobre os anos de trabalho árduo, marcados por muitas rejeições, e como o desejo da diretora Maggie Kang em mostrar um outro lado da cultura coreana as motivou.
“Eu sentia que havia uma fome por conteúdo coreano e por ver mais da nossa cultura. Quis surfar essa onda da K-wave e aproveitar essa oportunidade para criar algo que pudesse abraçar todas as partes da nossa cultura”, explicou Maggie após ver o crescimento do K-pop e da comida coreana nos Estados Unidos e na Europa.
Ela estava certa. A produção da Netflix já levou os títulos de Melhor Animação e de Melhor Canção Original com “Golden” em duas premiações: “Critics Choice Awards” e no “Globo de Ouro”. Além disso, ganhou um gramofone como Melhor Canção Escrita para Mídia Visual no “Grammy” e segue indicada ao “Oscar” como Melhor Animação e Melhor Canção Original.
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Confira abaixo o que as atrizes e cantoras de “Guerreiras do K-pop” disseram na entrevista à “Variety”.
Motivação para fazer parte de ‘Guerreiras do K-pop’
EJAE – “Foi o fato de ter sido o primeiro filme animado baseado na Coreia [de produtores americanos]. Eu amo animação e nunca tinha visto uma animação ou anime que tivesse a Coreia como cenário. Eu já vi “Kung Fu Panda” e “Big Hero 6″. Havia outras culturas asiáticas representadas. Eu queria ver a Coreia, então fiquei muito animada para isso, e a história foi genial. O fato de terem conseguido incorporar um conceito que misturava tanto a cultura histórica coreana quanto a cultura moderna em um só foi genial. E usando o xamanismo coreano como parte de uma coisa de super-herói na música, eu fiquei: ‘sim, estou convencida'”
Rei Ami – “Consegui a audição no final de maio de 2024 e, quando o briefing chegou, todos os outros já tinham sido confirmados. A voz cantada da Zoey foi a última: eles não conseguiram encontrá-la, e eu fiquei chocada. Eu pensei: ‘Tem tanta gente talentosa que poderia fazer isso’. Mas a única informação que recebi sobre o filme foi muito genérica. Dizia: ‘Grupo feminino de K-pop, também caçadoras de demônios à noite, música poderosa, e são fofas e duronas'”.
“Com a Zoey, a única descrição que recebi foi que essa pessoa precisa saber cantar em coreano e inglês, mas precisa saber rimar extremamente rápido. Peguei o material, e eram trechos diferentes das músicas. Gravei com um microfone barato de 40 dólares. Não sei o que esse filme vai fazer, mas é tudo o que eu amo em termos de animação. É um filme da Netflix. É música, e é baseada na cultura coreana. É tudo o que eu sou. Eu disse: ‘Ok, deixa eu fazer isso. Deixe-me tentar’. E gravei todos os segmentos, exceto o A5 (nota aguda) em “Golden”. Eu disse ao meu empresário, Aaron Tropf: ‘Diga a eles que a Rei não consegue atingir essa nota. Ela não quer acertar essa nota'”.
Como a história ajudou a enfrentar os próprios demônios
Arden Cho – “Mudando um pouco de assunto, quando você disse que era a primeira vez que a Variety colocava seis mulheres coreano-americanas, mulheres coreanas e mulheres asiáticas na capa, isso me emocionou, porque, durante toda a minha carreira, sempre senti que ser coreana, ou mulher, ou asiático-americana, era um obstáculo enorme nessa profissão, nessa indústria, certo? Trabalho como atriz há 23 anos, e você recebe muitas observações ao longo do caminho, ou enfrenta muitas situações que simplesmente não dão certo.
E sinto que nós sabemos — por todas nós, pela história da EJAE, por tudo o que cada uma compartilha durante essa divulgação — o quanto cada uma trouxe para esse projeto. Começamos a ouvir essas histórias e pensar: ‘Uau, todo mundo trouxe tanto para isso e tinha o mesmo objetivo: só queríamos ser vistas. Queríamos sentir que pertencemos’.
Como a Rei disse, é merecido, e é empolgante. Por que não achávamos que merecíamos isso? Crescemos sentindo que existe uma expectativa sobre como devemos ser e uma responsabilidade sobre como devemos agir. Mas este filme mostra tantos tipos diferentes de personalidades e personagens, ousadia e destemor, e essas mulheres super bonitas e duronas que também são bobas, engraçadas e fofas. Quando aparece um cara muito atraente, as coisas ficam meio malucas, meio caóticas, e de repente elas esquecem que são caçadoras de demônios e ficam tipo: ‘Oh, ele é fofo’. É divertido.
Isso mostra que você pode ser durona, bonita, delicada e ainda assim vulnerável. Eu amo tudo isso, e sinto que todas nós, de alguma forma, encontramos certa cura nisso, assim como o mundo também. Acho que é isso que continua trazendo as pessoas de volta ao filme: a história é profundamente curativa e cria uma conexão com todo mundo”.
Ji-Young Woo – “Começamos este ano em um cenário dominado apenas por obras baseadas em propriedades intelectuais já conhecidas. Musicais e histórias centradas em pessoas negras e mulheres ‘não funcionam’. Todas essas noções preconcebidas sobre que tipo de filme dá certo no mercado atual estavam no ar.
E acho que o mais empolgante de ouvir é que muitos cineastas se sentem revigorados ao perceber que estamos a apenas um filme de reescrever todas as regras sobre como a indústria pode funcionar. Em cada etapa desse processo, o filme quebrou alguma ideia do que acreditávamos ser o limite. Não imaginávamos que um longa de streaming, já disponível há alguns meses, pudesse liderar a bilheteria em um fim de semana. Batemos o recorde de maior número de músicas de uma trilha sonora no Top 10 da Billboard.
Nada disso parecia mais possível na indústria — ou, pelo menos, era o que muita gente ao meu redor acreditava. Por isso, tem sido gratificante ouvir cineastas jovens e veteranos falarem sobre como o filme os inspirou a repensar quais são, afinal, as regras de Hollywood hoje”.
Cultura coreana sendo abraçada por não coreanos
Audrey Nuna – “Na estreia, todo mundo estava rindo e se divertindo muito. E eu estava ali, chorando compulsivamente, porque aquilo tocou em uma dor e em um trauma muito profundos que todas nós já vivemos — essa experiência de ser primeira geração ou vir de famílias imigrantes e ter que entrar em ambientes onde, no fim das contas, você simplesmente não é bem-vinda.
Viver isso quando criança, especialmente no meu caso com a comida — lembro especificamente de levar gimbap para a escola e as crianças dizerem: ‘Eca. O que é isso? Que nojo’. Quando você é criança, está em um lugar de extrema vulnerabilidade e não entende de onde aquilo vem ou por quê.
Crescemos e aprendemos a nos assimilar a um mundo que não nos aceita — ou, com sorte, decidimos não nos assimilar dessa forma. Acho muito interessante perceber o que me emociona no filme, porque são justamente esses detalhes profundamente pessoais, que para mim parecem pequenos, mas que acabam sendo os que mais impactam”.
May Hong – “É uma sensação de vindicação. Este é o filme de vingança coreano definitivo”.
Arden Cho – “Este filme é agora, e sinto que é o começo de mostrar ao mundo que K-pop, K-moda, K-beleza… O K é…”.
Rei Ami – “Não existe mais. Larga o K”.
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